sexta-feira, fevereiro 29, 2008

MUSEU DO FADO ENCERRA PORTAS PARA OBRAS DE REQUALIFICAÇÃO

Publicado por Diário Digital/ Lusa, 29-02-2008

O Museu do Fado em Lisboa encerra ao público a partir da próxima segunda-feira para obras de remodelação, devendo abrir novamente portas em Junho, disse à Lusa fonte da instituição.

O projecto de requalificação do Museu, situado em Alfama, é apoiado em 54% pelo Programa Operacional da Cultura (POC), tendo as obras começado já em Outubro passado.
«A partir de segunda-feira far-se-á a intervenção de renovação e ampliação da exposição permanente, que obriga a encerrar portas», indicou Sara Pereira, gestora do Museu.
«O projecto de recuperação e valorização do Museu implica a reabilitação das fachadas e coberturas, a valorização do circuito museológico através da ampliação e renovação da exposição permanente, passando pela eliminação de barreiras arquitectónicas no interior do edifício, no sentido de garantir a acessibilidade dos visitantes com mobilidade condicionada», explicou.
A instalação de sistemas de vídeovigilância, bem como a renovação do sistema de ingressos, controlo e apuramento estatístico dos visitantes, são outras áreas alvo de intervenção «Na futura exposição, o Museu integrará postos de consulta interactiva, disponibilizando aos visitantes a consulta, em suporte digital, de documentação (periódicos, repertórios, fotografias) biografias de fadistas, instrumentistas, autores e compositores e casas de fado», enumerou. Segundo a responsável, as obras de remodelação irão «aumentar exponencialmente a quantidade de informação disponível aos visitantes e maximizar os meios de divulgação do universo do Fado».
Sara Pereira referiu ainda que «o projecto expositivo, desenvolvido ao longo de um discurso museográfico contemporâneo, contemplará a integração de um importante acervo de artes plásticas e de renovados conteúdos museológicos, a par de uma tecnologia multimédia interactiva, com o intuito de incrementar significativamente a qualidade e a quantidade de informação».

O Museu do Fado foi inaugurado a 25 de Setembro de 1998, estando instalado no antigo Recinto da Praia, ao Largo do Chafariz de Dentro, em Alfama, uma antiga estação elevatória de águas.
O Museu, entre outras peças, apresentava uma colecção de guitarras, vários troféus conquistados por fadistas, nomeadamente o Prémio BBC Rádio 3 World Music, ganho por Mariza em 2003, discos, cartazes e a recriação de uma casa de fados.

Além da exposição permanente, o Museu incluía um espaço de exposições temporárias, onde se apresentaram mostras relativas a Amália Rodrigues, Berta Cardoso, David Mourão-Ferreira e Carlos do Carmo, entre outros, um Centro de Documentação e um auditório, onde se realizaram várias iniciativas promovidas pelo museu ou associação ligadas ao estudo do Fado.
O guitarrista e estudioso José Pracana realizou uma série de palestras, assim como o investigador Vítor Duarte Marceneiro. A Academia do Fado e da Guitarra Portuguesa e a Associação Portuguesa dos Amigos do Fado levaram a cabo vários ciclos.
O Museu integra a rede de equipamentos da EGEAC (Empresa municipal de Equipamentos e Animação Cultural).

EM 2008 AINDA SE LAVA ROUPA À MÃO FORA DE CASA

Publicado por Lusa/ Sol

Em Lisboa ainda há quem saia de casa com uma trouxa de roupa suja para lavar nos tanques dos lavadouros públicos que resistem em certas zonas da cidade, como na freguesia de Carnide

«O lavadouro tem ainda hoje uma vertente social. Ainda há uma ou outra situação de pessoas que vêm aqui porque não têm água em casa», contou à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Carnide Paulo Quaresma.Segundo o autarca, há dias em que aparecem no lavadouro público de Carnide, situado na Estrada da Correia, cerca de dez pessoas para lavarem roupa nos tanques, na sua maioria idosos, habitantes dos bairros da freguesia, como o centro histórico, o Bairro Padre Cruz ou a Horta Nova.Também há quem aproveite a ida ao lavadouro para conviver. «O local serve também de ponto de encontro. As pessoas trazem uma ou outra peça para lavar e depois acabam por ficar à conversa com quem encontram por cá», contou Paulo Quaresma à Lusa. O mesmo acontece no lavadouro da Rua dos Corvos, na zona de Alfama. «Acaba por se transformar num local de convívio. É uma forma de os utilizadores, na sua maioria idosos, fugirem à solidão», disse a presidente da Junta de Santo Estêvão, Lurdes Pinheiro, à Lusa. A autarca contou ainda que a média de «visitas» semanal ao espaço na Rua dos Corvos é de 15 a 20 pessoas. Ali os tanques são mais utilizados para lavar peças de roupa grandes, como tapetes ou colchas, ou para lavar roupa para fora.Este lavadouro de Alfama tem também a vertente de lavandaria social, projecto que a Junta de Carnide já apresentou à Câmara Municipal de Lisboa e sobre o qual aguarda uma decisão. A lavandaria social é direccionada para pessoas com fracos recursos económicos e prevê a colocação de máquinas de lavar e secar roupa no mesmo espaço onde existem os tanques. Em Alfama, os habitantes deixam a roupa a uma funcionária, que a vai colocando nas máquinas para lavar. Já em Carnide não há funcionários afectos ao lavadouro. «O funcionamento deste equipamento é um trabalho comunitário. O lavadouro está situado ao lado do Centro Paroquial de Carnide, são eles que têm a chave, abrem a porta e fazem limpeza do espaço. Depois a junta transfere verbas e articula trabalho com o Centro», explicou à Lusa Paulo Quaresma. Os lavadouros públicos de Lisboa são todos municipais, mas são as juntas de freguesia que fazem a gestão destes espaços, através de um protocolo de gestão de competências. Na zona de Alfama há ainda um outro lavadouro a cargo da Junta de Santo Estêvão, mas que está fechado há três anos para obras.«Contamos reabrir em Março o lavadouro do Beco do Mexias que esteve fechado para obras de recuperação, devido ao rebentamento de um recoletor», disse à Lusa Lurdes Pinheiro. A remodelação ficou a cargo da autarquia lisboeta. Os lavadouros têm ainda outra função: quer o de Carnide quer o da Rua dos Corvos, em Alfama, são palco de iniciativas culturais, mais ou menos regulares. Desde Setembro de 2007, em Carnide, há «cultura de sabão». Exposições, concertos, poesia e até teatro promovidos por uma associação local, com o apoio da Junta.«Gostávamos muito de ocupar ainda mais o lavadouro. Conseguimos que tenha esta ocupação uma noite por mês, mas estamos abertos a que possa ir além de apenas um dia», disse Paulo Quaresma. «Já cedemos o espaço a grupos de teatro amadores para que mostrem o seu trabalho. É uma forma de apoiarmos os grupos de jovens da zona», afirmou Lurdes Pinheiro. O da Estrada da Correia, situado bem perto da estação de metro de Carnide funciona de segunda a sexta-feira entre as 08h30 e as 18h30, já o lavadouro e lavandaria social da Rua dos Corvos, em Alfama, está aberto entre as 09h00 e as 12h00 e as 14h00 e as 18h00, apenas nos dias úteis.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A RUA JARDIM DO TABACO FOI DEVOLVIDA AOS PEÕES



Após 4 anos de insistentes contactos com as Juntas e com os responsáveis da Câmara Municipal de Lisboa foi finalmente executada a obra de colocação de pilaretes ao longo de todo o passeio entre o Cais da Lingueta (junto ao Largo Chafariz de Dentro) e o Boqueirão da Ponte da Lama (junto ao ISPA).

Sugestões enviadas em 23.11.2004:

"...Com 3 medidas simples e baratas, seria possível inverter a situação a curto prazo:

1 - Prolongar a instalação dos pilaretes, para proteger a circulação dos peões nos passeios, na Rua Jardim do Tabaco, desde o Largo Chafariz de Dentro até ao Museu Militar, do lado do rio;

2 - Sinalizar o acesso aos Parques de estacionamento, que existem junto ao rio, na Rua Jardim do Tabaco para informar e facilitar o acesso de todos os visitantes;

3 - Alargar o horário de funcionamento dos parquimetros na Rua Jardim do Tabaco para lá da hora critíca como já acontece no Bairro Alto..."

Apesar da demora e dos inúmeros contactos as placas de sinalização e os pilaretes foram colocados e a única entidade que não respondeu e nada fez até à data em prol dos moradores foi a EMEL. No entanto, após a devolução da zona ribeirinha à CML faz sentido que os novos contratos de concessão dos parques de estacionamento da zona ribeirinha passem a incluir zonas de estacionamento gratuito para os moradores.

sábado, fevereiro 16, 2008

SUBSOLO DE LISBOA VAI FICAR REGISTADO EM BASE DE DADOS

Publicado 13-02-2008 por Diário Digital / Lusa

Todas as condutas, esgotos, redes de comunicações e infra-estruturas instaladas no subsolo de Lisboa vão ficar registadas numa base de dados informática no âmbito de um projecto que visa a «melhor coordenação de obras» no espaço público.
O principal objectivo do projecto da autarquia, denominado 'Lx Subsolo', «é diminuir o impacto provocado pelas obras na vida dos cidadãos», através do conhecimento antecipado das alterações que as infra-estruturas vão ter nos diferentes locais da cidade, explicou à Lusa a responsável do programa, Márcia Munõz.
O «Lx Subsolo» vai permitir às empresas concessionárias de serviços à cidade [EPAL, EDP,PT,Gás] «optimizarem os meios e recursos operacionais, bem como diminuir os tempos de intervenção», dando como exemplo a abertura de uma vala onde diversos operadores possam intervir em simultâneo.
As negociações com as empresas fornecedoras de serviços, quanto ao tipo de ficheiros a utilizar na base de dados informática comum, estão em fase de conclusão, estando previsto para meados deste ano o carregamento de todo o cadastro das concessionárias de serviços à capital.
O carregamento informático das estruturas de duas áreas piloto da cidade - da Alta de Lisboa, por ser uma área nova, e a de Alfama, que devido à antiguidade «não se sabe ao certo» o que existe por baixo do chão - vai começar em breve, garantiu.
A vantagem de um cadastro deste tipo é «todos saberem o que existe debaixo do chão», em tempo real, evitando problemas de rupturas ou qualquer outro acidente com máquinas, disse ainda a técnica, exemplificando com um caso recente: «uma obra levada a cabo na Avenida de Berna ia provocando um incidente» militar, quando uma máquina abria uma vala para de condutas rasgou um cabo de comunicações do Exército, em virtude de não existirem registos da infra-estrutura.
Outro dos objectivos do projecto é permitir à câmara de Lisboa saber com antecedência as intervenções que cada empresa pretende efectuar e calcular automaticamente as taxas camarárias a aplicar, uma vez que as concessionárias terão de definir até 30 de Setembro o calendário e local de obras, para o ano seguinte.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

LISBOA É CAPA DA VIRTUOSO LIFE

Lisboa é capa da edição January/February 2008 da revista americana Virtuoso Life.

