terça-feira, junho 05, 2007

PROBLEMAS DE TRÂNSITO EM ALFAMA

Um grupo de moradores da freguesia de Santo Estêvão participou na Assembleia Municipal de 15 de Maio. Em seu nome, Paulo Amaral fez uma intervenção sobre as questões do condicionamento do trânsito em Alfama.

EXMA. MESA DA ASSEMBLEIA

EXMAS. SENHORAS E EXMOS. SENHORES PRESIDENTES DE JUNTA

E DEMAIS ELEITOS

 

Somos moradores do bairro de Alfama, mais concretamente da Freguesia de Santo Estêvão, e vimos colocar a V. Ex.ªs alguns considerandos do que tem sido estes quase quatro anos de trânsito e estacionamento condicionado, imposto pelo Regulamento Específico da Zona de Estacionamento de Duração Limitada de Alfama.

Há cerca de 4 anos que o trânsito no Bairro de Alfama está sujeito a regras. Desde aí foi implementado um regulamento para condicionar o trânsito e o estacionamento nas ruas do Bairro.

Esse regulamento considera, entre outras coisas, trazer inegáveis benefícios para todos os moradores, nomeadamente:

·         a segurança dos moradores, que veriam melhorada a circulação de viaturas de emergência;

·         a circulação dentro do bairro, reduzindo bastante os bloqueios causados por carros mal estacionados;

·         a facilidade para o estacionamento dos moradores, ao afastar do interior do bairro muitas viaturas de visitantes e outros, apesar de os lugares existentes não serem suficientes para os automóveis dos moradores, e por isso existirem sempre dificuldades;

·         a melhoria do ambiente e da qualidade de vida de todos os moradores.

No entanto o que se verifica é que:

·         a segurança dos moradores passou para segundo plano, pois continua a verificar-se dificuldade na circulação das viaturas de emergência e da própria PSP;

·         continua a ser caótica a circulação nas ruas do bairro, pois ruas há em que existindo dois sentidos só consegue circular uma viatura de cada vez;

·         a dificuldade dos moradores em estacionar continua a verificar-se, pois grande parte das viaturas estacionadas não têm dístico de autorização para o fazerem;

·         o ignorar de todos os pedidos de reuniões e esclarecimentos, feitos pelos moradores e pela Junta de Freguesia de Santo Estêvão, por parte da administração da EMEL;

·         depois de todos estes contratempos, a qualidade de vida de quem mora no bairro não melhorou, pois continuamos a ter que dar voltas e voltas ao bairro para conseguir estacionar.

 

Assim, consideramos fundamental para o bem-estar da população do bairro de Alfama o que a seguir enunciamos: 

1.       A execução plena do Regulamento aprovado em sessão de Câmara;

2.       A fiscalização, por parte dos funcionários da EMEL ou da Polícia Municipal, das viaturas mal estacionadas, estacionadas há vários meses ou sem dístico de autorização para entrarem dentro dos limites do bairro, à semelhança do que é feito em outras zonas da cidade;

3.       Fazer com que o Regulamento não seja aplicado de forma arbitrária consoante o funcionário de serviço, para que as regras sejam uniformes, ou seja, não haver dois pesos e duas medidas para permitir ou proibir as entradas no bairro;

4.       Sinalizar nos acessos ao bairro a localização dos parques de estacionamento alternativos.

 

Para terminar:

Passados quase quatro anos da entrada em vigor da Zona de Estacionamento e Trânsito Condicionado no bairro de Alfama, os moradores sentem-se completamente – e sublinho completamente – abandonados pela Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa.

 

Lisboa, 15 de Maio de 2007

 

segunda-feira, junho 04, 2007

MORADORES SUSPIRAM POR ALFAMA DE "ANTIGAMENTE"

Obras no bairro 'alfacinha' arrastam-se há anos

Publicado pelo DN em 02.06.07


Obras municipais de reabilitação paralisadas e outras que correm a conta gotas em Alfama fazem a população suspirar pelo bairro de antigamente, antes da saída de muitos moradores e quando as ruas eram percorridas por milhares de turistas.

Comerciantes, moradores e os presidentes das juntas de freguesia de São Miguel e Santo Estêvão são unânimes em considerar que as obras são necessárias, mas queixam-se do arrastar dos trabalhos, alguns há 10 anos, e dos estaleiros espalhados pelo bairro lisboeta que dificultam a passagem nas ruas íngremes e estreitas da zona.

"Isto está um caos, está tudo parado, só se vê tapumes. São as obras de Santa Engrácia", afirmou José Meggi, proprietário de uma papelaria na rua de São Miguel, que teve de mudar de instalações há mais de dois anos quando começaram as obras no edifício, que entretanto pararam. As obras têm causado um prejuízo "muito grande" a José Meggi, justificando que os andaimes e o piso irregular causado pelas obras afastam as pessoas da rua.

Numa padaria em frente à loja de José Meggi, a funcionária, Maria, contou que os moradores estão sempre a reclamar das obras. "Há muito ratos e estes andaimes e tapumes dão muito mau aspecto ao bairro de Alfama, muito procurado pelos turistas", sustentou.

Por todo o bairro, encontram-se várias obras paradas tapadas com telas, já amarelecidas pelo tempo, com a inscrição "Obras de Reabilitação" da Câmara de Lisboa. “As telas ainda são do tempo de Pedro Santana Lopes", comentou à Lusa Carlos Dias, em frente a um edifício no largo de São Miguel, cujas obras de requalificação nem sequer chegaram a começar.

Nascido no bairro há 52 anos, Carlos Dias confessou que é com "muita tristeza" que vê o bairro em obras permanentes: "é mau para quem visita e para quem mora".

No Beco das Bandas, as obras de um grande edifício, integradas no Projecto Integrado do Chafariz Dentro, pararam há mais de seis meses, restando apenas algum entulho em frente à obras, contou à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de São Miguel, Francisco Maia.

"Temos queixas contínuas dos moradores. A Câmara de Lisboa não actua e nós somos descredibilizados perante a população", referiu o autarca.

Na Rua de São Pedro, quatro edifícios em obras, cujas telas e tapume escureceram a estreita rua, têm posto os nervos dos moradores em franja. Um deles é o Sr. Gonçalves, proprietário de uma mercearia, que se queixa da quebra no negócio. "Tiraram-nos a clientela toda e as obras nunca mais acabam para as pessoas poderem voltar para o bairro".

Ao cimo da Rua Norberto Araújo, quatro edifícios aguardam pacientemente há 10 anos a sua reabilitação e gera queixas dos moradores. "Isto já devia estar mais que pronto", afirmou um morador, acrescentando que esta situação prejudica o turismo: "quando os turistas vêem isto até têm medo de passar e ser assaltados".

Na Rua de São Pedro, um prédio, que ocupa quase um quarteirão, está com as obras paradas há cerca de três meses e na Calçadinha de Santo Estêvão um imóvel mantém-se emparedado há mais de 15 anos, suscitando alguma preocupação dos residentes.

Alguns metros mais há frente, no Beco do Espírito Santo, um edifício espera há cerca de seis anos pela conclusão das obras e obrigou, tal como nos outros prédios, ao realojamento das pessoas. "A minha mãe morou aqui toda a vida e teve de sair, com o desgosto sofreu um acidente cardiovascular", contou a filha da moradora.

"Muitos gostavam de voltar para o bairro, porque isto é uma família, mas já não voltam porque morrem entretanto, salientou Carlos Jorge, nascido em Alfama há 69 anos.

Para a presidente da Junta de Freguesia de Santo Estêvão, Maria de Lurdes Pinheiro, as obras têm causado enormes prejuízos para os moradores que ficaram no bairro e para os que tiverem de sair devido às obras. "São idosos que tiveram de ser realojados noutros locais e têm muitas saudades do bairro e dos vizinhos", justificou, lembrando ainda que é a autarquia que paga a renda dessas pessoas. Uma das lutas da população é a retirada de estaleiros do bairro, que consideram não ter utilidade, uma vez que as obras estão paradas.
Um desses estaleiros está situado no Largo Chafariz Dentro e outro no largo de Santo Estêvão. "O estaleiro no largo de Santo Estêvão - que servia de apoio a uma obra na Rua Guilherme Braga que está parada desde 2006 - está completamente vazio, com placas de metal a tapar o espaço, que está constantemente a ser vandalizado", disse a autarca. Além disso, acrescentou, está a ocupar uma zona onde os lugares de estacionamento são necessários. "Só tivemos prejuízos. As obras têm afastado muitos para atrapalhar, uma vez que está vazio", sustentou.

