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sábado, janeiro 22, 2011

ESGOTOS DOMÉSTICOS JÁ NÃO CHEGAM AO TEJO SEM TRATAMENTO


Publicado no Público em 22.01.2011 - 19:10 por Carlos Pessoa

Os esgotos produzidos pela cidade de Lisboa já não vão parar ao Tejo. A partir de agora, os efluentes urbanos de cerca de 120 mil residências são elevados desde o Terreiro do Paço até à Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcântara, contribuindo para a melhoria da qualidade da água do rio.

Um investimento de cerca de 100 milhões de euros tornou possível esta mudança, executada pela Simtejo, uma empresa de capitais públicos participada pelo grupo Águas de Portugal e pelos municípios de Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira. A finalização dos trabalhos foi celebrada esta tarde no Terreiro do Paço numa cerimónia (“O Fado do Tejo Mudou”) em que estiveram presentes a ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território, Dulce Pássaro, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, e o secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Marcos Perestrello. O programa incluiu ainda uma regata de canoas do Tejo, com início no Cais das Colunas.

“A par da erradicação das barracas, esta é a obra mais importante das últimas décadas”, disse António Costa, defendendo que “a recuperação ambiental do Tejo é fundamental para a vida da cidade”.

Além de evitar que os esgotos entrem no rio sem tratamento, a concretização deste projecto permitiu à EPAL reforçar a qualidade da água de abastecimento público e libertar o Terreiro do Paço dos automóveis, lembrou o autarca lisboeta.

Já em Março, serão inauguradas as primeiras esplanadas na praça, adiantou António Costa, que anunciou a abertura de concurso para a ocupação de espaços do Terreiro do Paço que permitam “dar vida e animação” ao local. “A frente ribeirinha tem 19 quilómetros de extensão e isso é uma especificidade única da cidade. Temos que saber valorizar o estuário, que está cheio de oportunidades de utilização para lazer, cultura, desporto ou actividades económicas”, disse ainda o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

A reabilitação urbana não termina com esta obra. António Costa referiu-se à criação, em 2013, do Jardim do Oriente, um novo equipamento que leva mais longe o esforço iniciado em 1998 na zona oriental de Lisboa, por ocasião da Expo: “Tudo isto, concluiu, para transformar a relação da cidade com o rio.”

Na sua intervenção, a ministra do Ambiente afirmou que a “despoluição do Tejo é um grande desafio à engenharia portuguesa”. Disse que a intervenção coordenada nas margens Sul e Norte, com um investimento de 630 milhões de euros, “vai permitir usufruir o estuário em condições ambientalmente adequadas, potenciando o desenvolvimento sustentável da cidade e da região”.

quarta-feira, março 24, 2010

CONCURSO PÚBLICO PARA O NOVO TERMINAL DE CRUZEIROS DE LISBOA



Publicado pela CML

A Câmara Municipal de Lisboa e a Administração do Porto de Lisboa apresentaram, dia 24 de Março, na Gare Marítima de Santa Apolónia, o Concurso Público de Concepção para a Elaboração do Projecto do Terminal de Cruzeiros de Lisboa, com data prevista de conclusão em 2013.

A sessão decorreu na Gare Marítima de Santa Apolónia com a presença de António Costa, presidente da CML, e Natércia Cabral, presidente da APL.

O projecto, apresentado pelo Engº António Martins e pelo Arqtº Rui Alexandre, da APL, desenvolve-se em quatro fases, correspondendo a um investimento global de cerca de 25,5 milhões de euros e que ficará concluído em 2013, após 24 meses de obras.

A nova estrutura de Santa Apolónia, com uma área total de 7790 metros quadrados, tem em consideração aspectos de conforto, acessibilidade, flexibilidade e rapidez nos serviços prestados aos passageiros, adequando-se ao aumento do tráfego de cruzeiros que começam e terminam no porto de Lisboa.

O futuro terminal foi projectado tendo em conta a relação com o edificado da zona, nomeadmente os edifícios da Alfândega, Museu Militar e Estação de Santa Apolónia, não esquecendo a proximidade do centro histórico da cidade e a ligação aos espaços públicos ribeirinhos requalificados, no âmbito de várias intervenções - Campo das Cebolas/Doca da Marinha, Terreiro do Paço, Ribeira das Naus e Cais do Sodré - e a criação de uma praça, no seguimento do edifício da Alfândega de Lisboa, que enquadre a entrada e a saída do novo terminal.

O projecto compreende um parque de estacionamento subterrâneo e assegurará a ligação aos transportes públicos, como o metropolitano e o comboio, e a facilidade de interface com outros transportes, designadamente táxis, shuttles e autocarros. A zona de estacionamento do terminal prevê a capacidade para 500 lugares para veículos ligeiros, 80 para autocarros e uma praça de táxi para 50 viaturas.

Em relação à obra marítima, a primeira fase de intervenção de reabilitação e reforço dos cais entre Santa Apolónia e o Jardim do Tabaco, foi concluída em Fevereiro de 2009 e está em curso a segunda fase da empreitada, com data de conclusão prevista para Fevereiro de 2011. A terceira fase de reabilitação e reforço do molhe montante da Doca da Marinha, ainda em fase de projecto e lançamento de concurso, tem data prevista de conclusão para Dezembro de 2011. A conclusão da quarta fase, o edifício do terminal de cruzeiros e arranjos exteriores, está prevista para 2013.

António Costa, no encerramento da sessão, congratulou-se com esta parceria da CML, com a APL, a Associação de Arquitectos Paisagistas e a Ordem dos Arquitectos, considerando que “este concurso assinala bem uma nova era no relacionamento entre estas entidades” permitindo “escolher os melhores projectos que a arquitectura possa produzir para termos uma cidade mais interessante”. Para o autarca, “é por sermos uma cidade portuária que nos tornámos a cidade que somos e o porto é algo que nos é querido e faz parte da nossa identidade. Nos 19 Km da frente ribeirinha da cidade de Lisboa há espaço para lazer, para mercadorias e para passageiros. Uma das componentes fundamentais da base económica de Lisboa é o Turismo e se queremos continuar a crescer no Turismo temos que ter boas infraestruturas de ligação com o mundo. Para que a cidade se torne mais atractiva, é fundamental criar cada vez melhores condições para a reabilitação da cidade”, acrescentou o presidente da CML, “a localização do terminal de cruzeiros nesta zona da cidade vai ser um factor de revitalização da baixa e toda a encosta de Alfama”.