No artigo com o título Pink Dreams and Port Wine publicado por Marika McElroy Cain, que divulgamos na integra, Alfama é mencionada 3 vezes, destacando o atelier de Teresa Segurado Pavão que fica na Rua de São João da Praça, bem como o restaurante Bica do Sapato e a discoteca Lux na zona ribeirinha.

Pink Dreams and Port Wine
Portugal serves up an enticing cocktail of sun, city, scenery, and special treatment.

Portugal’s central coast serves up an enticing cocktail
Our first glimpse of Portugal’s coastline slices through the bleariness of the six-hour transatlantic flight. On the horizon verdant cliffs materialize, plunging seaward to where the Atlantic crumbles at their feet. As we descend, golden slivers of beach grow into wide half-moons, and clusters of red tile roofs here and there become denser until Lisbon takes shape, hugging the Tagus River in all its hilly, rose-hued glory. It’s not hard to imagine the twinge of regret the explorers of yore might have felt shoving off from these welcoming shores and forging into the vast expanse of ocean toward lands unknown.
My own mission is somewhat more modest than, say, Vasco da Gama’s. Accompanied by my husband, Ben, I’m searching for a well-rounded, low-key European vacation. We want a weeklong escape that balances local insight and flavor with relaxation, leisurely sightseeing, and top-notch accommodations. Given our destination, we can’t lose.
Among Portugal’s attributes: relatively untrammeled attractions; one the best values anywhere in Europe (an espresso still costs around $1.50); a host of natural beauty, from coastal pine forests and near-tropical inland hills to sandy Atlantic beaches; an increasingly cosmopolitan capital that keeps high-rises at bay and cobblestones polished; mild weather year-round (temperatures range from the mid-50s in winter to the mid-70s in summer); and a surfeit of charm. What’s more, all this can be found within 45 minutes of Lisbon, which means it’s possible to add relaxation to the wish list and forgo the fatigue that comes with trying to see an entire country in a week.

Insider’s Lisbon
At the airport a driver ushers us into a waiting Mercedes and whisks us to our first hotel. The Four Seasons Hotel Ritz Lisbon is a modernist monolith atop one of Lisbon’s seven hills. Its austere facade belies the opulence within: an expansive lobby with tapestries by the artist José de Almada Negreiros and a Volkswagen-size flower arrangement, a spa with an indoor swimming pool overlooking the ground-floor patio and fountain. The glassed-in rooftop fitness center is the prettiest gym I’ve ever seen, with views across the city to Lisbon’s Alfama district and its Moorish castle, an outdoor track, and tranquil Zen cactus gardens. Our room, with its marble-walled bathroom, complimentary bottle of port, and private balcony faces the same spectacle, and despite our best intentions, we collapse and nap for three hours.
In search of dinner that evening, we stroll down the Avenida da Liberdade, over the polished limestone cobbles – calling cards of the country’s once-mighty empire that are found around the world wherever the Portuguese flexed their exploration-age muscle, from Brazil to Macao. As we descend the avenue toward the Tagus River, we pass Longchamp, Burberry, and other purveyors of the finer things, occupying buildings that once served as various airline headquarters.
By all accounts, Lisbon, a port city of 564,000 people perched on the north bank of the Tagus River just eight miles from where it meets the Atlantic, is transforming into a chic capital. There’s the revitalization of waterfront warehouses into lofts and glam restaurants (including John Malkovich’s Bica do Sapato and the famed Lux nightclub). There’s the trend among wealthy lisboetas toward renovating buildings in the city’s older quarters. And there’s the profusion of irresistible shopping – everything from bleeding-edge boutiques in well-heeled Chiado and club-drenched Bairro Alto to the big-name (and big price tag) designer stores we’re currently strolling past on Avenida da Liberdade.
Luckily for visitors, Lisbon’s cosmopolitan airs haven’t come at the expense of its charm. At the bottom of the hill in the Baixa district, we settle in at a sidewalk table at the art deco Café Nicola for gazpacho and cured meats. In Baixa, the old Lisbon thrives. Streets named for the tradesmen who once plied their crafts here (Rua dos Sapateiros for the shoemakers, Rua dos Douradores for the goldsmiths, and so on) are lined with tiny shops, each with a single ware to peddle: One sells just buttons, another only lace, another mixes custom perfumes from hand-labeled bottles. Grandmothers haggle with the aged shopkeepers for their goods, and a visitor gets the impression that within these walls, daily life has changed little since the Salazar regime’s dictatorship ended in 1974.
I find further evidence of the old Lisbon’s presence the next morning. I’m surveying the city from our balcony at the Ritz, looking down past the Marquês de Pombal roundabout to the Tagus and up the hill to the ramparts of the Moorish castle. As I turn to go inside, I hear the unmistakable sound of a rooster crowing.
Isabel Lage, our guide from Valesa Cultural Services, is waiting for us in the hotel lobby. An energetic woman in crisp white linen and giant sunglasses, she greets us with kisses on the cheek and an excited “So! What are we doing today?” She knows, of course, but she’s giving us the option to throw in our own requests. The greater Lisbon area is officially our oyster. Isabel’s lust for life, wide circle of friends, and 30-odd years in the tourism business make buzzing around with her less like traveling with a guide and more like tagging along with a well-connected cousin. Before the day’s end, we’ve privately toured a Lisbon artist’s studio, hopped lines all over town, and rubbed shoulders with one of the country’s preeminent landscape architects.
“Portuguese people love pink,” Isabel tells us, as we glide through the city in a black Mercedes sedan, our driver, Antonio, at the wheel. This is no revelation, except perhaps to the color-blind. Stucco buildings in shades of salmon, dusty rose, flamingo, and cotton candy line the streets like so many blushing sentries. “In the U.S., you say, ‘Have sweet dreams.’ Here we say, ‘Desejo sonhos cor-de-rosa,’” she tells us. “Have pink dreams.”
At the Jerónimos Monastery in western Lisbon, she sweeps us past the queue of visitors with a few words to the ticket taker, and we’re inside the cloisters of this sixteenth-century edifice where long-ago seafarers prayed for safe passage beneath the limestone columns with their signature ropelike decoration. This hallmark of the Manueline style is affiliated with nautical exploration and King Manuel I, who oversaw Portugal’s golden era during the late 1400s and early 1500s, earning the nickname “Manuel the Fortunate.” The embellishments are appropriate to a country whose most prosperous age stemmed from the discoveries of sailors such as Vasco da Gama and Pedro Alvares Cabral. Isabel shushes a gaggle of laughing Germans who have congregated near da Gama’s tomb in the monastery, and then we’re off.
On a whim, Isabel takes us to the atelier of Teresa Segurado Pavão, a by-appointment-only workshop housed in a former bakery on a back street of the Alfama district. Teresa has exhibited her ceramic and textile work in galleries and museums around the country. She greets us at the door of her shop and ushers us into the back, where gorgeous, tidy groupings of ephemera – antique glass bottles, metal coils, brass buttons – line the shelves. Her spare goblets, bowls, and boxes are reminiscent of bone, and the fact that we would never have stumbled across her workshop on our own makes me love them even more.
We stop for coffee and pastéis de nata at Pastéis de Belém, the city’s most famous purveyor of the ubiquitous and delicious custard tartlets. Women in white caps turn out dozens of the creamy pastries, and a cadre of waiters delivers them to patrons, along with bica (espresso) or meia de leite (café au lait), just as they have since 1837. I remark that I haven’t seen a single Starbucks since we arrived. “We don’t want Starbucks,” Isabel says. “Our coffee is too good.” I’m tempted to believe this, because Portuguese coffee’s flavor is the rich, bold stuff of a caffeine addict’s dreams, but it’s also possible that Portugal simply hasn’t registered on the radar of Howard Schultz and his Venti-size endeavors – which is a major part of its allure.

