Alfama. O Bairro de Alfama em Lisboa não vive só dos Santos Populares, das marchas do fado e do Lisboa Downtown. Virada a sul com vista para o Rio Tejo, Alfama estende-se do Castelo de São Jorge à Doca do Jardim do Tabaco e é dos maiores destinos turísticos de Lisboa.
sexta-feira, setembro 28, 2012
PROJECTO Nº 229 “PARQUE INFANTIL NO CASTELO DE SÃO JORGE
domingo, março 11, 2012
NOVA ATRACÇÃO NO CASTELO DE SÃO JORGE
EMEL cria bolsa de estacionamento para moradores no Castelo de São Jorge
Publicado no Público em 07.03.2012 - 18:53 Por Carlos Filipe
As ruas da freguesia do Castelo, em Lisboa, não comportam todas as viaturas automóveis dos seus residentes, pelo que foi encontrada uma solução pouco consensual: estacionam em bolsa própria no interior do castelo.
No Castelo de São Jorge, em Lisboa, monumento nacional, dos mais visitados da cidade, um parque de estacionamento automóvel aparenta ser uma nova atracção, por inesperada e não anunciada em qualquer roteiro turístico. Não é, de facto, um parque, mas uma bolsa de estacionamento, muito informal, destinada a acolher até 50 automóveis de residentes na freguesia, que não encontram lugar nas ruas lotadas e estreitas do bairro.
O mais estranho é que o visitante que se dirige para o núcleo museológico - que após trabalhos arqueológicos recentes abriu ao público, revelando vestígios de um bairro islâmico - é apanhado de surpresa quando se depara com uma cerca e é forçado a subir e a descer degraus da fortificação adjacente, já a Norte do perímetro da zona monumentalizada, para aceder ao local de visita.
Nota-se que houve a preocupação de dissimular a presença daquela bolsa de estacionamento, cercando-a com rede, envolvida em tela de tecido acrílico verde. As viaturas acedem pelo Largo de Santa Cruz do Castelo, através de um pequeno portão. E a qualquer hora do dia, mesmo durante a noite, pois ali fica um segurança de plantão.
"Aquele espaço só foi criado pela Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa [EMEL] após a recuperação do espaço arqueológico, ainda que a intenção inicial era mesmo fazer um parque de estacionamento subterrâneo, com três pisos, no castelo, e sob aquele mesmo local. Mas os trabalhos ao lado revelaram importantes achados e o Igespar [Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico] achou por bem preservar o subsolo onde se encontra a bolsa", disse ao PÚBLICO o presidente da Junta de Freguesia do Castelo, Carlos Filipe Lima.
O autarca diz lamentar, mais que ninguém, a actual situação: "Nasci e aqui fui criado, brinquei muito no castelo e não estou satisfeito com a situação, pois o castelo deve ter muito mais dignidade do que lhe está a ser dada. Sinto algum desconforto com isto [a bolsa de estacionamento], e acho que devia haver alguma forma de conciliar a dignidade do castelo e as dificuldades de estacionamento na freguesia. É que sem este espaço seria mesmo o caos no bairro."
Ruas cheias
Um caos, mesmo que controlado, mas ainda assim um caos, e ainda à entrada de Março, pois nos meses de pico turístico, há-de ser bem pior, é a situação vivida à entrada do castelo. A metros pára o mini-bus da Carris, a carreira 737, que circula entre o monumento e a Praça da Figueira. E é mini porque as ruas da colina estão pejadas de carros e as viragens são complicadas. E mais complicada fica a manobra devido à presença dos táxis que ali despejam turistas e que por ali se mantêm à espera de nova corrida.
A senhora Maria - "simplesmente Maria", diz, está à janela do primeiro andar na Rua Bartolomeu de Gusmão. Diz-se habituada às agruras dos seus vizinhos que perdem um ror de tempo procurando um lugar para enfiar o automóvel. Não tem carro, mas é como se tivesse. "Às vezes ajudo-os a encontrar um lugar, daqui vejo mais longe. Mas sabe, a solução é não ter carro. Façam como eu, que ando a pé, e já tenho 68 anos."