A terminar, António Costa lembrou que “esta não é uma iniciativa isolada, é uma peça na estratégia de intervenção de um conjunto na frente ribeirinha da cidade de Lisboa. O Plano de Pormenor da Matinha, em fase de conclusão, vai ligar o Parque das Nações até à Rotunda dos Construtores da cidade. Aqui o novo terminal de cruzeiros, a seguir a intervenção que se desenvolve de Santa Apolónia ao Cais do Sodré. Já em curso está o Plano de Pormenor da Boavista, Nascente e Poente, com o prolongamento da Av. 24 de Julho e as intervenções previstas no âmbito do Plano de Pormenor da Alcântara, designadamente com a construção da Praça Amália Rodrigues na zona ribeirinha de Alcântara”.

sábado, julho 19, 2008

BIANCARD CRUZ SUCEDE A JÚDICE NA LIDERANÇA DA FRENTE RIBEIRINHA

Publicado em RTP.pt Lisboa, 18 Jul (Lusa)

O Governo escolheu o arquitecto João Biancard Cruz para suceder ao ex-bastonário da Ordem dos Advogados José Miguel Júdice na liderança do projecto da Frente Tejo em Lisboa, disse hoje à Lusa fonte oficial do executivo.

"Está resolvida a sucessão [de José Miguel Júdice] na frente ribeirinha e garante-se plenamente a continuidade do projecto", referiu fonte do Governo. O arquitecto João Biancard Cruz desempenhou foi até agora o "número dois" da equipa de José Miguel Júdice e desempenhou durante vários anos o lugar de director geral do Ordenamento do Território, incluindo no tempo em que José Sócrates desempenhou as funções de ministro do Ambiente.

João Biancard Cruz foi também um dos principais protagonistas do Programa Polis, que arrancou durante os executivos liderados por António Guterres.
PMF.

segunda-feira, março 24, 2008

PERIGO DE MORTE!

A TVI apresenta hoje segunda-feira, dia 24 de Março, a seguir ao Jornal Nacional um especial da informação da TVI sobre os acidentes que têm ocorrido na zona do Cais da Pedra, atrás da discoteca Lux, numa área da responsabilidade da CP e da Administração do Porto de Lisboa.

Para além dos jovens que sobem aos comboios já aconteceram casos de veículos que cairam ao Tejo. Os denominadores comuns destas situações foram o alcóol e a discoteca Lux à conta dos quais os moradores foram privados do acesso rio que está preso com todo o tipo de barreiras como se fosse uma zona de guerra.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

LISBOA É CAPA DA VIRTUOSO LIFE

Lisboa é capa da edição January/February 2008 da revista americana Virtuoso Life.

No artigo com o título Pink Dreams and Port Wine publicado por Marika McElroy Cain, que divulgamos na integra, Alfama é mencionada 3 vezes, destacando o atelier de Teresa Segurado Pavão que fica na Rua de São João da Praça, bem como o restaurante Bica do Sapato e a discoteca Lux na zona ribeirinha.

Pink Dreams and Port Wine
Portugal serves up an enticing cocktail of sun, city, scenery, and special treatment.

Portugal’s central coast serves up an enticing cocktail
Our first glimpse of Portugal’s coastline slices through the bleariness of the six-hour transatlantic flight. On the horizon verdant cliffs materialize, plunging seaward to where the Atlantic crumbles at their feet. As we descend, golden slivers of beach grow into wide half-moons, and clusters of red tile roofs here and there become denser until Lisbon takes shape, hugging the Tagus River in all its hilly, rose-hued glory. It’s not hard to imagine the twinge of regret the explorers of yore might have felt shoving off from these welcoming shores and forging into the vast expanse of ocean toward lands unknown.
My own mission is somewhat more modest than, say, Vasco da Gama’s. Accompanied by my husband, Ben, I’m searching for a well-rounded, low-key European vacation. We want a weeklong escape that balances local insight and flavor with relaxation, leisurely sightseeing, and top-notch accommodations. Given our destination, we can’t lose.
Among Portugal’s attributes: relatively untrammeled attractions; one the best values anywhere in Europe (an espresso still costs around $1.50); a host of natural beauty, from coastal pine forests and near-tropical inland hills to sandy Atlantic beaches; an increasingly cosmopolitan capital that keeps high-rises at bay and cobblestones polished; mild weather year-round (temperatures range from the mid-50s in winter to the mid-70s in summer); and a surfeit of charm. What’s more, all this can be found within 45 minutes of Lisbon, which means it’s possible to add relaxation to the wish list and forgo the fatigue that comes with trying to see an entire country in a week.