Courtly Escapes
Our next fortuitous encounter takes place outside the city in the mountain town of Sintra, 30 minutes west of Lisbon. This is the former holiday haunt of Manuel I, who summered here to escape Lisbon’s heat and, no doubt, to bask in the town’s riot of green: Ivy, maples, palm trees, and cypresses serve as a backdrop for moss- and bougainvillea-covered walls. There’s not much to do in Sintra beyond eating, walking, and relaxing, and therein lies the beauty of this leafy enclave. The centerpiece of the town, the Palácio Nacional, a yellow and pink confection that served as a royal palace in some form or another from Moorish times until 1910, stands out in Technicolor relief against the vegetation on a precipitous hillside. The palace is open to visitors, but the weather is so pretty that we admire it from the outside, then wander Sintra’s lovely cobbled streets.
Serendipity next takes us up a steep, windy road to the home of one of the country’s most renowned landscape architects (and Isabel’s dear friend), Francisco Caldeira Cabral. Thanks to a chance encounter between Caldeira Cabral and Isabel, we spend a pleasant hour at his house, a magnificent converted stable at his family’s former estate (now a home for senior citizens). His garden is an ode to green, a free-form collection of tropical and subtropical plants that flourish in Sintra’s lush climate, and I’m not surprised to find out that he’s responsible for designing the Zen plantings I admired at the Hotel Ritz’s rooftop fitness center, as well as several other well-known gardens around the country and many more in Macao.
Fifteen minutes west of Sintra, the landscape morphs from a Jungle Book backdrop into arid expanses of pine and eucalyptus. This leads toward the blustery seaside of Guincho (named for seagulls, whose call, in Portuguese, sounds like guinch, guinch), which is home to the westernmost point in continental Europe. George Lazenby as James Bond plucked the woman who became his ill-fated bride from the shore at Guincho in the 1969 movie On Her Majesty’s Secret Service. There’s no sign of Bondian activities here now, just acres of fine sand, the sea, and families enjoying the sun.
We lunch at Porto Santa Maria, a traditional restaurant on a stretch of beach beloved by windsurfers for its flat water and brisk breezes. Bow-tied waiters fill our table with petiscos, a tapaslike array of meats, cheeses, cod fritters, and olives, which, per Portuguese custom, diners pay for only if they eat. Coastal Portuguese fare is simple: Most restaurants offer an impressive array of cod dishes, as well as a few additional fish dishes. Spices, in our experience, don’t get much more exotic than salt, which is surprising for a country whose empire once extended to India, Africa, and Asia.
The key to eating well in Portugal is eating fresh, and Porto Santa Maria offers no shortage of prime seafood, not to mention a port cellar with special blue lights installed to best preserve the national elixir. We gorge ourselves, snacking on the petiscos, then moving on to delicate steamed clams with butter, garlic, and parsley. The pièce de résistance arrives on a pewter platter the size of an atlas: a whole sea bass, which our waiter, expertly wielding an oversize fork and spoon, liberates from its baked-on rock salt crust, as well as its bones and skin. He serves us giant portions, along with the standard Portuguese sides of broccoli and potatoes. We drizzle on olive oil with parsley and eat until we can’t anymore.
Heading back along the coast toward Lisbon, the side-by-side resort towns of Cascais and Estoril beckon. Once a humble fishing village, Cascais and its harbor became the playground of royalty in 1870 after King Luís I and his wife Maria Pia spent the month of September frolicking on its sheltered shores. The influx of wealthy summer visitors has hardly ebbed since then: Those who could afford it bunkered down here during World War II – the list of exiled or deposed royalty who took up residence runs the gamut from the Duke of Windsor to King Umberto I of Italy. The Espirito Santo banking family’s palatial pink mansion is here, next door to Umberto’s former home. Fishing boats still bob in the harbor, and Gelados Santini, the ice cream shop where King Juan Carlos of Spain has indulged in summertime treats with his family, still scoops gelato for the warm-weather crowd.

Untamed Arrabida
There’s a less developed side to the Lisbon area, too, we discover one day during a trip along the scenic route. We wend south through the village of Azeitão along roads lined with olive groves. An old man pedals an equally ancient bicycle past a burial quoit, the remnant of some Iberian Flintstones civilization.
As the car begins to climb uphill, houses and towns disappear, and the landscape gives over to swaths of squat oak, laurel, juniper, pine, and wild olive punctuated by limestone outcroppings: an old-growth Mediterranean forest. This is the 26,000-acre Arrábida Natural Park, a preserve officially designated by the Portuguese government in 1976, but first claimed by the Duke of Aveiro, D. João de Lencastre, in the sixteenth century. The duke, a sort of proto-environmentalist, forbid building on the mountainous land, with the exception of a Franciscan convent. Later, in the nineteenth century, the Duke of Palmela bought the land and also refrained from building on it.
I silently salute their stubbornness as the car rounds a bend 1,600 feet above sea level, revealing deep green hills that descend to the crystalline Atlantic shores. A cluster of whitewashed buildings that make up the convent lies below us; above, a procession of domed chapels marches up the mountain, one for each station of the cross. There were no “pink dreams” here in the convent’s heyday, only pious living. Other than the convent, it’s just steep forested terrain and the occasional flash of a cyclist whizzing down (or struggling up) the precipitous road.
The beaches of Arrábida far below are speckled with late-summer baskers. In contrast to the tony boardwalks of Cascais and Estoril to the north, these are untamedstretches of sand. Here, in protected coves, the water is clear, and the forest bumps up against the beach: Portinho da Arrábida with its calm bay and Figueirinha with its gold sand are two favorites among beachgoers. Guidebooks barely mention this majestic region (score another one for Isabel and her insights). Accommodations here, in the town of Sesimbra and the port city of Setúbal, are scarce, and those who want to dip their toes in the Arrábida surf should consider a day trip from Lisbon rather than an overnight stay in the area.

Fairy-Tale Ending
For our final night in Lisbon, we’re looking for a different perspective on the city, so we check in to the Lapa Palace. Green parakeets swoop through the hotel’s tropical gardens, over the pool and the three-story fountain that cascades down the outside of the palace. (The gardens were designed by none other than Francisco Caldeira Cabral.) Set amid embassies and dignitaries’ homes in the quiet Lapa district, the hotel – refined, intimate, and gracious – embodies old Lisbon.
Our room, on the other hand, embodies my idea of a place I’d like to stay indefinitely. Yes, it is located in the Palace wing of the hotel, part of the original 1883 home of the Count of Valenças, with a spectacular view of the city, river, and the Golden Gate-esque 25th of April Bridge. It is stocked with pastéis de nata, chocolate truffles, fresh fruit, and a decanter of complimentary port; the bathroom has an ornate blue-and-white azulejo tile mural of lords and ladies; and the pillow menu lists seven options. But it’s the tower that makes me want to cancel our return flight and hole up playing prince and princess. Our tower, actually. The private outdoor lookout hewn from limestone is as perfectly positioned for ogling Lisbon today as it was when the count and his family resided here.
It’s a fitting place to wind up a trip that has revealed to us the benefits of putting ourselves in the hands of locals, and we turn the rest of our stay over to Lapa Palace indulgences. We lounge by the pool writing postcards, then order room service for lunch. We manage to leave for a few hours in the afternoon for one last espresso at Café a Brasileira in Chiado and to stock up on souvenirs at two other Chiado institutions: fine linens at Paris em Lisboa and glass goblets at Vista Alegre. But the tower lures us back, and we spend a mellow evening dining in the hotel bar amid a gaggle of cruisers preparing for their sailing the following morning.
I wake up early on our last day and go out to the tower. The city is hushed and misty. A pallid sun reaches through the fog, and Lisbon glows – what else? – dreamy pink.

INSIDER’S TIPS
PORTUGAL POINTERS
Veteran guide Isabel Lage dishes on the best of the Lisbon area.
Why visit Portugal? It’s still the unknown pearl of Europe, a combination of tradition and modernity with friendly, easygoing people who are quite fluent in English.
When in Lisbon, don’t miss: The Belém area (home to the Jerónimos Monastery), the Gulbenkian Museum (classical and European art), and the Azulejo Museum (showcasing Portugal’s famed painted tiles).


Top Lisbon restaurants:
Gambrinus (Rua das Portas de Santo Antão 23, tel. 351-21/3421466) for classic seafood and the best crêpes suzette in the world,
A Travessa (12 Travessa do Convento das Bernardas, tel. 351-21/390-2034) for excellent Portuguese cuisine in a former convent,
Alcântara Café (Rua Maria Luisa Holstein 15, Tel. 351-21/363-7176) for trendy cuisine in a revamped warehouse.

Souvenirs:
Linens from Madeira House (Rua Augusta 131-133, Lisbon; Tel.351-21/342-6813 ) and Bazar Central (Praça da República 37, Sintra; Tel.351-21/924-8245), jewelry from Sarmento (Rua Aurea 251, Lisbon; Tel.351-21/342-6774), and ceramics and textile art from Teresa Pavão (by appointment only, Rua S. João da Praça 120, Lisbon; Tel.351-91/963-7895).
Local dishes to try: Shellfish rice; bacalhau (cod) à brás (with onions, potatoes, and eggs), lagareiro-style (served with olive oil and garlic over smashed red potatoes with grilled onions and peppers), or one of the other thousands of preparations; and desserts such as pastel de nata in Lisbon and travesseiro in Sintra.
Valesa Cultural Services guide Isabel Lage has worked in the travel industry in Lisbon for 38 years.
Getting There » US Airways flies nonstop from Philadelphia to Lisbon from May through October.

DOING IT » Valesa Cultural Services gives travelers ten leisurely days in and around Lisbon, beginning with a three-night stay at the Four Seasons Hotel Ritz. A daylong privately guided orientation includes lunch at the traditional Estufa Real restaurant and a port and cheese tasting. Two days in Sintra follow, with time for wandering, a short guided tour, and lunch at Porto Santa Maria in seaside Guincho. Up next: time in the neighboring resort towns of Cascais and Estoril, then back to Lisbon for two nights at the Lapa Palace hotel and an excursion to the coastal Arrábida Natural Park. Departures: Any day through 2008; from approximate $5,995 per person, including accommodations, driver, and guide. » Fans of foot travel can take a six-day walk through Lisbon and surrounds with Tours For You. The Lisbon-based operator kicks off the trip with a stroll through Lisbon’s Bairro Alto, Chiado, Baixa, and Alfama neighborhoods. Hikes through the hills of Sintra and along the adjoining coast are up next, as well as a detour to Arrábida and a night in the medieval inland town of Evora with a stay at Convento do Espinheiro, Heritage Hotel & Spa. Departures: Any day through 2008; from approximate $5,480, including accommodations, driver, and guide.