Blogocrítica
Simplesmente Maria não se indigna com o parque no castelo, já o autor do blogue "Alfama - Planeta Alfama", indignou-se com a situação e chamou-lhe "era uma vez um castelo". Onde há carros, escreveu, havia em tempos um parque temático para crianças.
Fernando Nunes da Silva, vereador camarário para a mobilidade, salienta que enquanto não for encontrada uma solução definitiva para o problema do estacionamento na zona, "o parqueamento no castelo deverá ser arranjado e ordenado como deve ser". "Concordo que não se tenha feito o parque subterrâneo naquele local, uma vez que a importância dos achados merece que as entidades da cultura tenham reservado o espaço. Mas, idealmente, onde há carros deveria haver espaços de lazer e estadia para os visitantes do castelo", sublinha o vereador.O presidente da Junta do Castelo diz não ter recebido queixas na autarquia sobre a localização do estacionamento no castelo, frisa que não haveria soluções milagrosas como alternativa, mas que mesmo assim chegou a propor a adaptação de uma zona encostada à muralha, o Pátio D. Fradique, para a construção de "uma espécie de silo". Mas para ali também está previsto o alargamento de uma unidade hoteleira de luxo - o Palácio Belmonte.
Nas redondezas, dois parques explorados pela EMEL (ver outro texto) poderiam acolher mais viaturas dos residentes da zona 44 (Castelo). Mas, como lamenta Carlos Filipe Lima, "as pessoas acham que dizer que ficam perto é relativo e que os valores pedidos pela entidade que os explora são considerados elevados pela população, para além de dizerem que a insegurança é grande." Todavia, no que se refere ao parque das Portas do Sol, o estacionamento é automático e não possibilita acesso de pessoas ao seu interior.
domingo, fevereiro 05, 2012
ERA UMA VEZ UM CASTELO
Recentemente foi inaugurado o Parque de Estacionamento do Chão do Loureiro a poucos metros do Castelo que é gerido por uma empresa Municipal a EMEL portanto não é de certeza por falta de estacionamento que esta situação "temporária" se mantém.
Se calhar fazia mais falta um parque temático para as crianças como existiu antes das obras (não só para as crianças do Castelo)... mas isso não dá votos na Junta de Freguesia
quarta-feira, abril 28, 2010
sexta-feira, março 21, 2008
CÂMARA PEDE EMPRÉSTIMO PARA SOLUCIONAR 'BURACO' DA REABILITAÇÃO URBANA
Publicado pelo SOL em 09-03-2008
A Câmara de Lisboa quer contrair um empréstimo para financiar a recuperação urbana do casco velho da cidade, «um buraco» financeiro e social, com bairros como Alfama e Castelo a definharem há anos sem população nem comércio
O empréstimo, cujo valor não está definido e que a autarquia está a negociar com o Banco Europeu de Investimento, segundo disse à Lusa o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado (PS), servirá para dar um novo arranque a obras que estão paradas há anos e permitir realojar as pessoas retiradas de casa, com quem a autarquia gasta 1,2 milhões de euros por ano
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«A Câmara lançou empreitadas sem projectos, os empreiteiros viram que as obras eram muito mais caras, rescindiram, a CML tem que pagar 10 por cento da obra [pelas rescisões unilaterais] e não tem sequer dinheiro para isso. É um absurdo, a Câmara paga 1,2 milhões de euros por ano [em rendas], só tem dinheiro para isso», acrescentou o autarca.
O vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, não tem dúvidas em afirmar que «este é um dos maiores escândalos da cidade» e que «o que se tem feito nos últimos dez anos em reabilitação urbana é um exemplo de ineficácia e inoperância», acrescentando que «os caminhos para sair deste buraco não são fáceis».