A crise financeira na autarquia acabou por implicar, "por falta de pagamento", a suspensão das obras de reabilitação urbana em Alfama, Mouraria e São Bento, segundo um relatório de execução financeira da autarquia relativo ao primeiro trimestre deste ano divulgado pelo Rádio Clube Português.

A Lusa contactou a Câmara de Lisboa para saber quantos edifícios foram recuperados e quantos faltam por reabilitar em Alfama, no âmbito dos três programas de requalificação 'Alfama Quem Cuida Ama', 'Lisboa a Cores' e 'Repovoar Lisboa', mas não obteve resposta em tempo útil.

PASSAGEIROS DO ELÉCTRICO 28 VÃO OUVIR FADO A PARTIR DE QUINTA-FEIRA

Publicado pela Lusa/ Jornal Sol

 

Setenta e três fadistas e 32 músicos participam a partir de quinta-feira e até 01 de Julho na iniciativa «Fado no Eléctrico nº 28», que pretende divulgar o fado amador pelas ruas de Lisboa

Os artistas convidados vão interpretar o fado mais tradicional e castiço junto da população que «deambula por Lisboa», refere um comunicado da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), da Câmara de Lisboa.

O evento, que já vai na quinta edição, decorre de 07 de Junho a 01 de Julho, de quinta-feira a domingo das 16h00 às 18h00 e das 19h00 às 21h00. O itinerário do eléctrico 28 passa pelo Martim Moniz, Graça, São Vicente, Alfama, Castelo, Sé, Baixa, Chiado, Calçada do Combro, São Bento, Estrela, Campo de Ourique e Prazeres.

A abertura da iniciativa, na próxima quinta-feira, contará com as actuações de Esmeralda Amoedo, Conceição Ribeiro, Milene Candeias, Ana Maurício, Luís de Matos e Henrique Batista, entre outros. No ano passado, 640 pessoas assistiram às participações de 65 fadistas e 23 músicos. O «Fado no Eléctrico» é uma iniciativa da EGEAC, e está inserida na programação das Festas de Lisboa deste ano.

 

sábado, junho 02, 2007

PS QUER TERMINAL DE CRUZEIROS EM ALFAMA

Manuel Salgado diz que obra «vai favorecer o turismo» na capital

Publicado em portugaldiario.iol.pt em 30.05.2007

O número dois da candidatura de António Costa à Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, defendeu esta quarta-feira a instalação do novo terminal de cruzeiros em Santa Apolónia, considerando-a uma localização «estratégica» para favorecer o turismo na capital, refere a Lusa.

«A localização está a ser estudada há vários anos e é uma localização estratégica porque é aquela que permite o acesso a pé ao centro da cidade», afirmou Manuel Salgado. O arquitecto falava aos jornalistas ao lado do cabeça-de-lista do PS às intercalares de 15 de Julho, António Costa, depois de uma reunião com associações do sector do turismo. O candidato socialista recebeu hoje representantes da Confederação do Turismo Português, Associação de Industriais da Hotelaria de Portugal, Associação de Restauração e Similares de Portugal, Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Associação Portuguesa de Casinos.

A instalação do novo terminal de cruzeiros do Porto de Lisboa em Santa Apolónia foi um dos assuntos abordados no encontro, nomeadamente a necessidade de se construir um parque de estacionamento com capacidade para entre 100 a 150 autocarros. O terminal de cruzeiros foi um dos projectos mencionados no plano de revitalização da Baixa-Chiado, elaborado por um comissariado presidido pela ex-vereadora do CDS-PP na Câmara de Lisboa, Maria José Nogueira Pinto, e que integrou Manuel Salgado.

sexta-feira, maio 25, 2007

RECONSTRUÇÃO DA BAIXA POMBALINA

A inevitabilidade do passado ou o que nos preocupa nas propostas de
Reconstrução da Baixa Pombalina?


Artigo do Arquitecto Gonçalo Cornélio da Silva publicado no DN em 16.11.2006
"Os meus sinceros parabéns pela Vossa iniciativa, o DN provocou acto de cidadania absolutamente extraordinario. Sou arquitecto dos quadros da CML, ex director da Unidade de Projecto de Chelas, realizei a minha Tese de mestrado nos EUA que versa sobre a recuperação da baixa Pombalina, na University of Notre Dame da qual fui bolseiro e professor de 2001 a 2003, e ainda bolseiro da FCG e FLAD."

A História Universal nasceu nas cidades. A cidade faz efectivamente parte da “essência da história” porque é ao mesmo tempo a concentração do poder social, protagonista essencial da história, da consciência do passado e veículo transmissor das tradições e do legado para o futuro.
Ao longo do Século XX, a sociedade procurou controlar tudo à sua volta desenvolvendo uma técnica especial para explorar e desenvolver de uma forma “capitalista” o território. A essa técnica chamaram “urbanismo”, que no fundo é nitidamente a posseção do ambiente natural e humano. Um domínio absoluto absorvendo a totalidade do espaço, e posteriormente transformado convenientemente numa ciência, onde o arquitecto deixou de ter o seu lugar, muitas vezes por culpa dele próprio. Por este motivo o urbanismo é uma arte, e não uma ciência como alguns pretendem.

Na realidade, e ao longo do século passado temos assistido à destruição das cidades e às várias tentativas de reconstrução de uma “paisagem pseudo-rural”, onde na realidade todas as relações naturais do campo/rural, as relações sociais directas ou indirectas são inexistentes, resumindo-se a umas tentativas demagógicas envergando uma camisola ecológica que pretendem recriar de uma forma fictícia a “paisagem rural”, provocando o colapso da própria cidade historica e portanto atentando contra a identidade das suas gentes, ridicularizando inclusivé a própria paisagem rural. Na realidade as várias experiências, correntes e teorias ao longo desse século, transformaram-se numa excitação e exaltação egocêntrica e numa busca incessante e pueril da originalidade.

Um despotismo em nome do progresso, centralizador, estatizante, burocrático falseado e subsidiado por “um espéctaculo sofisticado e organizado, suportado por enganos e ignorância” como nos diz Guy Debord, em La Société du Spectacle. Estes novos aglomerados ou cidades pseudo rurais falsamente tecnologicos inscrevem-se claramente em ruptura com o Homem, com a historia e com o seu legado, (Vide, o trágico acidente, nos Olivais resultante da pratica urbana fundada na Teoria de Cidade Jardim, com traçados de ruas que permitem grandes velocidades aos automóveis). Na verdade, o momento histórico da revolução industrial e o surgimento das ideologias sociais têm grande influência no desenvolvimento do urbanismo modernista. “A necessidade de manter a ordem na rua, culmina na supressão da própria rua” e com os “meios de comunicação das massas sobre as grandes distâncias, o isolamento da população, tornou-se um meio de contrôle bem mais eficaz”, tal como nos conta Lewis Mumford em La Cité atravers l’Histoire.

A Baixa Pombalina contradiz vários historiadores que afirmam que é sómente no século XX que surge a Arquitectura, porque esta no passado estava reservada a satisfazer somente as classes dominantes. Efectivamente e ao longo do século passado o modernismo vem desenvolvendo uma nova arquitectura para “os pobres”, caracterizada por uma miséria formal, em extensões gigantescas, implantadas de forma aleatória, para uma nova experiência habitacional, uma prática profundamente rendida ao capitalismo e numa visão economicista da construção, numa evidente alienação social, na destruição das relações sociais e de cidadania, (vide aglomerados urbanos de habitação social marginais às cidades). Ora, o projecto de reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755 é revelador de uma grande Equidade Social, e julgo eu pela primeira vez na história das cidades, todas as classes sociais estavam representadas e viviam no mesmo edifício, (esta é a verdadeira novidade e não por motivos constructivos). É a Equidade Social projectada há 250 anos, o verdadeiro factor de Classificação da Baixa Pombalina como Património da Humanidade, e que me faz ter orgulho em ser Português.