Insider’s Lisbon
At the airport a driver ushers us into a waiting Mercedes and whisks us to our first hotel. The Four Seasons Hotel Ritz Lisbon is a modernist monolith atop one of Lisbon’s seven hills. Its austere facade belies the opulence within: an expansive lobby with tapestries by the artist José de Almada Negreiros and a Volkswagen-size flower arrangement, a spa with an indoor swimming pool overlooking the ground-floor patio and fountain. The glassed-in rooftop fitness center is the prettiest gym I’ve ever seen, with views across the city to Lisbon’s Alfama district and its Moorish castle, an outdoor track, and tranquil Zen cactus gardens. Our room, with its marble-walled bathroom, complimentary bottle of port, and private balcony faces the same spectacle, and despite our best intentions, we collapse and nap for three hours.
In search of dinner that evening, we stroll down the Avenida da Liberdade, over the polished limestone cobbles – calling cards of the country’s once-mighty empire that are found around the world wherever the Portuguese flexed their exploration-age muscle, from Brazil to Macao. As we descend the avenue toward the Tagus River, we pass Longchamp, Burberry, and other purveyors of the finer things, occupying buildings that once served as various airline headquarters.
By all accounts, Lisbon, a port city of 564,000 people perched on the north bank of the Tagus River just eight miles from where it meets the Atlantic, is transforming into a chic capital. There’s the revitalization of waterfront warehouses into lofts and glam restaurants (including John Malkovich’s Bica do Sapato and the famed Lux nightclub). There’s the trend among wealthy lisboetas toward renovating buildings in the city’s older quarters. And there’s the profusion of irresistible shopping – everything from bleeding-edge boutiques in well-heeled Chiado and club-drenched Bairro Alto to the big-name (and big price tag) designer stores we’re currently strolling past on Avenida da Liberdade.
Luckily for visitors, Lisbon’s cosmopolitan airs haven’t come at the expense of its charm. At the bottom of the hill in the Baixa district, we settle in at a sidewalk table at the art deco Café Nicola for gazpacho and cured meats. In Baixa, the old Lisbon thrives. Streets named for the tradesmen who once plied their crafts here (Rua dos Sapateiros for the shoemakers, Rua dos Douradores for the goldsmiths, and so on) are lined with tiny shops, each with a single ware to peddle: One sells just buttons, another only lace, another mixes custom perfumes from hand-labeled bottles. Grandmothers haggle with the aged shopkeepers for their goods, and a visitor gets the impression that within these walls, daily life has changed little since the Salazar regime’s dictatorship ended in 1974.
I find further evidence of the old Lisbon’s presence the next morning. I’m surveying the city from our balcony at the Ritz, looking down past the Marquês de Pombal roundabout to the Tagus and up the hill to the ramparts of the Moorish castle. As I turn to go inside, I hear the unmistakable sound of a rooster crowing.
Isabel Lage, our guide from Valesa Cultural Services, is waiting for us in the hotel lobby. An energetic woman in crisp white linen and giant sunglasses, she greets us with kisses on the cheek and an excited “So! What are we doing today?” She knows, of course, but she’s giving us the option to throw in our own requests. The greater Lisbon area is officially our oyster. Isabel’s lust for life, wide circle of friends, and 30-odd years in the tourism business make buzzing around with her less like traveling with a guide and more like tagging along with a well-connected cousin. Before the day’s end, we’ve privately toured a Lisbon artist’s studio, hopped lines all over town, and rubbed shoulders with one of the country’s preeminent landscape architects.
“Portuguese people love pink,” Isabel tells us, as we glide through the city in a black Mercedes sedan, our driver, Antonio, at the wheel. This is no revelation, except perhaps to the color-blind. Stucco buildings in shades of salmon, dusty rose, flamingo, and cotton candy line the streets like so many blushing sentries. “In the U.S., you say, ‘Have sweet dreams.’ Here we say, ‘Desejo sonhos cor-de-rosa,’” she tells us. “Have pink dreams.”
At the Jerónimos Monastery in western Lisbon, she sweeps us past the queue of visitors with a few words to the ticket taker, and we’re inside the cloisters of this sixteenth-century edifice where long-ago seafarers prayed for safe passage beneath the limestone columns with their signature ropelike decoration. This hallmark of the Manueline style is affiliated with nautical exploration and King Manuel I, who oversaw Portugal’s golden era during the late 1400s and early 1500s, earning the nickname “Manuel the Fortunate.” The embellishments are appropriate to a country whose most prosperous age stemmed from the discoveries of sailors such as Vasco da Gama and Pedro Alvares Cabral. Isabel shushes a gaggle of laughing Germans who have congregated near da Gama’s tomb in the monastery, and then we’re off.
On a whim, Isabel takes us to the atelier of Teresa Segurado Pavão, a by-appointment-only workshop housed in a former bakery on a back street of the Alfama district. Teresa has exhibited her ceramic and textile work in galleries and museums around the country. She greets us at the door of her shop and ushers us into the back, where gorgeous, tidy groupings of ephemera – antique glass bottles, metal coils, brass buttons – line the shelves. Her spare goblets, bowls, and boxes are reminiscent of bone, and the fact that we would never have stumbled across her workshop on our own makes me love them even more.
We stop for coffee and pastéis de nata at Pastéis de Belém, the city’s most famous purveyor of the ubiquitous and delicious custard tartlets. Women in white caps turn out dozens of the creamy pastries, and a cadre of waiters delivers them to patrons, along with bica (espresso) or meia de leite (café au lait), just as they have since 1837. I remark that I haven’t seen a single Starbucks since we arrived. “We don’t want Starbucks,” Isabel says. “Our coffee is too good.” I’m tempted to believe this, because Portuguese coffee’s flavor is the rich, bold stuff of a caffeine addict’s dreams, but it’s also possible that Portugal simply hasn’t registered on the radar of Howard Schultz and his Venti-size endeavors – which is a major part of its allure.

Courtly Escapes
Our next fortuitous encounter takes place outside the city in the mountain town of Sintra, 30 minutes west of Lisbon. This is the former holiday haunt of Manuel I, who summered here to escape Lisbon’s heat and, no doubt, to bask in the town’s riot of green: Ivy, maples, palm trees, and cypresses serve as a backdrop for moss- and bougainvillea-covered walls. There’s not much to do in Sintra beyond eating, walking, and relaxing, and therein lies the beauty of this leafy enclave. The centerpiece of the town, the Palácio Nacional, a yellow and pink confection that served as a royal palace in some form or another from Moorish times until 1910, stands out in Technicolor relief against the vegetation on a precipitous hillside. The palace is open to visitors, but the weather is so pretty that we admire it from the outside, then wander Sintra’s lovely cobbled streets.
Serendipity next takes us up a steep, windy road to the home of one of the country’s most renowned landscape architects (and Isabel’s dear friend), Francisco Caldeira Cabral. Thanks to a chance encounter between Caldeira Cabral and Isabel, we spend a pleasant hour at his house, a magnificent converted stable at his family’s former estate (now a home for senior citizens). His garden is an ode to green, a free-form collection of tropical and subtropical plants that flourish in Sintra’s lush climate, and I’m not surprised to find out that he’s responsible for designing the Zen plantings I admired at the Hotel Ritz’s rooftop fitness center, as well as several other well-known gardens around the country and many more in Macao.
Fifteen minutes west of Sintra, the landscape morphs from a Jungle Book backdrop into arid expanses of pine and eucalyptus. This leads toward the blustery seaside of Guincho (named for seagulls, whose call, in Portuguese, sounds like guinch, guinch), which is home to the westernmost point in continental Europe. George Lazenby as James Bond plucked the woman who became his ill-fated bride from the shore at Guincho in the 1969 movie On Her Majesty’s Secret Service. There’s no sign of Bondian activities here now, just acres of fine sand, the sea, and families enjoying the sun.
We lunch at Porto Santa Maria, a traditional restaurant on a stretch of beach beloved by windsurfers for its flat water and brisk breezes. Bow-tied waiters fill our table with petiscos, a tapaslike array of meats, cheeses, cod fritters, and olives, which, per Portuguese custom, diners pay for only if they eat. Coastal Portuguese fare is simple: Most restaurants offer an impressive array of cod dishes, as well as a few additional fish dishes. Spices, in our experience, don’t get much more exotic than salt, which is surprising for a country whose empire once extended to India, Africa, and Asia.
The key to eating well in Portugal is eating fresh, and Porto Santa Maria offers no shortage of prime seafood, not to mention a port cellar with special blue lights installed to best preserve the national elixir. We gorge ourselves, snacking on the petiscos, then moving on to delicate steamed clams with butter, garlic, and parsley. The pièce de résistance arrives on a pewter platter the size of an atlas: a whole sea bass, which our waiter, expertly wielding an oversize fork and spoon, liberates from its baked-on rock salt crust, as well as its bones and skin. He serves us giant portions, along with the standard Portuguese sides of broccoli and potatoes. We drizzle on olive oil with parsley and eat until we can’t anymore.
Heading back along the coast toward Lisbon, the side-by-side resort towns of Cascais and Estoril beckon. Once a humble fishing village, Cascais and its harbor became the playground of royalty in 1870 after King Luís I and his wife Maria Pia spent the month of September frolicking on its sheltered shores. The influx of wealthy summer visitors has hardly ebbed since then: Those who could afford it bunkered down here during World War II – the list of exiled or deposed royalty who took up residence runs the gamut from the Duke of Windsor to King Umberto I of Italy. The Espirito Santo banking family’s palatial pink mansion is here, next door to Umberto’s former home. Fishing boats still bob in the harbor, and Gelados Santini, the ice cream shop where King Juan Carlos of Spain has indulged in summertime treats with his family, still scoops gelato for the warm-weather crowd.