STAY » Set in a quiet residential district, the 109-room, Orient-Express-owned Lapa Palace has tropical gardens, stunning views of the Tagus River and city, and a graciousness that comes from its past as the home of the Count of Valenças. Doubles from approximate $534, including breakfast, parking, and complimentary port. » Walking distance from the neighborhoods of Baixa and Chiado, the Four Seasons Hotel Ritz Lisbon is a spacious retreat. The 282 rooms (272 with private terraces or balconies) complement the clean lines and unmatched views of the top-floor fitness center and bottom-floor spa. Doubles from approximate $585, including breakfast and one $100 spa credit.

sábado, fevereiro 02, 2008

CRESCIMENTO DE LISBOA SUPERA O DE 26 CIDADES EUROPEIAS

Publicado pelo Observatório de Turismo de Lisboa

A ocupação hoteleira de Lisboa foi a que mais cresceu em 2006, por comparação com o ano anterior, numa lista de 27 cidades de 23 países europeus, agora divulgada pelo Barómetro da Organização Mundial de Turismo.

Com uma variação positiva de 14,6%, Lisboa foi a primeira cidade desta lista, que inclui as principais capitais europeias, bem como outras cidades de referência em termos turísticos.
A capital portuguesa, que em 2005 tinha registado 55,1% de taxa de ocupação, passou para 63,1% no ano passado, o que corresponde a um crescimento superior ao de cidades como Madrid, Londres ou Paris.
Em segundo lugar na lista, com uma diferença de 2,4%, surge Varsóvia com 12,2%, cabendo a Londres o terceiro maior aumento: 8,2%.

sábado, janeiro 26, 2008

ZONA RIBEIRINHA AVANÇA NA 2.ª FEIRA

Publicado por Graça Rosendo, SOL
A Câmara Municipal de Lisboa (CML) e o Governo assinam, já na segunda-feira, o protocolo que determinará que terrenos sob jurisdição da Administração do Porto de Lisboa (APL) vão passar a ser geridos pela autarquia, dirigida pelo socialista António Costa


A cerimónia deverá contar com a presença do primeiro-ministro, José Sócrates, e do ministro das Obras Públicas, Mário Lino. É o primeiro acto oficial para o avanço do mega-projecto de reconversão da zona ribeirinha da capital: «Só depois deste protocolo é que o processo de requalificação da zona ribeirinha vai ser posto a andar», disse ao SOL José Miguel Júdice, que irá presidir à sociedade gestora de todo o projecto.

Investimento prioritário

O investimento é encarado pelo próprio primeiro-ministro como uma das imagens de marca do seu mandato.
Na semana passada, o Conselho de Ministros aprovou o decreto-lei que permite a transferência da jurisdição de terrenos das administrações portuárias, em todo o país, para os municípios. O documento estipula que esta transferência só pode ser feita depois de o Governo fazer um levantamento pormenorizado, que permita determinar os solos que não são essenciais à actividade portuária.

O facto de tratar-se de um decreto genérico impediu o Governo de ser acusado de legislar só para a autarquia da capital. No entanto, o levantamento exigido pelo diploma só foi concluído, até agora, para a zona abrangida pelo concelho de Lisboa – permitindo, assim, que seja já assinado este protocolo.

domingo, janeiro 20, 2008

FRENTE RIBEIRINHA, A ÁREA DELICADA DE LISBOA

Publicado no site oasrs.org por António Henriques

A regeneração da área das docas e a Expo’98 não eliminaram a barreira entre porto e cidade de Lisboa, diz o arquitecto Pedro Ressano Garcia. As transformações na frente ribeirinha permitem a ligação ao rio ou servem para tornar urbanos os terrenos portuários?

Pedro Ressano Garcia, autor de uma tese sobre a reconversão das frentes ribeirinhas nas cidades (de 2005, à espera de ser defendida na Universidade de Lisboa), afirma que a «barreira existente entre o porto e a cidade ainda é o grande problema do núcleo central de Lisboa».

Não é por acaso que o programa prévio da Trienal Internacional de Arquitectura de Lisboa se iniciou, entre 20 e 22 de Outubro de 2006, com um seminário sobre o estuário do Tejo e as frentes de água e uma visita para centenas de alunos universitários, conduzida pela Administração do Porto de Lisboa, a locais nas duas margens do Tejo que vão ser objecto de propostas de «requalificação» dos estudantes.

Área portuária no coração da cidade
É porque a frente ribeirinha, para qualquer habitante, é a «zona mais delicada de Lisboa», como sustenta Pedro Ressano Garcia – basta lembrar a controvérsia do Plano de Ordenamento da Zona do Porto de Lisboa (POZOR), de 1993/94, e o chumbo que mereceu há alguns anos – e porque muito se joga nestes terrenos virados ao rio.

A área portuária que está no coração da cidade «constitui hoje um espaço central em que programas e ideias podem vir a tornar-se em ícones contemporâneos», sustenta o arquitecto.

«Só uma vez na vida se tem a possibilidade de repor a condição antiga da cidade, suprimir as suas necessidades e instalações, trazer novo valor ao espaço público e arranjar soluções constantemente adiadas».

Mas a reconversão da frente ribeirinha é uma oportunidade para restabelecer a ligação ao rio ou para o desenvolvimento da cidade nos antigos terrenos portuários? «É uma diferença que parece pequena mas que é essencial».

Privatizar o espaço público
Segundo Pedro Ressano Garcia, «a venda de antigas áreas portuárias ao sector privado tende a privatizar os espaços públicos nas imediações dos novos empreendimentos» Mais: «Tende a adoptar soluções que redundam em condomínios privados».

Antigas zonas portuárias de cidades como Bilbau, Barcelona, Rio de Janeiro, São Francisco e Lisboa são «discutidas ao metro quadrado pelos promotores» e têm como consequência «protestos do público porque percebem que os [empreendimentos] não irão melhorar a qualidade de vida».

Ao contrário do que se poderia esperar, Pedro Ressano Garcia diz que o projecto urbano para os terrenos da Expo’98 e uma maior fruição do rio por parte dos lisboetas, incontestável com os novos usos dados aos armazéns e zonas portuárias desafectados, não contribuíram para acabar com a grande barreira que separa a cidade do rio. «Em Santos e Alcântara discute-se a alteração da linha dos comboios e das vias de circulação de trânsito intenso».

Jardins e equipamentos culturais ligados
Em vez disso, o arquitecto propõe que se reate a relação interrompida com o rio de outra forma: através da alteração da morfologia do terreno, «misturando arquitectura e planeamento do espaço público».

Pedro Ressano Garcia propõe a extensão dos jardins 9 de Abril (até à doca de Alcântara) e de Santos até ao rio para criar um espaço de uso público que crie outros fluxos para lá da intensa circulação automóvel.

O prolongamento do jardim de Santos seria ocupado por edificações localizadas ao longo de pequenos quarteirões e ruas estreitas e de sete vias principais perpendiculares ao rio; percursos para peões ligariam a cidade ao Tejo, «através de rampas entre vários níveis», numa recriação da geometria de Lisboa de antes do terramoto.

Na verdade, numa recriação, também, da fábrica medieval que ali desapareceu em 1755. Diferenças de cota no piso térreo das edificações iriam conferir «uma percepção diferente do terrapleno [de Santos]», retirando-lhe o carácter de superfície plana da ocupação portuária.

Por outro lado, Pedro Ressano Garcia imaginou um terraço, na Rocha Conde de Óbidos, que faz a ligação da parte alta até ao rio, através de dois níveis diferentes, das instituições e equipamentos da zona (sede da Cruz Vermelha, Museu de Arte Antiga (MNAA), o referido jardim 9 de Abril, o porto de Lisboa, a Gare Marítima Rocha Conde de Óbidos e o Museu do Oriente).

Sob esse terraço encontrar-se-ia um edifício, interiormente ocupado por áreas de exposição, comércio e serviços, que permite a ampliação dos museus existentes e de outros equipamentos que possam instalar-se; o estacionamento previsto tem acesso quer pela zona do rio quer pelo interior da cidade. «Autocarros de turismo podem parar sob o edifício, ao nível do porto». Toda esta área poderia vir a ser definida «como centro artístico e cultural. Desenhámos uma nova porta para a cidade e para equipamentos como o MNAA, que cria uma nova centralidade em Lisboa».

Renovação urbana com frente popular alargada
Uma das inevitabilidades da requalificação urbana das frentes portuárias é a sua complexidade. Na tese de doutoramento, com prova final para breve, Pedro Ressano Garcia evoca o caso de Minneapolis, em que «o presidente do município fundou uma organização sem fins lucrativos para liderar o processo da renovação urbana».

Denominada Saint Paul Riverfront, «tem uma administração formada por um grande número de membros oriundos de todos os sectores da sociedade, incluindo entidades oficiais da cidade, do distrito e do estado, associações comunitárias e de moradores, fundações, empresas comerciais e industriais, a Administraçao do Porto de Saint Paul e a Câmara de Comércio da Área de Saint Paul».

Não deixa de ser paradigmática a menção que Pedro Ressano Garcia faz do modo como o presidente da câmara encarou os convites feitos a um número alargado de pessoas e entidades: «Esforçou-se por criar um forte relacionamento organizacional entre os grupos com diferentes interesses, porque acreditava que as relações são melhores que as regulamentações».

sexta-feira, janeiro 18, 2008

APROVADA TRANSFERÊNCIA DE TERRENOS DAS ADMINISTRAÇÕES PORTUÁRIAS

Publicado pela TSF, 17-01-2008

O Governo aprovou, esta quinta-feira, um decreto que permite a transferência a custo zero para as câmaras municipais dos terrenos desafectados às administrações portuárias. Com esta medida, fica satisfeita uma reivindicação antiga das autarquias, nomeadamente a de Lisboa.

Na apresentação do diploma, no final do Conselho de Ministros, Mário Lino sublinhou que o decreto tem «mecanismos» que «não darão qualquer abertura» para actividades de especulação imobiliária, após a concretização da transferência da jurisdição dos terrenos das administrações portuárias para as autarquias.