O que está em jogo não é um conjunto de intenções para um projecto de Reabilitação da Baixa Chiado, o que me preocupa são as filosofias, vaidades e compromissos.
Por um lado, uma filosofia de alienação da nossa cultura e identidade, por outro lado os compromissos assumidos anteriormente, e dos quais não ouço ninguém a manisfestar-se. As várias propostas e projectos previstos são de uma visão egocêntrica, provinciana e economicista, e disso tenham perfeita consciência, poderam vir a destruir para sempre a frente histórica da Cidade de Lisboa. Com estes projectos, dos 2,4 km de passeio ribeirinho entre Santa Apolónia e Cais do Sodré sómente 800 metros serão acessiveis e passíveis de passeio ribeirinho. O Conjunto Urbano da Baixa Pombalina não vai sobreviver á construção da Agência Europeia de Navegação e Observatório Europeu de Toxicodependência no Cais do Sodré (obviamente importantes para Portugal), muito me surpreende a falta de pudor dos seus autores, e que não seja mais forte o peso de uma imagem colectiva de 250 anos. Assim como difícilmente o Terreiro do Paço voltará a ter o seu valor quando da construção do mega terminal da estação Sul-Sueste que será maior que o próprio vão do Terreiro do Paço. Como também a imagem inconfundível do cair da colina de Alfama sobre o Rio Tejo terminará no dia em que for realizada a praia de betão para atracar 6 paquetes com mais de 30 metros de altura e que nem 24horas ficam em Lisboa.
Quero acreditar que dificilmente a Baixa Pombalina será classificada de Património da Humanidade caso estes projectos venham a ser construídos.

A frente histórica tem necessáriamente que ser concluída, tal como em Barcelona, quando no século XX se estendeu a malha urbana de Cerdá, é necessário restabelecer a aresta Rio-Cidade, e não polvilhar e empastelar de edíficios de forma aleatória ou unicamente subjugado aos desenhos e traçados de fluxos de trafego.
Lisboa tem um potencial único, é actualmente a única capital da União Europeia com capacidade de aumentar o seu Centro Histórico sem ser descaracterizado.
É do conhecimento de todos, que os vários programas financeiros revelaram-se inadequados, e não vale a pena justificarmos todos sabemos os motivos, é pois necessário recuperar sem esperar por decisões dos particulares, como já se fez, é necessário densificar criar mais habitação com o mesmo modelo, diversificar as dimensões dos lotes de modo a não excluir as bolsas mais desfavorecidas.

Quanto ao trânsito de veículos, relembro aos mais destraídos que o Rio Tejo sempre foi uma via comunicação, e confesso que deverá ser difícil para alguns aceitar que o meio de transporte actualmente é efectivamente o automóvel, que substituem hoje as antigas faluas do Tejo, e por este motivo necessáriamente deverão atravessar o Terreiro do Paço, tal como os barcos o fizeram outrora. Aliás há que distinguir dois passeios, um o passeio eminentemente histórico ao longo da Rua dos Bacalhoeiros e Arsenal e o outro ao longo da margem a pé ou nas “faluas” de hoje. Não podemos consecutivamente comprometer o futuro como já sucedeu no passado, todos sabemos que no Projecto de Reconstrução do Chiado, devido à teimosia de alguns não foi realizado e aproveitado os desníveis para criar mais estacionamento quando da fatalidade do incêndio.

Será necessário criar condições de atracção para o comercio e mais valias económicas para aqueles comerciantes resistentes os verdadeiros heróis da Baixa Pombalina, pois são eles que mantêm ainda o bater do fraco coração da Baixa-Chiado que tem vindo a sofrer de erros urbanisticos realizados em nome do “progresso”.
A revitalização do Centro Histórico da Baixa de Lisboa deve repor a veracidade, a autenticidade e a intencionalidade do Terreiro do Paço, não deixando que outros espaços urbanos possam competir com a sua grandeza, actualmente o espaço urbano criado pelos edifícios do Arsenal da Marinha e o Campo das Cebolas estão em directo desafio, por este motivo é urgente construir estes espaços e reconstruir os torreões realizando a sua cobertura tal como estaria prevista.
Este é O desafio do século XXI de um Portugal Humanista, o Projecto de Reconstrução da Cidade de Lisboa não está terminado. A Cidade de Lisboa é o Nosso maior armazém de memória cultural. Esta será sem dúvida a maior oportunidade para projectarmos a Nossa Imagem ao mundo e posteridade. As grandes cidades do passado nas quais ainda vivemos, falam pelos seus sonhos e aspiraçoes das suas sociedades, e devem entender a Memória não como uma nostalgia de glórias vãs mas como uma inspiração para as realizações dinâmicas e contemporâneas. Quanto mais proxima a criação urbana chegar ao Nosso passado colectivo mais frutuosa será a inspiração no futuro, pois o valor da memória é a sua capacidade inspiradora.
Pelo meu lado acredito na sensibilidade e cultura da Vereadora Maria José Nogueira Pinto e na preocupação social do Professor Carmona Rodrigues.

MARATONA DE FOTOGRAFIA DIGITAL DE ALFAMA


[1ª Edição]O QUE TE SURPREENDE EM ALFAMA?12 HORAS 12 SURPRESAS 12 FOTOGRAFIAS


SÁBADO, 23 JUNHO 2007, das 10h00 às 23h00

Organizado pela Associação do Património e População de Alfama, a Maratona pretende levar os amantes da fotografia digital a observar e sentir, durante 12 horas, as ruas e os diferentes ambientes das Freguesias de Santiago, Sé, Santo Estevão, São Miguel e São Vicente de Fora. Na edição deste ano os participantes serão desafiados a percorrer alguns locais surpreendentes e insólitos de Alfama, nos quais ser-lhes-ão sugeridos outros pontos de interesse e, ao mesmo tempo, lançadas reflexões que pretendem provocar diversos e diferentes percursos fotográficos. Sem nunca esquecer os grandes temas de intervenção da APPA, o Património e a População.
Ao longo do percurso o participante será também surpreendido com intervenções culturais de curto formato – animação de rua, sessões de contos, instalações, mostras de artesanato, etc. - e no final da noite será convidado a conviver com os outros participantes, a organização e a própria população de Alfama numa musicada colectividade do bairro.

Início da maratona: 10h00 Sede da APPA

Mais informações: http://maratona.app-alfama.org; mail@app-alfama.org; Tlm 933210285 / 962395799 / 918337491
Inscrições:Data: até 21 Junho 2007

Local: Museu do Fado (Largo do Chafariz de Dentro 1 10h00-18h00 T. 218 823 470)

Preço: 10€ (01 – 17 Jun) 15€ (16 – 21 Jun)

Prémios: Melhor Grupo de 12 Fotografias Melhor Fotografia Individual

Os premiados serão dados a conhecer no mês de Setembro do presente ano numa cerimónia de entrega de prémios a realizar durante as comemorações do 20º aniversário da APPA. Ao mesmo tempo, os trabalhos seleccionados serão reproduzidos em formatos não convencionais e expostos pelas ruas e outros espaços do bairro.

quinta-feira, maio 24, 2007

SITUAÇÃO DE "RUPTURA"

Câmara de Lisboa acumula uma dívida de 833 milhões de euros a fornecedores

Publicado 23.05.2007 pelo Jornal de Negócios com a Lusa

 

A Câmara Municipal de Lisboa acumula uma dívida a fornecedores de 832 milhões de euros, uma situação de "ruptura financeira", de acordo com o relatório de execução financeira da autarquia relativo ao primeiro trimestre deste ano.

Segundo o relatório de execução financeira do primeiro trimestre de 2007, citado hoje pelo Rádio Clube Português, existe um "desequilíbrio financeiro estrutural ou de ruptura financeira" na autarquia lisboeta.

A 31 de Março deste ano, a dívida a fornecedores a curto prazo situava-se nos 316 milhões de euros, sendo a dívida a fornecedores a médio e longo prazo de 516 milhões de euros.