Untamed Arrabida
There’s a less developed side to the Lisbon area, too, we discover one day during a trip along the scenic route. We wend south through the village of Azeitão along roads lined with olive groves. An old man pedals an equally ancient bicycle past a burial quoit, the remnant of some Iberian Flintstones civilization.
As the car begins to climb uphill, houses and towns disappear, and the landscape gives over to swaths of squat oak, laurel, juniper, pine, and wild olive punctuated by limestone outcroppings: an old-growth Mediterranean forest. This is the 26,000-acre Arrábida Natural Park, a preserve officially designated by the Portuguese government in 1976, but first claimed by the Duke of Aveiro, D. João de Lencastre, in the sixteenth century. The duke, a sort of proto-environmentalist, forbid building on the mountainous land, with the exception of a Franciscan convent. Later, in the nineteenth century, the Duke of Palmela bought the land and also refrained from building on it.
I silently salute their stubbornness as the car rounds a bend 1,600 feet above sea level, revealing deep green hills that descend to the crystalline Atlantic shores. A cluster of whitewashed buildings that make up the convent lies below us; above, a procession of domed chapels marches up the mountain, one for each station of the cross. There were no “pink dreams” here in the convent’s heyday, only pious living. Other than the convent, it’s just steep forested terrain and the occasional flash of a cyclist whizzing down (or struggling up) the precipitous road.
The beaches of Arrábida far below are speckled with late-summer baskers. In contrast to the tony boardwalks of Cascais and Estoril to the north, these are untamedstretches of sand. Here, in protected coves, the water is clear, and the forest bumps up against the beach: Portinho da Arrábida with its calm bay and Figueirinha with its gold sand are two favorites among beachgoers. Guidebooks barely mention this majestic region (score another one for Isabel and her insights). Accommodations here, in the town of Sesimbra and the port city of Setúbal, are scarce, and those who want to dip their toes in the Arrábida surf should consider a day trip from Lisbon rather than an overnight stay in the area.

Fairy-Tale Ending
For our final night in Lisbon, we’re looking for a different perspective on the city, so we check in to the Lapa Palace. Green parakeets swoop through the hotel’s tropical gardens, over the pool and the three-story fountain that cascades down the outside of the palace. (The gardens were designed by none other than Francisco Caldeira Cabral.) Set amid embassies and dignitaries’ homes in the quiet Lapa district, the hotel – refined, intimate, and gracious – embodies old Lisbon.
Our room, on the other hand, embodies my idea of a place I’d like to stay indefinitely. Yes, it is located in the Palace wing of the hotel, part of the original 1883 home of the Count of Valenças, with a spectacular view of the city, river, and the Golden Gate-esque 25th of April Bridge. It is stocked with pastéis de nata, chocolate truffles, fresh fruit, and a decanter of complimentary port; the bathroom has an ornate blue-and-white azulejo tile mural of lords and ladies; and the pillow menu lists seven options. But it’s the tower that makes me want to cancel our return flight and hole up playing prince and princess. Our tower, actually. The private outdoor lookout hewn from limestone is as perfectly positioned for ogling Lisbon today as it was when the count and his family resided here.
It’s a fitting place to wind up a trip that has revealed to us the benefits of putting ourselves in the hands of locals, and we turn the rest of our stay over to Lapa Palace indulgences. We lounge by the pool writing postcards, then order room service for lunch. We manage to leave for a few hours in the afternoon for one last espresso at Café a Brasileira in Chiado and to stock up on souvenirs at two other Chiado institutions: fine linens at Paris em Lisboa and glass goblets at Vista Alegre. But the tower lures us back, and we spend a mellow evening dining in the hotel bar amid a gaggle of cruisers preparing for their sailing the following morning.
I wake up early on our last day and go out to the tower. The city is hushed and misty. A pallid sun reaches through the fog, and Lisbon glows – what else? – dreamy pink.

INSIDER’S TIPS
PORTUGAL POINTERS
Veteran guide Isabel Lage dishes on the best of the Lisbon area.
Why visit Portugal? It’s still the unknown pearl of Europe, a combination of tradition and modernity with friendly, easygoing people who are quite fluent in English.
When in Lisbon, don’t miss: The Belém area (home to the Jerónimos Monastery), the Gulbenkian Museum (classical and European art), and the Azulejo Museum (showcasing Portugal’s famed painted tiles).


Top Lisbon restaurants:
Gambrinus (Rua das Portas de Santo Antão 23, tel. 351-21/3421466) for classic seafood and the best crêpes suzette in the world,
A Travessa (12 Travessa do Convento das Bernardas, tel. 351-21/390-2034) for excellent Portuguese cuisine in a former convent,
Alcântara Café (Rua Maria Luisa Holstein 15, Tel. 351-21/363-7176) for trendy cuisine in a revamped warehouse.

Souvenirs:
Linens from Madeira House (Rua Augusta 131-133, Lisbon; Tel.351-21/342-6813 ) and Bazar Central (Praça da República 37, Sintra; Tel.351-21/924-8245), jewelry from Sarmento (Rua Aurea 251, Lisbon; Tel.351-21/342-6774), and ceramics and textile art from Teresa Pavão (by appointment only, Rua S. João da Praça 120, Lisbon; Tel.351-91/963-7895).
Local dishes to try: Shellfish rice; bacalhau (cod) à brás (with onions, potatoes, and eggs), lagareiro-style (served with olive oil and garlic over smashed red potatoes with grilled onions and peppers), or one of the other thousands of preparations; and desserts such as pastel de nata in Lisbon and travesseiro in Sintra.
Valesa Cultural Services guide Isabel Lage has worked in the travel industry in Lisbon for 38 years.
Getting There » US Airways flies nonstop from Philadelphia to Lisbon from May through October.

DOING IT » Valesa Cultural Services gives travelers ten leisurely days in and around Lisbon, beginning with a three-night stay at the Four Seasons Hotel Ritz. A daylong privately guided orientation includes lunch at the traditional Estufa Real restaurant and a port and cheese tasting. Two days in Sintra follow, with time for wandering, a short guided tour, and lunch at Porto Santa Maria in seaside Guincho. Up next: time in the neighboring resort towns of Cascais and Estoril, then back to Lisbon for two nights at the Lapa Palace hotel and an excursion to the coastal Arrábida Natural Park. Departures: Any day through 2008; from approximate $5,995 per person, including accommodations, driver, and guide. » Fans of foot travel can take a six-day walk through Lisbon and surrounds with Tours For You. The Lisbon-based operator kicks off the trip with a stroll through Lisbon’s Bairro Alto, Chiado, Baixa, and Alfama neighborhoods. Hikes through the hills of Sintra and along the adjoining coast are up next, as well as a detour to Arrábida and a night in the medieval inland town of Evora with a stay at Convento do Espinheiro, Heritage Hotel & Spa. Departures: Any day through 2008; from approximate $5,480, including accommodations, driver, and guide.