Em conferência de imprensa, o governante começou por afirmar que as administrações portuárias tem actualmente jurisdição de terrenos que estão sem utilização para a actividade portuária e que também não deverão servir para essa actividade nos próximo anos.

Nesse sentido, Mário Lino disse que o Governo «entende que essas áreas sem utilização para a actividade portuária devem passar para a jurisdição das respectivas câmaras municipais».

«Este é o caso de áreas da frente ribeirinha do Tejo, que estão sob jurisdição da Administração do Porto de Lisboa, mas que não têm qualquer interesse para a actividade portuária», apontou como exemplo.

Nestes casos, com a aprovação do decreto, a partir de um despacho do ministro das Obras Públicas, esses terrenos sem actividade portuária serão transferidos para as câmaras municipais.

«No caso concreto da Câmara Municipal de Lisboa, o Governo já está a trabalhar no assunto há algum tempo no sentido de proceder à identificação dos terrenos que estão sem actividade portuária. Esse trabalho será agora concluído de acordo com este decreto», salientou.

No entanto, o ministro das Obras Públicas fez questão de sublinhar que «a transferência de um bem do domínio público do Estado das autoridades portuárias para as câmaras municipais não facilitará nem dará abertura a que haja qualquer especulação imobiliária».

Ainda de acordo com Mário Lino, a transferência dos terrenos desactivados das administrações portuárias para as câmaras municipais «não terão encargos financeiros» para as autarquias, porque «esses terrenos mantêm-se no domínio público».

«Salvo nas áreas desses terrenos em que existam bens activos que tenham sido construídos e que constem do inventário da administração portuária. Nesses casos, a entidade que larga esses bens activos tem que ser ressarcida», advertiu o membro do Governo.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

INCÊNDIO EM PRÉDIO DE ALFAMA DEIXA QUATRO FAMÍLIAS DESALOJADAS

Publicado por Lusa/Sol em 15.01.2007

Um incêndio que deflagrou hoje num prédio em Alfama deixou quatro famílias desalojadas e um bombeiro ferido, confirmou à Lusa fonte da Junta de Freguesia de São Miguel

Por volta das 10h59, os bombeiros foram chamados à rua Beco das Cruzes, ao número 22, em Alfama para combater um incêndio que deflagrou no 3º andar do prédio.

O incêndio que terá tido origem num curto-circuito, segundo a mesma fonte da junta de freguesia, deixou quatro famílias desalojadas e um prédio sem condições para ser habitado.

Entre as vítimas estão uma viúva diabética que vivia no 3ºandar do prédio com dois filhos deficientes e um neto, que foram encaminhados para uma pensão na Avenida Duque d'Ávila em regime de pensão completa com roupas cedidas pela Santa Casa da Misericórdia e Cruz Vermelha.

No 2º andar um casal e o seu filho ficaram também desalojados e não aceitaram a oferta de pensão tendo optado por permanecer provisoriamente em casa de um familiar próximo.

No rés-do-chão um homem viúvo ficou também com a casa inabitável tendo seguido para casa das filhas. O incêndio atingiu também as traseiras do prédio na Rua Castelo Picão desalojando um jovem que vivia sozinho.

Um bombeiro sofreu queimaduras na cara e no pescoço. O prédio destruído situa-se numa zona densamente habitada e estava muito degradado, de tal modo que já tinham sido dadas ordens de despejo aos moradores.

sábado, dezembro 29, 2007

CONHEÇA LISBOA E COMECE POR ALFAMA

Por Hernâni Gomes publicado em soberaniadopovo.pt 20.12.2007

Lisboa tem recantos magníficos, que a maioria dos lisboetas não conhece e a generalidade dos portugueses muito menos. Vamos ao estrangeiro e farejamos tudo. Em casa, com as preocupações do dia a dia, não há predisposição para admirar e valorizar o bom que temos.

Há 40 anos a viver em Lisboa, só agora, com a reforma, me predispus a conhecer em detalhe os argumentos turísticos da capital, e de que antes só via os turistas desfrutar.
Mas hoje, nesta tarde de Outono (quase estival) decidi fazer um roteiro turístico a Alfama e cumpri-lo. Aqui o relato. Venha comigo:

MARTIN MONIZ: No Martim Moniz - zona da Mouraria pejada de caras africanas e chinesas e onde os ciganos se abastecem - tomamos o eléctrico 28E, que vai do Martim Moniz a Campo de Ourique (cemitério dos Prazeres). Vai cheio de turistas - muitos italianos/romanos nas sobras do Sporting/Roma – e, naquele rodar pachorrento sobre os carris, subimos ao tradicional Bairro da Graça. Desce-se uma rua íngreme, passando junto ao edifício da Voz do Operário. Do lado de cima, fica o Largo de Santa Clara, onde é feita a popular Feira da Ladra. Acaba-se a rua larga e entramos nas ruelas estreitinhas de Alfama. O eléctrico quase roça as paredes das casas velhas - muitas reavivadas pelo Polis - deste milenar Bairro de Alfama. Apeie-se e passeie.

ALFAMA: Em Alfama, nos Santos Populares - Santo António, em especial - as ruelas íngremes ficam pejadas de gente embebida no cheiro a sardinha assada que brota das suas tascas e restaurantes, misturado com os pregões e o cheirinho a manjerico. Agora, tudo é calmo e a geografia humana lembra a acalmia bairrista de aldeia. Deambulando - subimos as ruelas até à cantada igreja de Santo Estêvão e passando a Rua de São Tomé - alcançamos o miradouro e o Largo das Portas do Sol, nas bordas do Castelo de S. Jorge, entre a Sé e Alfama. Misture-se com os turistas e encha os olhos no esplendoroso estuário do Tejo com o movimento dos barcos e, lá ao longe, toda a outra banda - de Alcochete a Cacilhas.

PORTAS DO SOL: No Largo das Portas do Sol e seu miradouro, passeiam-se e descansam todos os turistas que visitam a trilogia Sé, Castelo E Alfama. Aqui fica, e merece visita, o Museu de Artes Decorativas Ricardo Espírito Santo que, para além do museu, faz de mecenas, apoiando as lojas/oficina ali existentes, de artesãos de diversas artes e ofícios – marceneiros, latoeiros, restauradores. Há aqui muitas esplanadas, restaurantes e bares, mas não deixe de entrar no bar/pub Cerca da Moura.
Do miradouro, olhando ao longe, sobre esquerda, vê a Igreja de S. Vicente de Fora - depois, o Panteão Nacional e as igrejas de Santo Estêvão e S. Miguel . Em frente, o rio e a outra banda. Logo ali e à direita, outro miradouro e a Igreja de Santa Luzia. Um pouco mais abaixo, a milenar Sé de Lisboa. Se subir as ruelas da encosta e passando a igreja de S. Tiago, chegará lá ao cimo, ao Castelo de S. Jorge.

CASTELO: No Castelo, percorra toda parte murada e suba as muralhas. Rodeie, aprecie a vista fabulosa. Lá em baixo os típicos telhados de Lisboa antiga, toda a Baixa até ao Terreiro do Paço. E o Tejo com o seu estuário - largo e belo. O movimento das faluas - os cruzeiros, os cacilheiros. Ao longe e ao fundo, a outra banda: Cacilhas, Lisnave, Almada. Lá mais longe, à direita, em direcção ao mar: a Trafaria, Torre de Belém, o Bugio.
E com olhos tão cheios de paisagem, por aqui ficámos sorvendo a alma de Lisboa, lembrando a sua história – dos mouros, da conquista por D. Afonso Henriques, do terramoto 1755 e do Marquês de Pombal, do Regicídio e da República, da Revolução de Abril, da Expo 98 e a moderna zona do novo Parque das Nações.

TURISMO: E o turismo em Lisboa está a crescer a olhos vistos : Em 2007, já há mais 8% de turistas e mesmo agora, em Novembro, há turistas por todo o lado, mormente europeus. Mas também tantos imigrantes, tantos africanos, tantas lojas chinesas, tantos pedintes e sem-abrigo, tanto do bom e do mau. Lisboa tem quase de tudo que uma metrópole tem. E no Largo da Graça tem um restaurante muito bom - o Pitéu - onde vos convido a vir jantar. Depois vou ver o Fados, do Carlos Saura.

METROPOLITANO RASGA NOVOS HORIZONTES LISBOA

Publicado no Expresso por Paulo Paixão, 20.12.2007

O metropolitano no Terreiro do Paço foi uma obra de Santa Engrácia. Após muitas polémicas, chegou finalmente ao fim. Pelas duas novas estações circularão 20 milhões de pessoas/ano. A rede de transportes da área metropolitana é beneficiada e a área nobre da capital ganha assim um incentivo para a sua revitalização.



Comentário:
Se à inauguração das novas estações do metropolitano somarmos os novos bilhetes que permitem combinar o transbordo entre o Metro (Urbano/rede) e a Carris no período de 60 a 90 minutos sem pagar mais por isso a qualidade de vida dos moradores de Lisboa e dos visitantes aumenta substancialmente, nomeadamente para aqueles que tinham de caminhar diariamente entre a estação de Santa Apolónia e a Baixa-Chiado e para os turistas que arrastavam as malas pela Rua Jardim do Tabaco e pela Av. Infante D.Henrique.

Não só os utentes dos transportes públicos são beneficiados com a colaboração entre a CP a Transtejo, o Metropolitano e a Carris numa lógica de complementaridade que não existia antes em Lisboa. Alfama passa a contar com uma oferta de transportes incomparavelmente superior e de maior qualidade à que tinha antes apenas com a Carris, com uma maior capacidade para atrair os visitantes ao centro histórico de Lisboa.