A dívida a fornecedores na globalidade representa 90 por cento da receita de 2006, afirma o relatório, acrescentando que "evidencia um agravamento da situação financeira nas suas várias vertentes".

"Em termos de tesouraria, a situação tende, de igual modo, a agravar-se, atenta a execução da receita extraordinária, que se situa muito abaixo dos valores considerados desejáveis", refere o documento.

Entre as obras que se encontram paradas, o relatório enumera, entre outras, três "mega-empreitadas" de reabilitação urbana em Alfama, Mouraria e São Bento suspensas "por falta de pagamento".

No que diz respeito ao túnel do Marquês, há uma "factura em dívida de 3,5 milhões de euros" à Construtora do Tâmega SA e estão por cabimentar 5,3 milhões de euros.  

terça-feira, maio 22, 2007

A ELITE DE LISBOA

Pelo Prof. Dr. Paulo Varela Gomes (pgomes@darq.uc.pt), no Público 10-05-2007
O maior problema de Lisboa são os fazedores de opinião de Lisboa, precisamente esses que dizem que os maiores problemas de Lisboa são... etc e tal. Na verdade, achar que o problema de Lisboa tem que ver com maiorias camarárias ou finanças é indicativo de uma extraordinária miopia política e cultural que mostra muito precisamente o seguinte: Lisboa é um assunto demasiado sério para ser deixado aos lisboetas. Não me refiro à maioria dos lisboetas, aos lisboetas das 9-às-5, mas sim à elite lisboeta, aos fazedores de opinião lisboetas, aos seus colunistas, jornalistas, cineastas, escritores, poetas, músicos, actores - todos aqueles e aquelas que mostram Lisboa a si mesmos e aos outros, são ouvidos sobre Lisboa, fazem a "imagem" de Lisboa. São estes e estas que têm a responsabilidade de ter deixado chegar Lisboa ao estado a que chegou ao longo de sucessivas gestões camarárias de gente sem visão e sem rasgo, incluindo Jorge Sampaio, João Soares, Santana e Carmona. A elite (e os jovens, os jovens...) de Lisboa têm essa responsabilidade porque, iludidos pelo aumento da oferta cultural e de entretenimento que a cidade sem dúvida vem experimentando nas últimas décadas, não viram - literalmente não viram e não vêem - a degradação do espaço público, a fealdade crescente, a decadência brutal da qualidade de vida de Lisboa, uma das cidades menos user friendly da Europa, certamente a mais descuidada, suja, anárquica e rasca das suas capitais. A elite de Lisboa, aos gritinhos de contentamento com o "cosmopolitismo" da sua cidade, nem ao menos tem o discernimento de detectar o paternalismo condescendente com que os estrangeiros olham para o terceiro-mundismo dos graffiti, do lixo, dos carros estacionados por toda a parte, dos edifícios em cacos, do horror dos subúrbios, da vergonha das entradas na cidade, da porcaria dos transportes públicos, do inferno do trânsito. Esta elite, toda satisfeita, deixou a política de Lisboa aos políticos de Lisboa. E estes são tal e qual aquilo que Pacheco Pereira escreveu no PÚBLICO de 5 de Maio último, num dos mais certeiros e dramáticos textos alguma vez produzidos sobre a política portuguesa (Pacheco Pereira esqueceu-se do PCP, cujo aparelho lisboeta é do mesmo género que os do PSD e do PS; esqueceu-se até do facto de que a posição camarária dos comunistas em Lisboa constitui um dos factores históricos mais importantes da acomodação do PCP ao regime; pelas sinecuras da Câmara Municipal de Lisboa, o PCP passou a estar disposto a vender a alma. E vendeu-a várias vezes). O abandono da política de Lisboa pela sua elite é espelhado exemplarmente naquilo que sucedeu ao Bloco de Esquerda, um partido que deveria ser eco dessa elite mas que está entregue de pés de mãos atados a um candidato-vereador com mentalidade de polícia."

sexta-feira, maio 18, 2007

PROCURA-SE CANDIDATO(A) À CML

Honesto(a) - que não venda a cidade por uns trocos

Exemplar – com provas dadas e disposto a avançar com a reforma administrativa da cidade já

Lisboeta - porque dos outros que não são nem gostam de Lisboa mas querem poleiros já há muitos

Elucidado(a) - Que trate os problemas de Lisboa por “tu” e apresente soluções sem necessitar que os assessores elaborem previamente o programa de campanha

Não alinhado(a) com os interesses dos partidos - Apartidário mas não apolítico, que ponha os interesses da cidade acima dos interesses dos partidos e que não tenha sido enjeitado de outro cargo político para dar um jeitinho ao partido

Apaixonado(a) – por Lisboa de preferência alfacinha

LISBOA DOWNTOWN 2007

Pelo 8º ano consecutivo o caos volta a Alfama, apesar dos comerciantes e dos residentes de Alfama serem constantemente martirizados pela falta de estacionamento desde terça-feira que a zona começou a ser ocupada pela caravana de um fantástico evento (o único) que acontece em Alfama mas que continua com graves problemas ao nível da organização porque a APL não fala com a CML e dentro da CML ninguêm se entende e mais grave que tudo a poucos metros junto ao rio o espaço dos parques de estacionamento está vazio mas os moradores não podem estacionar lá os carros quando discricionariamente alguêm na CML e nas Juntas de Freguesia decide todos os anos autorizar que os poucos lugares de estacionamento dos moradores sejam ocupados pela caravana sem oferecer alternativas.
















Como nada mudou e é previsivel que não vá mudar tão depressa fica aqui a seguinte sugestão:

O evento agora designado por LISBOA DOWNTOWN 2007 que já se designou por Red Bull Lisbon Downtown para o ano bem podia chamar-se LISBOA DOWNCAOS 2008.

segunda-feira, maio 07, 2007

PSP DE MOTA EM ALFAMA

A criminalidade desceu no bairro graças ao patrulhamento em duas rodas
Por Sónia Graça sonia.graca@sol.pt

O POLICIAMENTO motorizado e de proximidade que a PSP implementou há um ano no bairro de Alfama, em Lisboa, está a surpreender moradores e comerciantes pela eficácia. Num relatório estatístico a que o SOL teve acesso, os números dão conta de uma redução de 6% na criminalidade que alastrava nas freguesias de São Miguel, Santa Engrácia, Santo Estévão e São Vicente de Fora. Em 2006, houve menos 37% de roubos, menos 45% de furtos por carteiristas e os assaltos a residências diminuíram 43%.

Apoiar e proteger os turistas — as principais vitimas sinalizadas até à data - dos assaltos à mão armada foi um dos objectivos deste projecto-piloto, que levou para as ruas do bairro dois motociclos em permanente circulação.

Chegamos a todos os becos, cantos e escadinhas

«Os carros-patrulha não eram eficazes porque as ruas são muito íngremes e estreitas e acolhiam facilmente os carteiristas», explica o sub intendente Coelho, comandante da 15a esquadra da PSP. «Estes veículos permitem chegar a becos, cantos e escadinhas das ruas, que dantes não alcançávamos, acrescenta.

Antes, admite, «a polícia só aparecia quando acontecia alguma ocorrência». Desde Maio do ano passado que os moradores têm um contacto quase diário com os agentes policiais, que passam a limpo as ruas num período flexível. «Alargámos a vigilância até às 22 horas e passámos a ter pessoal destacado só para estas funções», adianta o subintendente Coelho.

Mas este novo modelo de cobertura não beneficiou apenas os grupos de turistas que visitam o país, sobretudo durante o Verão, e escolhem aquele bairro típico. Muitos comerciantes e idosos da zona aplaudiram a iniciativa, bem como a Associação de Restauração e Similares de Portugal, a Associação Industrial, Comercial e Serviços de Alfama, Guias Turísticos de Portugal, a Administração do Porto de Lisboa e o Turismo de Lisboa.