STAY » Set in a quiet residential district, the 109-room, Orient-Express-owned Lapa Palace has tropical gardens, stunning views of the Tagus River and city, and a graciousness that comes from its past as the home of the Count of Valenças. Doubles from approximate $534, including breakfast, parking, and complimentary port. » Walking distance from the neighborhoods of Baixa and Chiado, the Four Seasons Hotel Ritz Lisbon is a spacious retreat. The 282 rooms (272 with private terraces or balconies) complement the clean lines and unmatched views of the top-floor fitness center and bottom-floor spa. Doubles from approximate $585, including breakfast and one $100 spa credit.

domingo, janeiro 20, 2008

FRENTE RIBEIRINHA, A ÁREA DELICADA DE LISBOA

Publicado no site oasrs.org por António Henriques

A regeneração da área das docas e a Expo’98 não eliminaram a barreira entre porto e cidade de Lisboa, diz o arquitecto Pedro Ressano Garcia. As transformações na frente ribeirinha permitem a ligação ao rio ou servem para tornar urbanos os terrenos portuários?

Pedro Ressano Garcia, autor de uma tese sobre a reconversão das frentes ribeirinhas nas cidades (de 2005, à espera de ser defendida na Universidade de Lisboa), afirma que a «barreira existente entre o porto e a cidade ainda é o grande problema do núcleo central de Lisboa».

Não é por acaso que o programa prévio da Trienal Internacional de Arquitectura de Lisboa se iniciou, entre 20 e 22 de Outubro de 2006, com um seminário sobre o estuário do Tejo e as frentes de água e uma visita para centenas de alunos universitários, conduzida pela Administração do Porto de Lisboa, a locais nas duas margens do Tejo que vão ser objecto de propostas de «requalificação» dos estudantes.

Área portuária no coração da cidade
É porque a frente ribeirinha, para qualquer habitante, é a «zona mais delicada de Lisboa», como sustenta Pedro Ressano Garcia – basta lembrar a controvérsia do Plano de Ordenamento da Zona do Porto de Lisboa (POZOR), de 1993/94, e o chumbo que mereceu há alguns anos – e porque muito se joga nestes terrenos virados ao rio.

A área portuária que está no coração da cidade «constitui hoje um espaço central em que programas e ideias podem vir a tornar-se em ícones contemporâneos», sustenta o arquitecto.

«Só uma vez na vida se tem a possibilidade de repor a condição antiga da cidade, suprimir as suas necessidades e instalações, trazer novo valor ao espaço público e arranjar soluções constantemente adiadas».

Mas a reconversão da frente ribeirinha é uma oportunidade para restabelecer a ligação ao rio ou para o desenvolvimento da cidade nos antigos terrenos portuários? «É uma diferença que parece pequena mas que é essencial».

Privatizar o espaço público
Segundo Pedro Ressano Garcia, «a venda de antigas áreas portuárias ao sector privado tende a privatizar os espaços públicos nas imediações dos novos empreendimentos» Mais: «Tende a adoptar soluções que redundam em condomínios privados».

Antigas zonas portuárias de cidades como Bilbau, Barcelona, Rio de Janeiro, São Francisco e Lisboa são «discutidas ao metro quadrado pelos promotores» e têm como consequência «protestos do público porque percebem que os [empreendimentos] não irão melhorar a qualidade de vida».

Ao contrário do que se poderia esperar, Pedro Ressano Garcia diz que o projecto urbano para os terrenos da Expo’98 e uma maior fruição do rio por parte dos lisboetas, incontestável com os novos usos dados aos armazéns e zonas portuárias desafectados, não contribuíram para acabar com a grande barreira que separa a cidade do rio. «Em Santos e Alcântara discute-se a alteração da linha dos comboios e das vias de circulação de trânsito intenso».

Jardins e equipamentos culturais ligados
Em vez disso, o arquitecto propõe que se reate a relação interrompida com o rio de outra forma: através da alteração da morfologia do terreno, «misturando arquitectura e planeamento do espaço público».

Pedro Ressano Garcia propõe a extensão dos jardins 9 de Abril (até à doca de Alcântara) e de Santos até ao rio para criar um espaço de uso público que crie outros fluxos para lá da intensa circulação automóvel.

O prolongamento do jardim de Santos seria ocupado por edificações localizadas ao longo de pequenos quarteirões e ruas estreitas e de sete vias principais perpendiculares ao rio; percursos para peões ligariam a cidade ao Tejo, «através de rampas entre vários níveis», numa recriação da geometria de Lisboa de antes do terramoto.

Na verdade, numa recriação, também, da fábrica medieval que ali desapareceu em 1755. Diferenças de cota no piso térreo das edificações iriam conferir «uma percepção diferente do terrapleno [de Santos]», retirando-lhe o carácter de superfície plana da ocupação portuária.

Por outro lado, Pedro Ressano Garcia imaginou um terraço, na Rocha Conde de Óbidos, que faz a ligação da parte alta até ao rio, através de dois níveis diferentes, das instituições e equipamentos da zona (sede da Cruz Vermelha, Museu de Arte Antiga (MNAA), o referido jardim 9 de Abril, o porto de Lisboa, a Gare Marítima Rocha Conde de Óbidos e o Museu do Oriente).

Sob esse terraço encontrar-se-ia um edifício, interiormente ocupado por áreas de exposição, comércio e serviços, que permite a ampliação dos museus existentes e de outros equipamentos que possam instalar-se; o estacionamento previsto tem acesso quer pela zona do rio quer pelo interior da cidade. «Autocarros de turismo podem parar sob o edifício, ao nível do porto». Toda esta área poderia vir a ser definida «como centro artístico e cultural. Desenhámos uma nova porta para a cidade e para equipamentos como o MNAA, que cria uma nova centralidade em Lisboa».

Renovação urbana com frente popular alargada
Uma das inevitabilidades da requalificação urbana das frentes portuárias é a sua complexidade. Na tese de doutoramento, com prova final para breve, Pedro Ressano Garcia evoca o caso de Minneapolis, em que «o presidente do município fundou uma organização sem fins lucrativos para liderar o processo da renovação urbana».

Denominada Saint Paul Riverfront, «tem uma administração formada por um grande número de membros oriundos de todos os sectores da sociedade, incluindo entidades oficiais da cidade, do distrito e do estado, associações comunitárias e de moradores, fundações, empresas comerciais e industriais, a Administraçao do Porto de Saint Paul e a Câmara de Comércio da Área de Saint Paul».