Esperemos que os partidos políticos e as Juntas de Freguesia que se tem empenhado em aparecer a criticar as alterações que o projecto provocou se empenhem com a mesma força em colaborar com as outras juntas de freguesia na defesa dos verdadeiros interesses da zona histórica nomeadamente pela redução da sinistralidade rodoviária na Av. Infante D. Henrique e na Rua Jardim do Tabaco provocada pelo excesso de carros e pela falta de sinalização dos parques de estacionamento que ninguêm usa enquanto os passeios são ocupados por viaturas sobretudo à noite e aos fins-de-semana.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

CML PREVÊ INVESTIR 94,9 M€ REABILITAÇÃO BAIRROS HISTÓRICOS

Publicado por Diário Digital/ Lusa, 12.12.2007

A Câmara Municipal de Lisboa prevê gastar quase 95 milhões de euros em reabilitação urbana em várias zonas e bairros da capital até 2011, dos quais 19,6 milhões de euros só em 2008.

De acordo com o plano plurianual de investimentos da autarquia apresentado terça-feira pelo presidente da autarquia, António Costa, os bairros de Alfama e do Castelo vão ser os mais beneficiados, com um montante global de 26,5 milhões de euros, dos quais 5,3 milhões de euros a aplicar já no próximo ano.

O Bairro Alto e a Bica vão receber 15,9 milhões de euros nos próximos quatro anos, sendo que 3,6 milhões de euros serão investidos em 2008.

A zona da Baixa/Chiado foi contemplada com uma verba de 9,4 milhões de euros (1,4 milhões em 2008); a Mouraria com 8,7 milhões de euros (1,2 milhões em 2008); o Parque Mayer com 7,2 milhões de euros (650 mil euros em 2008); e a Madragoa com 5 milhões de euros (1,5 milhões em 2008).

O montante remanescente das verbas, que ainda assim totaliza 21,8 milhões de euros, vai ser aplicado em intervenções em diversos locais, dos quais 5,7 milhões de euros no próximo ano.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

SUPERMERCADO NA ESTAÇÃO DE SANTA APOLÓNIA


As obras para a inauguração da estação do Metro de Santa Apolónia estão a avançar rapidamente no interior do edíficio da estação.

No futuro para além de um hotel de charme diz-se que a estação vai receber também um supermercado Pingo Doce no local onde hoje está a empresa Interent junto à entrada da Avenida Infante D. Henrique.

sexta-feira, novembro 23, 2007

LISBOA: POLÍCIA MUNICIPAL PATRULHA BAIXA-CHIADO COM "SEGWAYS" E VEÍCULOS ELÉCTRICOS

Por ACL Lusa/Fim

A Polícia Municipal de Lisboa tem a partir de hoje quatro "segways" e três automóveis eléctricos para patrulhar a zona da Baixa e do Chiado, veículos cuja utilização a Câmara pondera alargar a outras áreas da cidade.
Os veículos, "amigos do ambiente", movidos a energia eléctrica, foram hoje oferecidos à Polícia Municipal pela Agência da Baixa-Chiado.

O presidente da Câmara, António Costa (PS), sublinhou que os veículos são "um contributo para reforçar a segurança do comércio na Baixa e no Chiado", depois da pintura de passadeiras e limpeza daquela zona.

Esta também é uma forma de a Polícia Municipal testar a utilização destes veículos, que poderão depois ser usados noutras áreas comerciais da capital. Segundo António Costa, as zonas da "Avenida de Roma, Guerra Junqueiro e Campo de Ourique" são algumas onde a utilização daqueles equipamentos faz sentido.

O comandante da Polícia Municipal, André Gomes, referiu que os veículos "dão uma mobilidade muito maior aos agentes" além de, no caso dos "segways", lhes permitirem "observar melhor à distância os delinquentes".
"O baixo torna-se alto", disse.

Os veículos custaram cerca de 75 mil euros, segundo disse aos jornalistas António Amaral, da Agência da Baixa-Chiado. Os veículos têm uma autonomia de cerca de 30 quilómetros, podendo ser carregados com facilidade, através de uma "ficha eléctrica igual à de qualquer computador", acrescentou. Os "segways" atinguem os 20 quilómetros/hora e os veículos os 40 quilómetros/hora.

segunda-feira, novembro 12, 2007

CÂMARAS VÃO GANHAR TERRENOS AOS PORTOS

Publicado pelo Diário Económico

Os terrenos sob a alçada das administrações portuárias dos cinco principais portos nacionais – Leixões, Aveiro, Lisboa, Setúbal e Sines – e do IPTM – Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos que não estiverem directamente afectos à actividade portuária ou que não sejam necessários para eventuais ampliações dos terminais de cada um destes portos vão passar a ser geridos pelas respectivas câmaras municipais. Em declarações ao Diário Económico, Ana Paula Vitorino, secretária de Estado dos Transportes, adiantou que “está quase concluído o processo legislativo nesse sentido”, esperando que a lei ou decreto-lei (ainda existem as duas vias em aberto) deva estar publicado em vigor até ao final do primeiro trimestre de 2008.

domingo, novembro 11, 2007

MEGA CONFUSÃO NA PRAÇA DO COMÉRCIO

Foi-se a árvore de natal mais idiota da europa chegou o mega assador de castanhas. Em comum o mega caos com o trânsito no centro histórico de Lisboa. Gasta-se o dinheiro público em mega eventos mas continua a não haver dinheiro para a pintura das passadeiras, para proteger os passeios com pilaretes e para sinalizar os percursos para os parques de estacionamento no centro de Lisboa... que continuam vazios.

O centro de Lisboa que até à pouco tempo era de facto um local onde os moradores podiam passear ao fim-de-semana converteu-se num sitío caótico. Na ausência de medidas coerentes para limitar o trânsito no centro histórico de Lisboa distribui-se comida e vinho e a plebe agradece no meio de desacatos e insultos para tentar encher sacos com castanhas é absolutamente surreal, terceiro mundista e inútil.

Entretanto, a alguns metros na Rua dos Bacalhoeiros os restaurantes que estão abertos continuam às moscas porque não é com este tipo de iniciativas pontuais e eventos de massas que se conseguem resolver os problemas da zona histórica. Da mesma forma que não é sensato meter um elefante numa loja de porcelana.

Vale a pena ler o artigo de Inês Boaventura no Publico

"Castanhas grátis levaram centenas de pessoas ao Terreiro do Paço

As queixas de falta de organização e de civismo foram mais do que muitas e levaram muita gente a abandonar o local sem provar uma única castanha

O maior assador de castanhas do mundo atraiu ontem à tarde centenas de pessoas ao Terreiro do Paço, em Lisboa, mas só os mais afoitos conseguiram furar por entre a multidão impaciente que cercava o utensílio, não hesitando para tal em distribuir empurrões, cotoveladas e outras demonstrações de falta de civismo.

A iniciativa foi da Câmara de Lisboa, que decidiu assinalar o Dia de S. Martinho com a distribuição grátis de castanhas, cozinhadas no local num assador certificado pelo Guiness World Records como o maior do mundo. O assador com 600 quilos e as duas toneladas de castanhas vieram do concelho transmontano de Vinhais, que gera um terço da produção de todo o país.Pouco antes das 15h eram mais de 400 as pessoas reunidas em torno do assador, que a organização rodeou de grades metálicas enquanto mais uma fornada de castanhas era despejada no utensílio e cozinhada sobre uma fogueira crepitante por três homens munidos de uma espécie de pás de grandes dimensões.

Mal as barreiras foram afastadas, uma multidão impaciente confluiu para o assador, na expectativa de provar meia dúzia de castanhas ou de encher um saco de plástico trazido no bolso, nem que para isso fosse preciso derrubar alguém pelo caminho. "Que ganância, que vergonha. Isto está muito mal organizado", queixava-se uma mãe que levava a sua filha de tenra idade pelo braço, depois de uma tentativa frustrada de chegar perto do assador. "Há pessoas que levam sacos cheios. Uns levam um monte e eu não levo nada", lamentava ao seu lado um rapaz com ar desconsolado, que saiu do Terreiro do Paço sem provar uma única castanha.

As queixas de falta de organização e de civismo foram mais do que nunca, mas em relação à qualidade das castanhas não se ouviu uma única crítica. Muitos registaram com telemóveis e máquinas fotográficas a passagem do maior assador de castanhas do mundo por Lisboa, enquanto ao seu lado dezenas de pombos se banqueteavam com os restos de castanhas e as cascas atirados despudoradamente para o chão, apesar dos caixotes do lixo a poucos metros de distância. "

sábado, novembro 10, 2007

ONZE OBRAS CONTINUARÃO PARADAS EM LISBOA

Publicado no Expresso por Raquel Moleiro

Das 18 empreitadas abandonadas por falta de pagamento da Câmara Municipal, António Costa só conseguiu reactivar sete. As restantes exigem novo concurso.

Alfama e Mouraria são as zonas mais afectadas

Nas vésperas da eleição para a presidência da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa garantiu que, caso fosse eleito, esticaria ao limite as finanças da autarquia de forma a arranjar 6,8 milhões de euros para desbloquear 18 empreitadas que se encontravam suspensas por falta de pagamento. Cem dias passados só arrancaram três obras e outras quatro avançam nos próximos dias. Onze continuarão paradas por falência do empreiteiro ou rescisão dos contratos, o que exige a abertura de novos concursos públicos.

Até ao momento foi recomeçada a reabilitação do Jardim de S. Pedro de Alcântara que estará pronto em Fevereiro de 2008, a construção de uma residência para idosos em Campolide e a requalificação dos postos de limpeza na Rua Filipe da Mata (Rego).
Segunda-feira a Edifer retoma uma das maiores e mais antigas obras de Alfama, na Rua de S. Pedro, que desde há cinco anos vive na penumbra e inactividade - as peixeiras mudaram-se - devido aos tapumes. Nas imediações, o edifício municipal do Beco do Azinhal entrará em acabamentos nos próximos dias. Mais acima, no Castelo, a câmara já regularizou os pagamentos à construtora Soares da Costa e os trabalhadores regressam em breve à Rua do Recolhimento. A empreitada da Rua de São Bento, junto à Assembleia da República, tem o reinício marcado para 15 de Novembro.