Alargamento a outros bairros lisboetas

E o poder local tem feito eco destes resultados. Há 29 anos que Francisco Alves, presidente da Junta de Freguesia de São Miguel, conhece o bairro de Alfama com «problemas de policiamento, toxicodependência e furtos a automóveis e a turistas». Este programa, para ele, foi a melhor medida: «No arraial popular costumavam desaparecer mais de 20 carteiras, e este ano nem uma. A venda de droga também baixou e até já houve cães apreendidos por falta de licença». Estes resultados vão, em breve, motivar o alargamento deste policiamento a outros bairros tradicionais de Lisboa.

domingo, maio 06, 2007

POLICIAMENTO EM ALFAMA

Publicado em aresp.pt

O Turismo de Lisboa encetou um conjunto de acções no sentido de colaborar com o esforço que está a ser desenvolvido pela 15ª. Esquadra da PSP, no Bairro de Alfama com vista ao reforço da segurança dos turistas nesse Bairro de Lisboa.

Assim, a PSP destacou um patrulhamento especial das 08h00 às 20H00, cujos resultados já são visíveis no abaixamento significativo do nº de queixas apresentadas por Turistas relativamente a acções criminosas naquele Bairro.

Para que os agentes destacados no Bairro disponham do maior número de informação sobre a movimentação de turistas naquela área, solicita-se, sempre que possível, informação à PSP – 5ª Divisão, dos autocarros que deslocam para Alfama através do e-mail micoelho@psp.pt.

sexta-feira, maio 04, 2007

A QUEDA DE UM ANJO

Num país onde:
- Não se conhece a validade do diploma do Primeiro-Ministro José Sócrates;
- O Presidente do Governo Regional da Madeira - João Jardim - agride os seus conterrâneos e insulta o Presidente da República, o Primeiro-Ministro... enfim todos os que se lhe opõem, enquanto embolsa as ajudas dos colonialistas para inaugurar obras durante as campanhas eleitorais sem que ninguém de direito (Presidente, CNE, tribunais, o líder do partido) se pronunciem, com medo das ameaças separatistas, de um demente que devia estar preso;
- O Presidente da Câmara de Oeiras - Isaltino Morais - tem contas bancárias onde é acusado de depositar, em cash, milhões em "comissões";
- A Presidente da Câmara de Felgueiras - Fátima Felgueiras - foge à justiça e regressa a Portugal para ser reeleita;
- O Presidente da Câmara de Gondomar - Valentim Loureiro - é acusado de 26 crimes de corrupção activa, sob a forma de cumplicidade, e dois crimes dolosos de prevaricação;
- O sr. Pinto da Costa, comemora 25 anos na presidência do FCP apesar dos comprovados "rebuçadinhos" aos árbitros.

E foram eleitos porque fizeram obra !!???

Moral da história:
No caos do caso do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa - Carmona Rodrigues - há pelo menos uma certeza evidente, é impossível fazer política sem o apoio dos partidos em Portugal.

segunda-feira, abril 30, 2007

LISBOA E TEJO E TUDO

Opinião de Miguel Sousa Tavares. Publicado no Expresso 30.04.2007

Pois então, lá vamos outra vez. A distinta Administração do Porto de Lisboa (APL) está lançada em mais uma tentativa de nos roubar parte do Tejo. Agora é o projecto do novo terminal de passageiros de paquetes em Santa Apolónia. Um muro de construções de oito metros de altura por seiscentos de comprido (!), que inclui centros comerciais e hotel. Também na zona do Cais do Sodré está a nascer, a uma velocidade incrível, uma construção maciça, em cima do rio, e que vai quase até ao Terreiro do Paço, eliminando uma zona de jardim, de passeio e de vista. Suponho que seja também obra do porto de Lisboa, uma vez que nenhuma placa no local indica do que se trata e eu já sei que, à beira-rio, do Parque das Nações a Algés, mandam esses senhores e ninguém tem mão neles.

Este porto de Lisboa é verdadeiramente um «case study» de pirataria impune. Têm ao seu dispor a melhor de todas as zonas da cidade de Lisboa: 13 quilómetros de frente de rio — um luxo em qualquer cidade do mundo. São terrenos do domínio público marítimo, isto é, terrenos públicos, cuja atribuição à APL tem como único fim e fundamento a sua alocação à actividade portuária. Mas como, devido ao triunfo do transporte por terra e por via aérea, grande parte desses terrenos se tornaram desnecessários para o porto de Lisboa, a APL, em lugar de os entregar à Câmara e à cidade, visto que deles já não precisa, insiste em entregá-los antes à especulação imobiliária, transformando-se a própria APL em promotor imobiliário. Sem ter de se sujeitar ao PDM da cidade, sem nada dizer à Câmara e sem se preocupar minimamente em saber se por acaso os lisboetas se importam de ver o rio entaipado. Já escrevi sobre isto inúmeras vezes e de cada vez parece que é necessário repetir a evidência: estas cíclicas tentativas da Administração do Porto de Lisboa de se comportar como dona do Tejo, sem dar satisfações a ninguém, são ilegais, escandalosamente abusivas e, de tão insistentes, já se começam a tornar suspeitas. Será que não há ninguém que consiga explicar aos senhores da APL que a sua única função é gerir o porto de Lisboa o melhor que souberem e puderem e nada mais?

Claro que tudo isto se desmanchava em dois tempos com um presidente da Câmara à altura das responsabilidades. Mas quem viu Carmona Rodrigues, na inauguração do Túnel do Marquês, a fugir literalmente dos jornalistas, para não ter de responder a perguntas comprometedoras, percebeu definitivamente, se dúvidas ainda alimentasse, que Lisboa está sem presidente da Câmara. Carmona Rodrigues, não tenho uma dúvida, é um homem sério e bem intencionado: ele quer o melhor para Lisboa, só não sabe é o quê. Não tem dinheiro, não tem projectos, não tem ideias, não tem peso político próprio e nada mais deseja já do que escapar às perguntas, às questões, aos problemas.

Não é o único culpado. Os primeiros culpados são aqueles lisboetas que confundem política com telenovelas e que resolveram, displicentemente, trocar o melhor presidente da Câmara que Lisboa teve nos últimos trinta anos — João Soares — por um vendedor de banha da cobra que, na primeira oportunidade, se pirou para melhor poiso e, assim que foi despedido por gritante incompetência, voltou à Câmara, para giboiar durante uns meses — como se aquilo fosse uma sinecura pessoal e não um lugar de trabalho. Santana Lopes deixou-nos a Câmara arruinada, os amigos por todo o lado, um casino para o sr. Stanley Ho, um imbróglio policial e urbanístico no Parque Mayer, uns negócios de favor com o Benfica e o Sporting e um túnel no Marquês que, ao fim de quatro anos de atraso, estreou-se incompleto, não se sabendo se é seguro e quanto terá custado ao certo. E foi tudo. Bem feito para os que votaram nele. O pior são os outros, que não têm nada a ver com isso.

O segundo culpado é Carmona Rodrigues. Primeiro, viveu dois anos a fazer de número 2 de alguém que só existe como número único e a caucionar-lhe todos os disparates; depois, herdou-lhe subitamente a Câmara, com a promessa de que jamais voltaria, mas assim que ele voltou encaixou um “chega para lá!” humilhante sem um protesto; enfim, quando pôde concorrer como número 1 e sem a sombra abafante de Santana Lopes, Carmona não soube escolher a sua gente, não foi capaz de ter um plano de acção nem meia dúzia de projectos mobilizadores e nunca se mostrou à altura de uma vitória caída do céu e só tornada possível pela vaidade suicida do ‘embaixador’ Manuel Maria Carrilho.

O terceiro culpado é o Partido Socialista, incapaz de perceber que a batalha pela Câmara de Lisboa e por uma gestão exemplar para a cidade podia ser uma luta política de referência e que se limitou antes a imaginar que só interessava ganhar a eleição — e que isso se conseguia com a beleza da Bárbara Guimarães e a esperteza saloia da inacreditável equipa autárquica que por lá tem, supostamente na oposição. Foi, sim, uma derrota política exemplar — das mais merecidas e pedagógicas de que me lembro.