Não deixa de ser paradigmática a menção que Pedro Ressano Garcia faz do modo como o presidente da câmara encarou os convites feitos a um número alargado de pessoas e entidades: «Esforçou-se por criar um forte relacionamento organizacional entre os grupos com diferentes interesses, porque acreditava que as relações são melhores que as regulamentações».

sexta-feira, janeiro 18, 2008

APROVADA TRANSFERÊNCIA DE TERRENOS DAS ADMINISTRAÇÕES PORTUÁRIAS

Publicado pela TSF, 17-01-2008

O Governo aprovou, esta quinta-feira, um decreto que permite a transferência a custo zero para as câmaras municipais dos terrenos desafectados às administrações portuárias. Com esta medida, fica satisfeita uma reivindicação antiga das autarquias, nomeadamente a de Lisboa.

Na apresentação do diploma, no final do Conselho de Ministros, Mário Lino sublinhou que o decreto tem «mecanismos» que «não darão qualquer abertura» para actividades de especulação imobiliária, após a concretização da transferência da jurisdição dos terrenos das administrações portuárias para as autarquias.

Em conferência de imprensa, o governante começou por afirmar que as administrações portuárias tem actualmente jurisdição de terrenos que estão sem utilização para a actividade portuária e que também não deverão servir para essa actividade nos próximo anos.

Nesse sentido, Mário Lino disse que o Governo «entende que essas áreas sem utilização para a actividade portuária devem passar para a jurisdição das respectivas câmaras municipais».

«Este é o caso de áreas da frente ribeirinha do Tejo, que estão sob jurisdição da Administração do Porto de Lisboa, mas que não têm qualquer interesse para a actividade portuária», apontou como exemplo.

Nestes casos, com a aprovação do decreto, a partir de um despacho do ministro das Obras Públicas, esses terrenos sem actividade portuária serão transferidos para as câmaras municipais.

«No caso concreto da Câmara Municipal de Lisboa, o Governo já está a trabalhar no assunto há algum tempo no sentido de proceder à identificação dos terrenos que estão sem actividade portuária. Esse trabalho será agora concluído de acordo com este decreto», salientou.

No entanto, o ministro das Obras Públicas fez questão de sublinhar que «a transferência de um bem do domínio público do Estado das autoridades portuárias para as câmaras municipais não facilitará nem dará abertura a que haja qualquer especulação imobiliária».

Ainda de acordo com Mário Lino, a transferência dos terrenos desactivados das administrações portuárias para as câmaras municipais «não terão encargos financeiros» para as autarquias, porque «esses terrenos mantêm-se no domínio público».

«Salvo nas áreas desses terrenos em que existam bens activos que tenham sido construídos e que constem do inventário da administração portuária. Nesses casos, a entidade que larga esses bens activos tem que ser ressarcida», advertiu o membro do Governo.

terça-feira, julho 31, 2007

CDU CONTRA ZONA COMERCIAL NO NOVO TERMINAL DE CRUZEIROS FRENTE A ALFAMA

Ruben de Carvalho afirma que o projecto do Porto de Lisboa para construir uma zona comercial associada ao terminal para cruzeiros no Tejo frente a Alfama, vai ser «uma muralha» que destruirá a vista do rio

 

Publicado pela Lusa/ Sol em 03.07.2007

«A Câmara não pode alhear-se de nenhum projecto que diga respeito à cidade. A Câmara tem que levantar o problema junto da administração central», defendeu o candidato comunista às eleições de 15 de Julho, alertando que o projecto do Porto de Lisboa prevê «construção em altura de dois ou três pisos».

«Fazer um terminal para cruzeiros, até aí tudo bem. Mas preparam-se para fazer ali um centro comercial, ao longo de um quilómetro do cais e com dois ou três pisos de altura, ou seja, uma muralha que destruirá toda a visão de Alfama para o rio», criticou o cabeça-de-lista da CDU.

Ruben de Carvalho falava no Largo do Chafariz de Dentro, em Alfama, no final de uma 'arruada' por várias freguesias dos bairros históricos, que começou no Castelo de S. Jorge.

Sobre o projecto do Porto de Lisboa, o candidato da CDU considerou ainda que «até do ponto de vista económico» a ideia de um centro comercial no cais será prejudicial à cidade, prevendo que os turistas prefiram ali fazer as suas compras, e não saiam para a baixa da cidade.

A reabilitação urbana foi o outro tema levantado por Ruben de Carvalho na 'arruada'.

O candidato criticou a maioria PSD nos últimos seis anos na câmara por ter «transformado a recuperação de predios antigos» em «negócios e especulação».

Na 'arruada' por várias das freguesias de maioria CDU, animada pelo grupo de gaitas de foles 'O ronco do diabo', Ruben de Carvalho foi acompanhado pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e por vários membros da comissão política do PCP, como Fransciso Lopes, Jorge Cordeiro e Armindo Miranda.

O líder do PCP aproveitou para reiterar que as eleições intercalares em Lisboa têm também «uma componente nacional», apelando a «todos quantos se sentem atingidos pelas políticas injustas do Governo» para «votar na CDU» como forma de protesto.

Ja no início da arruada, Jerónimo de Sousa tinha declarado aos jornalistas que as eleições de 15 de Julho são «o momento de aliar o voto ao protesto, ao descontentamento».

Questionado pelos jornalistas, o líder do PCP afirmou que a responsabilidade por qualquer resultado da CDU, bom ou mau, será assumida pelo «colectivo».

«Aconteça o que acontecer, e deixemos o povo decidir, será sempre um resultado da CDU», afirmou, recusando que nas eleições esteja em causa a sua liderança no PCP.

 

 

sábado, junho 02, 2007

PS QUER TERMINAL DE CRUZEIROS EM ALFAMA

Manuel Salgado diz que obra «vai favorecer o turismo» na capital

Publicado em portugaldiario.iol.pt em 30.05.2007

O número dois da candidatura de António Costa à Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, defendeu esta quarta-feira a instalação do novo terminal de cruzeiros em Santa Apolónia, considerando-a uma localização «estratégica» para favorecer o turismo na capital, refere a Lusa.

«A localização está a ser estudada há vários anos e é uma localização estratégica porque é aquela que permite o acesso a pé ao centro da cidade», afirmou Manuel Salgado. O arquitecto falava aos jornalistas ao lado do cabeça-de-lista do PS às intercalares de 15 de Julho, António Costa, depois de uma reunião com associações do sector do turismo. O candidato socialista recebeu hoje representantes da Confederação do Turismo Português, Associação de Industriais da Hotelaria de Portugal, Associação de Restauração e Similares de Portugal, Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Associação Portuguesa de Casinos.