Uma dívida da Câmara Municipal de Lisboa de 1,5 milhões de euros levou à falência da construtora Pavia e à consequente impossibilidade de reiniciar cinco empreitadas: a reconstrução da Rua Damasceno Monteiro (Anjos) e da Alameda da Linha de Torres (Lumiar), o prolongamento da Rua Gonçalo Mendes da Maia (Pedrouços), a conservação e reconstrução de arruamentos e passeios na cidade e trabalhos diversos de recarga de pavimentos. No lote dos irrecuperáveis estão também os trabalhos na Rua de Macau (Anjos).

Em Alfama há igualmente três empreitadas, todas incluídas no Projecto Integrado do Chafariz de Dentro, que não serão retomadas nos próximos tempos: a reabilitação no Beco do Espírito Santo, na Rua de São Miguel/Beco das Barrelas e na Rua Norberto Araújo. Este último, orçado em 5,6 milhões de euros tem um efeito visual especialmente marcante, afectando a vista do miradouro de Santa Luzia: em vez de rio e casario vêem-se chapas de zinco. Por fim, na Mouraria, a obra de conservação de vários edifícios continuará parada.

quinta-feira, novembro 08, 2007

O RISCO SÍSMICO NA CIDADE

Realiza-se no próximo dia 24 de Novembro de 2007, pelas 15h mais uma acção de sensibilização aberta a toda a população. Desta vez o tema é 'o risco sísmico na cidade'. O evento realiza-se na Rua dos Bacalhoeiros nº 22 C e é organizada pelo grupo de Protecção Civil da Freguesia da Sé. A presença de todos é importante, conto com a sua presença
Informação da Junta de Freguesia da Sé

terça-feira, novembro 06, 2007

HOTEL DOS LÓIOS

A GNR vai abandonar 108 postos que compõem o seu efectivo territorial. Várias localidades vão deixar de ser policiadas pela GNR e os respectivos postos vão fechar portas, enquanto que outras localidades vão ser entregues à PSP. No dia 14 de Dezembro a GNR e a PSP trocarão os últimos departamentos policiais, passando a caber à PSP a responsabilidade de policiamento nas freguesias ou concelhos com mais de 15 mil habitantes.

Esta não é só uma boa notícia porque a restruturação vai colocar cerca de 13.500 novos militares a patrulhar as ruas como pode significar que no futuro próximo a Companhia dos Lóios no Castelo de São Jorge e a Brigada Fiscal na Rua Jardim do Tabaco devolvam à cidade de Lisboa os espaços que ocupavam na zona histórica para serem transformados em equipamentos recreativas, culturais e desportivos.

- No Castelo de São Jorge fala-se na criação de um novo Hotel no espaço do actual quartel da GNR do Largo dos Lóios que o Castelo bem necessita.

- Na Rua Jardim do Tabaco a simples saída da GNR poderá vir a significar que se possa voltar a circular pelos passeios.

segunda-feira, novembro 05, 2007

CASTELO DE S. JORGE REVELA AEQUEOLOGIA

Publicado no DN por Luísa Botinas

No ano em que se comemoram os 860 anos da tomada de Lisboa, a autarquia da capital vai abrir ao público, a 25 de Outubro próximo, a área arqueológica do Castelo de São Jorge. Para tanto, a EGEAC, empresa municipal que gere os equipamentos culturais da cidade, conseguiu do Governo a comparticipação em 62% do projecto de valorização daquele conjunto patrimonial.
O montante global da candidatura apresentada pela EGEAC ao Programa Operacional da Cultura é de cerca de um milhão de euros, devendo a comparticipação chegar aos 623 mil euros. O projecto deverá permitir aos visitantes do castelo ver as escavações arqueológicas que revelam traços da ocupação islâmica e da Idade do Ferro.
A intervenção resulta de um protocolo entre a EGEAC, o Instituto Português do Património Arquitectónico e o Instituto Português de Arqueologia e consiste na colocação de estruturas de protecção dos vestígios arqueológicos e de encaminhamento dos visitantes (cobertutra dos vestígios e passadeiras de gradeado metálico, sobrelevadas em relação às estruturas arqueológicas).
A Praça Nova do Castelo de São Jorge, onde as escavações se iniciaram em 1996, terá um conjunto de estruturas à vista do público, incluindo um núcleo urbano do período islâmico, vestígios do Palácio dos Condes de Santiago e restos de habitações da Idade do Ferro. Na sala da cisterna e das colunas será instalado um núcleo museológico, com o espólio descoberto durante as escavações na Praça Nova. A sua abertura está prevista para 2008.
A estação arqueológica do castelo revela um antigo bairro islâmico sobre o qual foi construído o Palácio dos Bispos, que ali funcionou até ao terramoto de 1755.
Monumento nacional
Declarado monumento nacional em 1910, o Castelo de São Jorge ergue-se na mais alta colina de Lisboa, datando do século II a. C. a primeira fortificação conhecida.
As campanhas arqueológicas mais recentes permitiram registar testemunhos de ocupação desde pelo menos o século VI a.C. Fenícios, gregos, cartaginenses, romanos e muçulmanos por aqui passaram, sendo estes últimos os responsáveis pela definição dos limites da alcáçova, cujo perímetro corresponde, sensivelmente, aos limites da actual freguesia do Castelo.
A partir do século XIII, o castelo albergou o Paço Real, tornando-se Lisboa a capital do reino. No século XVI, deu-se a estreia da primeira peça de teatro português Monólogo do Vaqueiro, de Gil Vicente, comemorativa do nascimento de D. João III, sucessor de D. Manuel. Do mesmo modo, foi o castelo palco da recepção a Vasco da Gama, após a descoberta do caminho marítimo para a Índia.

sábado, novembro 03, 2007

SÓ AOS DOMINGOS É QUE SE PODE PASSAR NO TERREIRO DO PAÇO

Lisboa: dois mortos e um ferido grave em atropelamento no Terreiro do Paço
Publicado por Lusa/ Publico.pt

Duas mulheres morreram e uma ficou ferida com gravidade ao serem atropeladas por um automóvel, ao início da manhã, no Terreiro do Paço. O acidente obrigou ao corte do trânsito na zona durante duas horas e a condutora do ligeiro foi submetida a testes de despistagem de álcool e drogas.

Aconteceu por acaso?
- O número de carros em Portugal aumentou 135% nos últimos 15 anos;

- Dos 240 000 automóveis que circula em Lisboa 32% estaciona ilegalmente. Estes 240 000 automóveis equivalem a 2 faixas da auto estrada Lx-Porto completamente cheias. (Dados da Carris);

- Diariamente são atropeladas quatro pessoas em Lisboa;

- A pouca distância na mesma Avenida Infante D. Henrique o cruzamento com o Largo do Museu de Artilharia foi recentemente incluido pela CML no Programa de Acção de Identificação e Divulgação dos Pontos Negros na Cidade de Lisboa. O local é considerado como um dos 20 pontos negros da cidade de Lisboa, sendo que a definição de Ponto negro consiste num lanço de estrada com o máximo de 200 metros de extensão, no qual se registou, pelo menos, 5 acidentes com vítimas, no ano em análise, e cuja soma de indicadores de gravidade é superior a 20;

Que medidas é que têm sido tomadas na zona histórica para além de se encerrar o Terreiro do Paço aos Domingos? Nem sequer os parques de estacionamento estão assinalados.

domingo, outubro 28, 2007

POIS, CAFÉ


pois, café
Rua de São João da Praça, 95
Tel. (+351) 21 886 24 97
e-mail: pois@gmx.net

Simpático espaço localizado perto da Sé mobilado com diversas peças antigas onde se pode beber um café lendo um jornal ou uma revista sentado num confortável sofá.

quarta-feira, outubro 24, 2007

CONDICIONAMENTO AO TRÂNSITO NOS BAIRROS HISTÓRICOS CONTINUA A GERAR POLÉMICA

Publicado por Lusa / AO online

O condicionamento do trânsito nos bairros históricos de Lisboa, medida tomada em 2002, continua a gerar contestação por parte de moradores e comerciantes, mas a EMEL pretende manter a iniciativa.











Em Dezembro de 2002, o Bairro Alto torna-se a primeira zona histórica, de Lisboa, a ver algumas das suas ruas com trânsito condicionado, seguindo-se os bairros de Alfama (Agosto 2003), as zonas da Bica e de Santa Catarina (Maio de 2004), e a freguesia do Castelo (Setembro de 2006). Cinco anos depois, Maria Figueira, presidente da Junta de Freguesia da Encarnação, no Bairro Alto, considera que a medida de condicionamento “podia ser mais positiva”, e que é “muito urgente fazer uma avaliação da mesma, junto dos moradores e comerciantes”.
Aponta “dificuldades de comunicação com a EMEL” nos pontos de entrada na freguesia, e exemplifica que se um morador pretender descarregar compras em sua casa, já depois das horas de autorização, o controlador da EMEL não o deixa entrar na área condicionada. Quanto aos lugares de estacionamento, disponíveis para os moradores na Encarnação, cita que “não são suficientes”, e adianta que só existem na freguesia lugares para um terço dos moradores. A solução passa, defendem, por uma melhor comunicação entre os moradores e comerciantes do bairro e a EMEL.
Dulce Galhardo, 29 anos, é moradora e comerciante na zona da Bica (Bairro Alto), e lamenta “condicionar a sua vida aos horários da EMEL”, referindo ainda que a “atribuição de lugares nalguns parques exteriores é feita por sorteio”.
“Quando fecharam não nos perguntaram nada”, frisa Paulo Ribeiro, comerciante de 43 anos na Rua da Atalaia, também no Bairro Alto.
Já para António Mestre, 50 anos, igualmente comerciante do bairro, o local “está melhor do que antes”, e “o único inconveniente é os carros de apoio ao comércio não poderem entrar depois da hora limite”. Vítor Manuel, 53 anos, é lacónico: “É da pior ordinarice que houve”. Para este morador e dono de um café, “o comércio está a morrer” no bairro, apontando o dedo à EMEL.
Em Alfama a polémica também existe. No entender da presidente Junta de Freguesia de Santo Estêvão, Lurdes Pinheiro, o “trânsito continua desregulado” e a EMEL “diz que não é da sua responsabilidade”. Lurdes Pinheiro explica que tentou marcar uma reunião entre todos os interessados e a empresa municipal, mas esta tem vindo a adiar a reunião. Para piorar, salienta que a Carris se prepara para suprimir três carreiras que passam por Alfama.