E passo por cima do desempenho do PCP e do PP na Câmara de Lisboa, apenas dizendo que nunca descortinei motivo para tão generosos elogios da nossa imprensa: nunca dei por que eles fizessem qualquer diferença. Em minha opinião, a CML e a cidade de Lisboa só têm um único rosto de alguém que ali está ao serviço dos munícipes, e é altura de lhe prestar homenagem: é, obviamente, José Sá Fernandes, do Bloco de Esquerda. Por favor, não me venham com aquele discurso «blasée» dos ‘pregadores’ do Bloco de ‘Esquerda’ e “já não há pachorra para os ouvir”: a política mede-se pelos resultados concretos para pessoas concretas, e nada melhor do que a política das cidades para medir esses resultados. A única pessoa na Câmara de Lisboa que eu tenho visto conhecer os assuntos, bater-se pelo bem comum, não ter medo de enfrentar os interesses instalados e os influentes que mandam na cidade e não cobiçar cargos e mordomias nas empresas municipais ou outros ‘tachos’ sempre ao dispor é José Sá Fernandes. A mim tanto me faz que seja do Bloco de Esquerda, do PP ou do Partido da Estratosfera. E não é por acaso que, mais uma vez, ele é o único a denunciar os novos planos de saque e rapina do porto de Lisboa. Que pena que não seja ele o presidente da Câmara neste momento e que a maior preocupação do actual presidente e da actual vereação seja a de saber quantos e quais vão ser constituídos arguidos naquele inenarrável desastre inventado para o Parque Mayer!

domingo, abril 29, 2007

JOVEM SUBIU A UMA CARRUAGEM E SOFREU FORTE DESCARGA ELÉCTRICA



Daniel Lam

Por motivos ainda desconhecidos, um jovem de 19 anos resolveu subir para uma carruagem estacionada entre a discoteca Lux e a estação de comboios de Santa Apolónia, em Lisboa. Içou-se até junto da catenária (cabo que fornece energia eléctrica às automotoras) e recebeu uma violenta descarga eléctrica, ficando ferido com queimaduras de segundo e terceiro grau em 61% do corpo. Fonte da Rede Ferroviária Nacional (Refer) esclarece ao DN que a empresa pública "não tem qualquer responsabilidade sobre o que sucedeu e também nada pode fazer para impedir que se repitam situações destas".

"Lamentamos a situação, mas não podemos fazer nada, porque, neste caso, tudo depende do bom senso de cada um. Não parece normal uma pessoa subir a uma carruagem para se aproximar de um sistema eléctrico de 25 mil volts", disse a mesma fonte da empresa Refer.

Adiantou que "as catenárias estão instaladas a seis metros de altura - portanto não atingem as pessoas - e integradas num perímetro de segurança de 2,5 metros que não pode ser invadido, porque é proibido fazê-lo. A zona está devidamente sinalizada como local de perigo".

Os factos ocorreram pelas 04.10 da madrugada de sábado, suspeitando-se que o jovem ferido por electrocussão teria acabado de sair da discoteca Lux ou de outro espaço de diversão nocturna da zona.

Após ter subido para a carruagem e sofrido a descarga eléctrica, o jovem, com "queimaduras e hematomas, foi sedado e ventilado no local por elementos do INEM, seguindo depois para o Hospital de S. José", revelou ao DN fonte do INEM.

Para o local foram mobilizados um médico, um enfermeiro, dois técnicos de emergência médica, uma ambulância e uma viatura médica.

quarta-feira, abril 25, 2007

CONTESTAÇÃO A PROJECTO DA APL EM SANTA APOLÓNIA

Publicado no DN, por Luísa Botinas

O vereador eleito pelo Bloco de Esquerda no município de Lisboa, José Sá Fernandes considera "inqualificável" o anúncio da consignação da primeira fase da obra do terminal de cruzeiros de Santa Apolónia aos empreiteiros, sem que a Câmara de Lisboa se tenha pronunciado. E por isso disse já ter pedido uma reunião com a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino.Sá Fernandes , aponta o dedo sobretudo a Carmona Rodrigues e ao "seu silêncio" perante "esta ilegalidade". É que segundo o vereador, "a frente Santa Apolónia até à doca da Marinha é a última onde ainda se consegue ver o rio, mas que depressa acabará quando o terminal for construído e quando cinco barcos de cruzeiros atracarem. Além do mais, a autarquia tem que se pronunciar quando os projectos incluem hotéis".Sá Fernandes não está só na contestação a este projecto que representa 45 milhões de euros de investimento total. Um grupo de cidadãos, unidos no Forum Cidadania Lx, critica igualmente o anunciado empreendimento. "O que está proposto é um muro de 600 metros de extensão e oito de altura que vai tapar a vista e a frente de Alfama", disse ao DN Paulo Ferrero, membro desta comunidade que se junta no blogue cidadanialx.blogspot.com. "Tudo isto é contrário às anunciadas intenções do ministro do Ambiente e do presidente da CML para a zona ribeirinha", acrescentou. O DN contactou o gabinete de Carmona Rodrigues, não tendo obtido respostas.O projecto do novo terminal de cruzeiros de Santa Apolónia deverá estar pronto, segundo Administração do Porto de Lisboa (APL), em 2010. O projecto tem autoria do arquitecto Rui Alexandre e integra o actual Cais de Santa Apolónia e toda frente de acostagem até à Doca da Marinha, nas imediações do Terreiro do Paço. Inclui além do novo terminal de passageiros, um hotel, espaços comerciais e escritórios.Para o arquitecto Gonçalo Cornélio da Silva, bolseiro da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e da Gulbenkian e professor de Arquitectura na Universidade de Notre Dâme (Indiana, EUA) "este projecto provoca o colapso da frente rio histórica não é aglutinador dos interesses dos seus habitantes, nem tão pouco responde a uma implicação de cidadania ou de melhoria ou valorização substancial da cidade de Lisboa". E vai mais longe: "É um barrote de cerca de 600 metros lineares com oito metros de altura em frente à cidade histórica. Esta situação é reveladora do descalabro urbanístico que representa a adição avulsa, da colocação de objectos arquitectónicos apátridas sobre um cenário espectacular único que deveria ser património da Humanidade."José Sá Fernandes promete não dar tréguas a mais um caso que, considera, configura "ilegalidade" pois "vai totalmente contra o que diz o Plano Director Municipal de Lisboa sobre a frente ribeirinha da cidade".O vereador eleito pelo BE diz que este projecto lhe faz lembrar o polémico POZOR também de iniciativa da APL. "A quem é que isto interessa?", questiona. "Os cruzeiros dão prejuízo ao Porto de Lisboa. Estes turistas fazem uma despesa de sete euros, em média, segundo a APL. Quem ganha com este projecto são as agências de navegação", diz. Segundo o Jornal de Notícias, as obras que têm como pressuposto concentrar todo o movimento de navios de cruzeiros de passageiros em Santa Apolónia, numa zona nobre da cidade e disponibilizar os actuais terminais de Alcântara e Rocha de Conde Óbidos, começam no segundo trimestre do ano. Para Manuel Frasquilho, presidente da APL , o objectivo é que o novo terminal venha a receber 500 mil passageiros.

sábado, abril 21, 2007

JOVEM ESCAPA POR MILAGRE

Record, Quinta-feira, 5 Abril de 2007 - 02:02

João Reis, jogador do Odivelas, encontra-se na Unidade de Queimados do Hospital de São José, depois de ter sido electrocutado numa catenária com 25 mil watts de energia. O jovem, 19 anos, acabara de sair da Discoteca Lux, em Lisboa, quando decidiu subir a um vagão de transporte de cereais, com seis metros de altura, estacionado ao lado daquele famoso local de diversão da capital.

João Reis sofreu queimaduras em 60 por cento do corpo (30 por cento de 2.º grau e outros 30 de 3.º) mas, segundo Record apurou, a principal preocupação dos médicos reside no facto de o futebolista do Odivelas ter inalado fumo, o que lhe afectou os pulmões e condiciona a sua recuperação.

Embora se trate do quarto caso em dois anos naquela zona, a verdade é que a Refer, acusada de negligência devido à ausência de vedações e de sinalização, defende – segundo declarações de Susana Abrantes, do gabinete de comunicação daquela empresa, à “Sábado” – que “não há nenhuma medida de segurança que impeça estes actos tresloucados”.