A instalação do novo terminal de cruzeiros do Porto de Lisboa em Santa Apolónia foi um dos assuntos abordados no encontro, nomeadamente a necessidade de se construir um parque de estacionamento com capacidade para entre 100 a 150 autocarros. O terminal de cruzeiros foi um dos projectos mencionados no plano de revitalização da Baixa-Chiado, elaborado por um comissariado presidido pela ex-vereadora do CDS-PP na Câmara de Lisboa, Maria José Nogueira Pinto, e que integrou Manuel Salgado.

terça-feira, maio 22, 2007

A ELITE DE LISBOA

Pelo Prof. Dr. Paulo Varela Gomes (pgomes@darq.uc.pt), no Público 10-05-2007
O maior problema de Lisboa são os fazedores de opinião de Lisboa, precisamente esses que dizem que os maiores problemas de Lisboa são... etc e tal. Na verdade, achar que o problema de Lisboa tem que ver com maiorias camarárias ou finanças é indicativo de uma extraordinária miopia política e cultural que mostra muito precisamente o seguinte: Lisboa é um assunto demasiado sério para ser deixado aos lisboetas. Não me refiro à maioria dos lisboetas, aos lisboetas das 9-às-5, mas sim à elite lisboeta, aos fazedores de opinião lisboetas, aos seus colunistas, jornalistas, cineastas, escritores, poetas, músicos, actores - todos aqueles e aquelas que mostram Lisboa a si mesmos e aos outros, são ouvidos sobre Lisboa, fazem a "imagem" de Lisboa. São estes e estas que têm a responsabilidade de ter deixado chegar Lisboa ao estado a que chegou ao longo de sucessivas gestões camarárias de gente sem visão e sem rasgo, incluindo Jorge Sampaio, João Soares, Santana e Carmona. A elite (e os jovens, os jovens...) de Lisboa têm essa responsabilidade porque, iludidos pelo aumento da oferta cultural e de entretenimento que a cidade sem dúvida vem experimentando nas últimas décadas, não viram - literalmente não viram e não vêem - a degradação do espaço público, a fealdade crescente, a decadência brutal da qualidade de vida de Lisboa, uma das cidades menos user friendly da Europa, certamente a mais descuidada, suja, anárquica e rasca das suas capitais. A elite de Lisboa, aos gritinhos de contentamento com o "cosmopolitismo" da sua cidade, nem ao menos tem o discernimento de detectar o paternalismo condescendente com que os estrangeiros olham para o terceiro-mundismo dos graffiti, do lixo, dos carros estacionados por toda a parte, dos edifícios em cacos, do horror dos subúrbios, da vergonha das entradas na cidade, da porcaria dos transportes públicos, do inferno do trânsito. Esta elite, toda satisfeita, deixou a política de Lisboa aos políticos de Lisboa. E estes são tal e qual aquilo que Pacheco Pereira escreveu no PÚBLICO de 5 de Maio último, num dos mais certeiros e dramáticos textos alguma vez produzidos sobre a política portuguesa (Pacheco Pereira esqueceu-se do PCP, cujo aparelho lisboeta é do mesmo género que os do PSD e do PS; esqueceu-se até do facto de que a posição camarária dos comunistas em Lisboa constitui um dos factores históricos mais importantes da acomodação do PCP ao regime; pelas sinecuras da Câmara Municipal de Lisboa, o PCP passou a estar disposto a vender a alma. E vendeu-a várias vezes). O abandono da política de Lisboa pela sua elite é espelhado exemplarmente naquilo que sucedeu ao Bloco de Esquerda, um partido que deveria ser eco dessa elite mas que está entregue de pés de mãos atados a um candidato-vereador com mentalidade de polícia."

segunda-feira, abril 30, 2007

LISBOA E TEJO E TUDO

Opinião de Miguel Sousa Tavares. Publicado no Expresso 30.04.2007

Pois então, lá vamos outra vez. A distinta Administração do Porto de Lisboa (APL) está lançada em mais uma tentativa de nos roubar parte do Tejo. Agora é o projecto do novo terminal de passageiros de paquetes em Santa Apolónia. Um muro de construções de oito metros de altura por seiscentos de comprido (!), que inclui centros comerciais e hotel. Também na zona do Cais do Sodré está a nascer, a uma velocidade incrível, uma construção maciça, em cima do rio, e que vai quase até ao Terreiro do Paço, eliminando uma zona de jardim, de passeio e de vista. Suponho que seja também obra do porto de Lisboa, uma vez que nenhuma placa no local indica do que se trata e eu já sei que, à beira-rio, do Parque das Nações a Algés, mandam esses senhores e ninguém tem mão neles.

Este porto de Lisboa é verdadeiramente um «case study» de pirataria impune. Têm ao seu dispor a melhor de todas as zonas da cidade de Lisboa: 13 quilómetros de frente de rio — um luxo em qualquer cidade do mundo. São terrenos do domínio público marítimo, isto é, terrenos públicos, cuja atribuição à APL tem como único fim e fundamento a sua alocação à actividade portuária. Mas como, devido ao triunfo do transporte por terra e por via aérea, grande parte desses terrenos se tornaram desnecessários para o porto de Lisboa, a APL, em lugar de os entregar à Câmara e à cidade, visto que deles já não precisa, insiste em entregá-los antes à especulação imobiliária, transformando-se a própria APL em promotor imobiliário. Sem ter de se sujeitar ao PDM da cidade, sem nada dizer à Câmara e sem se preocupar minimamente em saber se por acaso os lisboetas se importam de ver o rio entaipado. Já escrevi sobre isto inúmeras vezes e de cada vez parece que é necessário repetir a evidência: estas cíclicas tentativas da Administração do Porto de Lisboa de se comportar como dona do Tejo, sem dar satisfações a ninguém, são ilegais, escandalosamente abusivas e, de tão insistentes, já se começam a tornar suspeitas. Será que não há ninguém que consiga explicar aos senhores da APL que a sua única função é gerir o porto de Lisboa o melhor que souberem e puderem e nada mais?

Claro que tudo isto se desmanchava em dois tempos com um presidente da Câmara à altura das responsabilidades. Mas quem viu Carmona Rodrigues, na inauguração do Túnel do Marquês, a fugir literalmente dos jornalistas, para não ter de responder a perguntas comprometedoras, percebeu definitivamente, se dúvidas ainda alimentasse, que Lisboa está sem presidente da Câmara. Carmona Rodrigues, não tenho uma dúvida, é um homem sério e bem intencionado: ele quer o melhor para Lisboa, só não sabe é o quê. Não tem dinheiro, não tem projectos, não tem ideias, não tem peso político próprio e nada mais deseja já do que escapar às perguntas, às questões, aos problemas.

Não é o único culpado. Os primeiros culpados são aqueles lisboetas que confundem política com telenovelas e que resolveram, displicentemente, trocar o melhor presidente da Câmara que Lisboa teve nos últimos trinta anos — João Soares — por um vendedor de banha da cobra que, na primeira oportunidade, se pirou para melhor poiso e, assim que foi despedido por gritante incompetência, voltou à Câmara, para giboiar durante uns meses — como se aquilo fosse uma sinecura pessoal e não um lugar de trabalho. Santana Lopes deixou-nos a Câmara arruinada, os amigos por todo o lado, um casino para o sr. Stanley Ho, um imbróglio policial e urbanístico no Parque Mayer, uns negócios de favor com o Benfica e o Sporting e um túnel no Marquês que, ao fim de quatro anos de atraso, estreou-se incompleto, não se sabendo se é seguro e quanto terá custado ao certo. E foi tudo. Bem feito para os que votaram nele. O pior são os outros, que não têm nada a ver com isso.