Para Francisco Maia, presidente da Junta de Freguesia de S. Miguel, “só houve pequenas melhorias em termos de fluidez na circulação, mas que “em caso de incêndio, são mais fáceis e práticas as operações dos bombeiros. Há também quem lance a acusação de que “as regras não são as mesmas para todos”, como afirma Alberto Rodrigues, tesoureiro da Associação de Comerciantes de Alfama. “Há benesses” para algumas “empresas com um certo estatuto e com contactos privilegiados com as cúpulas, como por exemplo a “Continente e a Pão de Açúcar”, diz ainda. Anabela Santos, 58 anos, cabeleireira à 40 no bairro, é incisiva: “A EMEL está a matar Alfama”. Uma palavra de ordem espalhada por cartazes, ao longo da Rua dos Remédios. Outro problema que destaca é o de “muitos carros se estragarem nos pilaretes retrácteis”. Os mais idosos também se queixam, como é o caso de António Augusto, morador de 89 anos, indicando que “há ruas completamente fechadas”, o que “complica a vida aos mais idosos”.




A freguesia do Castelo foi a última a ver as suas ruas condicionadas, e para o presidente da junta, Carlos Lima, “o balanço foi favorável”. Em declarações à Lusa, o autarca declara que “houve concordância e acautelamento para que os comerciantes ficassem satisfeitos”, ao mesmo tempo que se criou “estacionamento para os moradores", o que veio “satisfazer” as suas necessidades. Mas avisa que os “parques de estacionamento mais próximos pagam-se e são caros”.
Quanto ao problema da segurança, aponta que a sua falta, no Castelo, “faz com que as pessoas não queiram deixar os carros longe”. Recém-chegado à freguesia, Pedro Pires, produtor de teatro, não vê com bom olhos a existência de parques pagos, e acha que a medida de condicionar o trânsito deve ser tomada apenas quando há “infra-estruturas para acolher os carros” no exterior. Este morador de 32 anos alerta para os veículos de pessoas que não são do bairro mas que lá ficam “noites inteiras”.


Para Marina Ferreira, presidente da EMEL, o sistema existente “dá qualidade de vida aos moradores” dos bairros, por isso diz que pretende mantê-lo. Na sua opinião deve haver uma “comunicação e articulação” com as juntas de freguesia, visto serem o “balcão de atendimento” que a EMEL usa para solucionar os problemas. Apesar da polémica que a empresa de estacionamento suscita junto de alguns moradores e comerciantes, a presidente da empresa municipal declara que “há grande apreço pela EMEL” nestes bairros. “O condicionamento melhorou a mobilidade” dentro dos bairros, destacando depois não ser “possível satisfazer toda a gente”. Confirma existir um “défice de lugares” de estacionamento e que Lisboa precisa de mais parques que sirvam as zonas históricas, sendo uma das soluções a “criação de parques subterrâneos”.
A Agência Lusa tentou ainda clarificar a situação junto do executivo lisboeta, mas a única declaração que obteve, de fonte da autarquia, foi que “a decisão foi tomada noutro mandato”, sem mais comentários.

SOCIEDADE PARA FRENTE DO RIO NÃO TERÁ PODERES DECISÓRIOS

Publicado pelo Jornal de Notícias

A sociedade que irá promover a reabilitação da frente ribeirinha de Lisboa - que incluirá a Câmara e o Governo - não deverá ter poderes de licenciamento, afirmaram à Lusa vereadores da Oposição na Autarquia lisboeta. A informação foi anteontem transmitida aos vereadores por António Costa, presidente da CML, durante uma reunião extraordinária dedicada à frente ribeirinha.

"Há o princípio, com o qual o presidente concorda, de que a empresa ou sociedade não tenha poderes de licenciamento, e nisto tem o apoio da vereação, o que lhe dá força para negociar com o Governo", disse a vereadora do movimento "Cidadãos por Lisboa" Helena Roseta, que já tinha manifestado a sua oposição à constituição de uma sociedade com as características da Parque Expo, que promoveu a Expo 98 e que tinha poderes de licenciamento. A vereadora, que tinha solicitado a reunião com o apoio dos restantes vereadores da Oposição, considerou que a sessão foi "extremamente útil", voltando a insistir na importância da discussão pública de qualquer projecto para a frente do Tejo. António Costa e o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado (PS), informaram igualmente os vereadores sobre o trabalho de delimitação das áreas sob jurisdição da Administração do Porto de Lisboa que não dizem respeito a actividades estritamente portuárias e que deverão passar para a soberania plena da Autarquia.

"Tem de haver uma clara separação das águas e agora há condições políticas para tal", disse por sua vez Carmona Rodrigues, anterior presidente do Executivo", acrescentando que o facto de o PS estar no Governo e na Câmara "ajuda muito". O ex-presidente da CML manifestou-se, contudo, "preocupado" em relação a alguns projectos da APL, dos quais tomou conhecimento na reunião, designadamente o "aterro da Doca do Espanhol, a construção de uma plataforma no cais de Alcântara, em frente a Santos, e o aumento da capacidade dos contentores". Já o vereador do PCP Rúben de Carvalho considerou "um passo muito importante" que as áreas da APL sem natureza portuária passem para a tutela da CML.

A Associação do Património e da População de Alfama (APPA) manifestou ontem o seu regozijo pelo anunciado abandono do projecto de terminal de cruzeiros em Santa Apolónia. "Tratava-se de um mau projecto, sem qualquer discussão pública, e que teria graves impactos em Alfama ao nível do acesso ao rio, de sistema de vistas, fluxos de tráfego e equipamentos sociais", sublinham os responsáveis, em comunicado. A associação volta a ainda a questionar "a oportunidade deste investimento". "Se se pretende reforçar a capacidade e o poder de atracção turística da cidade de Lisboa, não seria mais urgente investir no processo de reabilitação urbana dos bairros históricos", questiona a APPA que apela ao Governo, APL e à Câmara para que levem em conta os interesses e a vontade dos moradores em novos projectos que venham a apresentar para a zona ribeirinha.

 

PORTO DE LISBOA PROCESSA MIGUEL SOUSA TAVARES

Publicado no DN 05.10.2007 por Filipe Morais

 

A Administração do Porto de Lisboa (APL) anunciou ontem que deu entrada a uma queixa-crime contra o jornalista Miguel Sousa Tavares por "difamação". Em causa estão declarações de Sousa Tavares sobre o projecto da APL para o terminal de cruzeiros de Lisboa, que previa um edifício de 600 metros de comprimento junto ao rio. O jornalista classificou a Administração como sendo "um bando de malfeitores".

Ontem, a APL emitiu uma nota em que visa esclarecer a polémica em torno do projecto para o terminal de cruzeiros, em que tem sido acusada de não ouvir a Câmara de Lisboa. Assim, a APL sublinha que manteve várias reuniões de trabalho sobre o terminal de cruzeiros, que recebe cerca de 200 mil passageiros por ano sendo o porto europeu com maior movimento, com "a equipa liderada por Maria José Nogueira Pinto, na vigência da anterior vereação". Além destas reuniões, a APL acrescenta que foram mantidas outras reuniões de trabalho com a Parque Expo.

Quanto ao edifício do terminal de cruzeiros, a APL explica que o projecto que foi divulgado era "meramente, um estudo do que poderia vir a ser o terminal, o qual não foi objecto de qualquer aprovação". O Porto de Lisboa vai mais longe e "nega que exista um projecto de engenharia e/ou de arquitectura para o terminal de cruzeiros de Santa Apolónia". Apesar de já estarem em curso obras naquele local, é ainda referido que "está em curso, exclusivamente, a execução da obra marítima de consolidação da muralha".

O projecto foi contestado pela Câmara Municipal de Lisboa, tendo levado mesmo a que fosse votada uma inédita moção conjunta do vereador José Sá Fernandes (BE) e do movimento Lisboa com Carmona, do ex-presidente da autarquia, Carmona Rodrigues. A moção foi aprovada apenas com a abstenção do PSD e visava "contestar junto do Governo e da APL a construção do edifício projectado" para Santa Apolónia.

A APL vem agora afirmar que "por orientação expressa da tutela (Secretaria de Estado dos Transportes) o projecto para o terminal de cruzeiros deverá ser concretizado e desenvolvido em estreita coordenação com o Município de Lisboa." O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, já afirmou esta semana que o estu- do apresentado "está morto e enterrado", garantindo que este não será construído.

Foi o estudo de projecto revelado para aquela zona, que previa um edifício de 600 metros de comprimento e seis de altura, que motivou as críticas. Num debate promovido pelo Fórum Cidadania Lisboa e pela Associação do Património e da População de Alfama, a 28 de Setembro, Sousa Tavares disse que "ao contrário de pessoas que dizem que a APL tem coisas positivas, acho que é uma associação de malfeitores", acrescentando ainda que "é um inimigo público da cidade", pelas construções que autorizou. Presente no mesmo debate, o eventual próximo responsável pela frente ribeirinha, José Miguel Júdice, disse estar "numa espécie de limbo", já que não foi nomeado para qualquer cargo.
Ao DN Miguel Sousa Tavares disse preferir não comentar o caso. O contacto com o vereador do Urbanismo na CML, Manuel Salgado, não foi possível até ao fecho desta edição.