Comentário: Com os vários acidentes à porta do Lux nomeadamente os acidentes de viação à saída dos Parques, nas cantenárias e com os condutores embriagados que se atiraram ao rio os Lisboetas deixaram de ter acesso ao rio e hoje é impossível circular à beira rio por causa dos gradeamentos e do arame farpado. Não teria sido mais lógico aumentar a vigilância e a fiscalização na zona durante a noite?

TERMINAL DE CRUZEIROS DE SANTA APOLÓNIA PRONTO EM 2010 E INCLUI HOTEL E COMÉRCIO

O publico 20.04.2007, por Inês Boaventura

O projecto do Porto de Lisboa, que pretende concentrar os cruzeiros numa zona nobre da cidade, custa 45 milhões de euros e vai ter um financiamento comunitário de 40 por cento
O Porto de Lisboa, que em 2007 espera receber mais de 300 mil passageiros de navios de cruzeiros, é o sexto em toda a Península Ibérica que mais visitantes atrai, captando 14 por cento do volume de passageiros dos dois países. Com o novo terminal, o objectivo é tornar o porto uma referência nas rotas turísticas internacionais. a O terminal de cruzeiros de Santa Apolónia, em Lisboa, que representa um investimento de 45 milhões de euros a concluir até ao Verão de 2010, vai integrar, além da gare marítima, um hotel com dois pisos, uma área de escritórios, zonas comerciais e estacionamento. A secretária de Estado dos Transportes sublinhou que esta obra, cuja primeira fase foi ontem consignada a um consórcio formado pelas empresas Somague e Seth, vai "beneficiar as condições de recepção de navios de cruzeiros", concentrando o tráfego "numa zona nobre da cidade". O projecto, acrescentou Ana Paula Vitorino, pretende também "permitir a reorganização espacial do Porto de Lisboa, disponibilizando a área dos actuais terminais de Alcântara e Rocha do Conde d"Óbidos para a operação de contentores". O segundo trimestre de 2008 é o período avançado pela Administração do Porto de Lisboa (APL) para a conclusão da obra de "reabilitação e construção do primeiro alinhamento de cais", que está orçada em 13,6 milhões de euros. Numa segunda fase, que deverá prolongar-se até ao terceiro trimestre de 2009, vai decorrer a "reabilitação e construção do segundo alinhamento de cais e tratamento e consolidação dos lodos e aterro da doca", com um custo de 24 milhões de euros. Só numa terceira fase arrancará a "construção da nova gare marítima, acessibilidades e envolvente", obra que segundo o vogal do conselho de administração da APL se pretende que seja "autofinanciável", através do investimento dos comerciantes que aqui vão instalar os seus negócios. Nessa altura, sublinhou Daniel Esaguy, ficará concentrada num só local toda a actividade dos navios de cruzeiros, actualmente dispersa entre Santa Apolónia, Alcântara e a Rocha do Conde d"Óbidos.O novo terminal de cruzeiros, que foi apresentado pelo responsável pela divisão de arquitectura e urbanismo da APL, vai incorporar o actual cais de Santa Apolónia e toda a frente de acostagem até à Doca da Marinha, implicando o fecho da Doca do Terreiro do Trigo. O projecto da gare marítima, explicou Rui Alexandre, da APL, integra dois edifícios cilíndricos "com uma certa transparência", nos quais existirão estruturas móveis através das quais se faz o acesso aos navios. Vai também ser construído um hotel, com dois pisos e uma área de 7800 metros quadrados, que vai ter um acesso directo à gare marítima, que ocupa uma área de 11 mil metros quadrados. O projecto contempla ainda áreas comerciais, escritórios, estacionamento para 1065 viaturas, incluindo autocarros e táxis, e uma ponte pedonal que vai fazer a ligação "entre o lado mais urbano e a zona portuária", como explicou Rui Alexandre. O presidente do conselho de administração da APL, Manuel Frasquilho, acrescentou que este empreendimento, que tem um financiamento comunitário de 40 por cento, vai "permitir o início da recuperação de uma área relativamente degradada da zona ribeirinha da cidade e da consolidação das suas acessibilidades".

sexta-feira, abril 20, 2007

A PRESENÇA NA INTERNET DAS JUNTAS DE FREGUESIA PORTUGUESAS

“A presença na Internet das juntas de freguesia portuguesas : estudo comparativo entre 2002 e 2004”. Gávea :Laboratório de Estudo e Desenvolvimento da Sociedade da Informação, Universidade do Minho, Guimarães, 2005. ISBN: 972-98921-5-6. Por Leonel Duarte dos Santos, Luís Alfredo Martins do Amaral.

O presente estudo, o primeiro realizado em Portugal com este ambito e abrangencia (todas as 4251 juntas de freguesia), tem como objectivo aferir a evolução da maturidade da presença na Internet das juntas de freguesias portuguesas, entre o ano 2002 e 2004. Nele se apresentam os resultados de dois períodos de avaliação, um em 2002 e outro em 2004. Para a concretização do objectivo referido, procedeu-se à análise dos serviços disponibilizados na Internet pelas juntas de freguesia portuguesas, através da análise de conteúdos disponibilizados online nos seus sítios web. A avaliação centrou-se na natureza dos serviços disponibilizados, na sua funcionalidade e nos ní­veis de interactividade permitidos. O método de avaliação foi adaptado do método utilizado para avaliação da presença na Internet das câmaras municipais, com as adaptações necessárias à realidade das Juntas de Freguesia Portuguesas.

  • PresencaJuntasFreguesiaInternet2005.pdf
  • quinta-feira, abril 19, 2007

    PORTO DE LISBOA INVESTE 45 MILHÕES NO TERMINAL DE CRUZEIROS

    Objectivo é atingir os 500 mil passageiros

    O porto de Lisboa vai investir 45 milhões de euros na construção e reabilitação do terminal de cruzeiros, tendo hoje assinado a consignação da primeira fase da obra, com o consórcio constituído pela Somague e Seth.

    Por Alexandra Noronha negócios.pt

    anoronha@mediafin.pt

     

    O porto de Lisboa vai investir 45 milhões de euros na construção e reabilitação do terminal de cruzeiros, tendo hoje assinado a consignação da primeira fase da obra, com o consórcio constituído pela Somague e Seth.
    Esta parte da empreitada irá custar 37 milhões de euros. As obras incluem o desenvolvimento e a reabilitação dos cais que já existem, entre o terminal de cruzeiros de Santa Apolónia e a Doca da Marinha.
    O objectivo é receber, segundo Manuel Frasquilho, presidente da Administração do Porto de Lisboa, 500 mil passageiros depois das obras concluídas. Neste momento, o porto recebe cerca de 270 mil passageiros.
    Globalmente, o projecto estará dividido em três fases e conta com uma comparticipação comunitária. Ana Paula Vitorino, secretária de Estado dos Transportes, adiantou ainda que o objectivo é atrair a indústria do turismo para a infra-estrutura.  

     

    sábado, abril 14, 2007

    EXPOSIÇÃO SOBRE DAVID MOURÃO-FERREIRA NO MUSEU DO FADO



    Por Catarina Rebelo (rascunho.net) 09-04-2007

    Lisboa recebe manuscritos originais e letras dactilografadas do autor, e pretende mostar a sua importância na história do fado.

    O Museu do Fado, em Lisboa, vai acolher uma exposição dedicada ao poeta, ensaísta, ficcionista, jornalista, professor e tradutor David Mourão-Ferreira de 18 de Maio a 30 de Setembro.

    David Mourão-Ferreira e o Fado é o nome da iniciativa que retratará o legado do autor na história da canção de Lisboa.

    A exposição vai recriar o escritório do poeta e apresentar testemunhos da obra que Mourão-Ferreira deixou ao fado, como manuscritos originais e letras dactilografadas, primeiras edições discográficas e um conjunto de registos audiovisuais que ilustram as interpretações de poemas da sua autoria por Amália Rodrigues, Camané, Mariza, Cristina Branco, entre outros.