O segundo culpado é Carmona Rodrigues. Primeiro, viveu dois anos a fazer de número 2 de alguém que só existe como número único e a caucionar-lhe todos os disparates; depois, herdou-lhe subitamente a Câmara, com a promessa de que jamais voltaria, mas assim que ele voltou encaixou um “chega para lá!” humilhante sem um protesto; enfim, quando pôde concorrer como número 1 e sem a sombra abafante de Santana Lopes, Carmona não soube escolher a sua gente, não foi capaz de ter um plano de acção nem meia dúzia de projectos mobilizadores e nunca se mostrou à altura de uma vitória caída do céu e só tornada possível pela vaidade suicida do ‘embaixador’ Manuel Maria Carrilho.

O terceiro culpado é o Partido Socialista, incapaz de perceber que a batalha pela Câmara de Lisboa e por uma gestão exemplar para a cidade podia ser uma luta política de referência e que se limitou antes a imaginar que só interessava ganhar a eleição — e que isso se conseguia com a beleza da Bárbara Guimarães e a esperteza saloia da inacreditável equipa autárquica que por lá tem, supostamente na oposição. Foi, sim, uma derrota política exemplar — das mais merecidas e pedagógicas de que me lembro.

E passo por cima do desempenho do PCP e do PP na Câmara de Lisboa, apenas dizendo que nunca descortinei motivo para tão generosos elogios da nossa imprensa: nunca dei por que eles fizessem qualquer diferença. Em minha opinião, a CML e a cidade de Lisboa só têm um único rosto de alguém que ali está ao serviço dos munícipes, e é altura de lhe prestar homenagem: é, obviamente, José Sá Fernandes, do Bloco de Esquerda. Por favor, não me venham com aquele discurso «blasée» dos ‘pregadores’ do Bloco de ‘Esquerda’ e “já não há pachorra para os ouvir”: a política mede-se pelos resultados concretos para pessoas concretas, e nada melhor do que a política das cidades para medir esses resultados. A única pessoa na Câmara de Lisboa que eu tenho visto conhecer os assuntos, bater-se pelo bem comum, não ter medo de enfrentar os interesses instalados e os influentes que mandam na cidade e não cobiçar cargos e mordomias nas empresas municipais ou outros ‘tachos’ sempre ao dispor é José Sá Fernandes. A mim tanto me faz que seja do Bloco de Esquerda, do PP ou do Partido da Estratosfera. E não é por acaso que, mais uma vez, ele é o único a denunciar os novos planos de saque e rapina do porto de Lisboa. Que pena que não seja ele o presidente da Câmara neste momento e que a maior preocupação do actual presidente e da actual vereação seja a de saber quantos e quais vão ser constituídos arguidos naquele inenarrável desastre inventado para o Parque Mayer!

sábado, maio 27, 2006

TURISMO EM ALFAMA

Portugal foi o 16º país mais visitado por turistas em 2004, segundo um estudo referido pelo Economist Intelligence Unit, que avançou, também, que o país detém, neste momento, 1,5 % da quota de mercado mundial ao nível do turismo. As receitas oriundas do turismo internacional atingiram os 7,01 mil milhões de euros no ano passado, sendo as previsões para 2005 de um aumento deste valor.

Lisboa recebe cerca de ¼ dos visitantes estrangeiros, sendo que o tempo de permanência média em Lisboa é de 3 dias;

- Segundo o Observatório de Turismo de Lisboa a maioria dos visitantes percorre a zona histórica de Lisboa.

- Alfama é das zonas mais visitadas a par de toda a zona pombalina de Lisboa e de Belém;

- Os turistas estrangeiros deslocam-se geralmente a pé, em pequenos grupos, e recorrem maioritariamente aos transportes públicos ou autocarros de grande turismo das agências de viagem.

























Problemas:

- Apesar do elevado número de turistas em Alfama alguns comerciantes queixam-se que os turistas apenas utilizam as suas casas de banho (JN, 26-08-2000);

- Segundo o Observatório de Turismo de Lisboa existem várias e sérias causas de insatisfação dos visitantes de Lisboa, nomeadamente as que mais afectam Alfama: segurança, transportes públicos, limpeza, ruído, sinalização, trânsito.




Soluções:


Pôr a qualificação do turismo no centro das preocupações de Alfama para potenciar o desenvolvimento e a qualidade de vida, envolvendo os moradores, os comerciantes e as Juntas de Freguesia, nomeadamente a través da distribuição activa do Guia de Alfama aos visitantes;

Implementar postos de apoio ao turismo em Alfama, nomeadamente no Largo chafariz de Dentro, com informação em várias línguas;

Aumentar o fluxo de turistas junto ao rio, alargando o percurso das visitas e o seu tempo de permanência em Alfama:

Divulgação dos diversos itinerários turísticos, nomeadamente:
Cruzeiros no Tejo (Transtejo), com partidas diárias da Estação Fluvial do Terreiro do Paço;
Circuito Olisipo em autocarro panorâmico da Carris, à descoberta da zona oriental da Cidade: Alfama, Museu Militar, Museu do Azulejo, entre outros destinos;
Circuitos pedonais, nomeadamente da Cerca Moura e da Muralha Fernandina;

Promoção da marca Alfama®, nomeadamente através de concursos de ideias, apoiados por empresas, junto de escolas de Marketing e Publicidade;

Promover e apoiar a criação do Guia de Alfama, em parceria com entidades especialistas na área, cedendo a exploração da publicidade como contrapartida do serviço;

Promover a restauração com qualidade: Incluir no Guia de Alfama a área de restauração, incluindo gratuitamente todos os estabelecimentos que utilizam a recolha selectiva de resíduos;

Promover o parqueamento grátis para os veículos de grande turismo, junto ao rio, através de protocolos com as entidades gestoras dos Parques de estacionamento e da APL;

Criar um site destinado aos visitantes com toda a informação sobre Alfama, em várias línguas, por exemplo: numa busca rápida através do maior motor de busca da Internet, o Google surgem cerca de 108.000 resultados para “Alfama”; desses apenas cerca de 23.900 são páginas em idioma Português, o que prova o largo interesse em todo o mundo;

Reconverter o Terminal de Passageiros de Santa Apolónia que é o mais recente local de acostagem de navios de passageiros. Situado no coração de Lisboa, junto à sua principal estação de comboios. O terminal é uma valiosa oferta para o mercado de cruzeiros. No entanto, privou o acesso ao rio dos moradores, com redes e arame farpado e impede a circulação dos turistas pela margem ribeirinha, até ao Jardim do Tabaco.