Para o executivo, a solução passará por «pedir um empréstimo para a reabilitação urbana que não entra no cálculo dos limites de endividamento» da Câmara, - e é independente do empréstimo de 360 milhões pedido para pagar dívidas e que o Tribunal de Contas chumbou - para «resolver as situações acumuladas».
Maria do Carmo Dias, de 57 anos, saiu da sua casa no bairro do Castelo há nove anos, esperando, na pior das hipóteses, ficar dois anos fora - com renda paga pela autarquia - e então voltar para a sua casa renovada.
Hoje, olha com desânimo para a fachada da casa onde morava, a única coisa que resta do prédio de três andares, demolido por dentro, e continua sem saber por que razão não se fizeram as obras.
«Não fui eu que criei esta situação, da maneira como este país e esta câmara estão, até me sinto mal em receber 600 euros de renda há tantos anos. Com esse dinheiro, já tinham feito as obras na casa», afirmou à Lusa.
Pelo bairro, não faltam histórias de pessoas a quem a reabilitação mudou a vida para pior:
«Isto tem dado conta da vida das pessoas», confirma Maria do Carmo. «Isto era uma família, desmontaram tudo...desertificou-se o bairro, as pessoas vivem desmoralizadas», acrescenta.
A sua mãe, com Alzheimer, já conseguiu voltar para casa, mas as perspectivas não são muito famosas: três inspecções da Lisboagás deram parecer negativo à instalação de gás e no primeiro dia da mudança, caíram bocados da fachada: «isto é coisa que se faça?», questiona.
Para Ana Paula Pousão, o regresso ao bairro do Castelo, de onde saiu há onze anos, está ainda mais longínquo. Quando saiu, levou um subsídio de 600 euros para pagar a renda da habitação - supostamente temporária - onde ficaria.
Com a morte do pai, em 2005, o subsídio foi reduzido para 500 euros. No ano passado, a Câmara mandou-lhe uma factura superior a onze mil euros para pagar (e depois 'corrigida' para mais de doze mil euros), alegando que Ana Paula não tinha declarado a morte do pai e tinha recebido subsídio indevidamente, o que esta nega.
«Já provei à câmara que entreguei a certidão de óbito. Entretanto, a senhoria do meu prédio vendeu-o e segundo a câmara, o meu direito de opção caducou», lamenta.
António Costa garantiu-lhe que «o problema ia ser resolvido», mas não há grandes razões para estar tranquila: «fiquei sem casa, não se fizeram as obras, o prédio está em ruínas e ainda fiquei com uma dívida. Não tenho culpa que a Câmara esteja sem dinheiro, agora não o peça é a mim», diz.
Eduardo Street, morador em Alfama, está habituado a ver há anos a desertificação do bairro, de onde saíram muitas pessoas que agora «só pedem para vir morrer à sua casa» e que continuam à espera das obras de reabilitação Pelas ruas de Alfama vêem-se prédios arruinados, entaipados, com andaimes, praticamente porta sim, porta não, ao lado de outros realmente recuperados, pelo menos exteriormente, graças «à iniciativa privada, que é a única coisa que vai resultando».
Muitos senhorios, feitas as obras, esquivam-se aos contratos legais de arrendamento, de que os inquilinos também prescindem, especialmente depois do fim dos apoios ao arrendamento jovem, afirma Eduardo Street.
Resultado: vieram pessoas novas morar para o bairro, mas são principalmente jovens estudantes e imigrantes, que «são bem vindos, mas não vieram para ficar».
O condicionamento de trânsito em Alfama tem também contribuído para a morte lenta do bairro, afirma, uma vez que ao retirar o trânsito ocasional e dificultar o estacionamento, as lojas não têm clientes e fecham, verificando-se dezenas de montras entaipadas por todo o bairro.
«Cada vez há menos serviços, menos lojas, menos farmácias. Vir morar para aqui é um luxo e ficar aqui é uma tarefa quase impossível», declarou.





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