    São vários os poemas de David Mourão-Ferreira que se tornaram fados, entre eles estão Primavera, Libertação, Barco Negro, Solidão, Madrugada de Alfama, Maria Lisboa, Abandono e Anda o Sol na Minha Rua.

    sexta-feira, abril 13, 2007

    AQUISIÇÃO DA MULTITERMINAL TEM "IMPACTO POSITIVO" NA MOTA ENGIL

    O CaixaBI diz que a aquisição da Multiterminal tem um impacto positivo na Mota-Engil uma vez que a construtora fica assim com uma participação significativa no negócio dos Portos.


    Maria João Soares

    mjsoares@mediafin.pt

    O CaixaBI diz que a aquisição da Multiterminal tem um impacto positivo na Mota-Engil uma vez que a construtora fica assim com uma participação significativa no negócio dos Portos. A Mota-Engil adquiriu a Multiterminal, sociedade que detém 50% da Sotagus e 31,25% da Liscont, concessionárias dos terminais portuários de Sta. Apolónia e de Alcântara Sul, em Lisboa, por 25 milhões de euros.
    Após a concretização da compra, o grupo Mota-Engil passará a controlar 100% da Sotagus e 82,94% da Liscont. A analista Sónia Baldeira refere que considerando a aquisção da Tertir e da Ternor "a empresa fica com uma participação significativa no segmento do negócio dos Portos".
    As acções da Mota-Engil seguem a subir 1,13% para os 6,24 euros.

     

     

     

    MOTA-ENGIL ADQUIRE MULTITERMINAL POR 25 MILHÕES DE EUROS

    A Mota-Engil adquiriu a Multiterminal, sociedade que detém 50% da Sotagus e 31,25% da Liscont, concessionárias dos terminais portuários de Sta. Apolónia e de Alcântara Sul, em Lisboa, por 25 milhões de euros.


    Por Ana Luísa Marques (Negócios.pt)

    anamarques@mediafin.pt

     

    A Mota-Engil adquiriu a Multiterminal, sociedade que detém 50% da Sotagus e 31,25% da Liscont, concessionárias dos terminais portuários de Sta. Apolónia e de Alcântara Sul, em Lisboa, por 25 milhões de euros.
    A Mota-Engil, através da "sub-holding" Mota-Engil, Ambiente e Serviços, chegou hoje a acordo "para a aquisição da Multiterminal, sociedade que detém 50% da Sotagus e 31,25% da Liscont" por 25 milhões de euros, revelou a construtora em comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
    Após a concretização da compra, o grupo Mota-Engil passará a controlar 100% da Sotagus e 82,94% da Liscont.

    segunda-feira, abril 09, 2007

    18 DE ABRIL DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS

    PERCURSOS ARQUEOLÓGICOS EM LISBOA:
    Pela Junta de Freguesia da Sé


    -
    AS MURALHAS DE LISBOA

    Ponto de encontro: Largo do Chão da Feira (junto ao Castelo)
    Horário: 10h e 14h
    Percurso: Largo do Chão da Feira, Palácio Belmonte, Fundação Ricardo Espírito Santo, Largo das Portas do Sol, Escadinhas do Miradouro de Stª Luzia, Rua Norberto de Araújo, Rua S. João da Praça, Rua da Judiaria, Rua dos Bacalhoeiros, Rua da Padaria

    -
    LISBOA ARQUEOLÓGICA

    Ponto de encontro: Largo da Sé
    Horário: 10h e 14h
    Percurso: Largo da Sé, Largo de Stº António, Largo da Madalena / Travessa do Almada, Rua das Pedras Negras, Largo do Correio Velho, Teatro Romano, Espaço Oikos

    Inscrição
    Inscrição prévia – Máx. 30 pessoas por grupo
    Museu da Cidade – Serviço de Arqueologia

    Drª Ana Caessa – 21 751 32 19

     

    sábado, março 31, 2007

    TURISTAS NA FREGUESIA DA SÉ HÁ MUITOS MAS FALTA FAZER A REABILITAÇÃO URBANA

    Publicado no DNFilipe MoraisTiago Lourenço (imagem)


    "É uma freguesia pobre, mas com muito potencial." É assim que o presidente da Junta de Freguesia da Sé, Filipe Pontes, define a junta que dirige há quase dois anos. O jovem autarca, de 26 anos, reconhece que esta "é uma freguesia idosa, não é totalmente cosmopolita, como a zona comercial da Baixa, mas também não é totalmente bairrista como Alfama".Filipe Pontes explica ao DN que há perspectivas para melhorar a qualidade de vida da população e da freguesia da Sé, aproveitando o seu potencial turístico. O primeiro grande passo pode ser dado com a criação do porto para cruzeiros de luxo em Lisboa, já aprovado pelo Governo e cujas obras "começaram há cerca de 15 dias. Era uma lacuna na cidade e vai arrastar duas coisas: uma é um hotel de luxo na Rua dos Bacalhoeiros, que já foi aprovado, e outra é a série de restaurantes de charme que se estão a instalar na freguesia". Ou seja, diz, "tudo acompanha a tendência de nos prepararmos para a chegada de mais turistas".A Sé também tem inúmeros bares, mas Filipe Pontes faz questão de esclarecer: "Isto não é o Bairro Alto." As principais preocupações na freguesia, que tem apenas 0,12 hectares, vão para o estacionamento, para a reabilitação urbana e para a segurança, dado o movimento de turistas. A Sé tem apenas cerca de 500 lugares de estacionamento "à porta", mas estão a ser preparadas três alternativas, sendo que a principal é junto ao rio: "Vão ser criados cerca de 700 lugares na zona entre o Jardim do Tabaco e a discoteca Lux. Depois há o parque da Costa do Sol e esperamos que o antigo mercado do Chão do Loureiro venha a ser uma opção."Quanto à reabilitação urbana, Filipe Pontes lembra a idade da maioria das construções para explicar a necessidade de obras em muitos dos edifícios, mas lamenta que em muitos casos tenha de ser a Câmara Municipal de Lisboa a actuar, tomando posse administrativa dos prédios e executando obras coercivas. "Nunca é uma atitude preventiva, é sempre reactiva e em muitos casos pode ser tarde de mais."O responsável pela Junta da Sé refere ainda que "aqui a crítica que se pode fazer é a da qualidade da execução da reabilitação e muitas vezes da profundidade da intervenção, que não vai tão longe como se quer". Por outro lado reconhece que "nas ruas do Barão, na de São Mamede e na de São João da Praça há mais qualidade" nas habitações, com casas "T2 a serem vendidas à volta dos 250 mil euros. Andamos à volta dos 2200 euros por metro quadrado", adianta.


    Comentário:
    Infelizmente os problemas da Sé são comuns às outras Freguesias de Alfama não é possível gerir uma zona histórica quando num raio de 2km no centro histórico de Lisboa as competências se dividem por 12 Juntas de Freguesia, pela Unidade do Projecto de Alfama, pela Administração do Porto de Lisboa (na zona Ribeirinha), pelas diversas Divisões e Departamentos da CML e por várias empresas municipais como a EGEAC e a EMEL. É necessário ter uma visão de conjunto para a zona histórica e alguém que mande. Alfama sofre sobretudo da burocracia e de problemas organizacionais porque aparentemente há dinheiro para fazer obras de € 655 500 no Museu do Fado mas não há dinheiro para pintar as passadeiras e proteger os passeios.

    Por outro lado, apesar da Junta de Freguesia da Sé ser gerida por uma equipa dinâmica a generalidade das Juntas de Freguesia da zona está mais envolvida em guerras políticas entre si e com a CML que em qualquer tipo de projectos úteis para Alfama. Portanto faz todo o sentido criar uma única Junta de Freguesia para Alfama e Castelo, outra para a Graça e uma para a Baixa e para o Chiado para começar a resolver os problemas da zona histórica.

    € 655 500 NA EMPREITADA DE REABILITAÇÃO DO EDIFÍCIO DO MUSEU DO FADO




    Parece que foi ontem que terminaram as obras mas afinal o Museu do Fado e da Guitarra Portuguesa volta a estar em obras a partir de Outubro. Curiosamente o Museu encerra ao fim se semana quando o número de turistas em passeio aumenta e o café do Museu com vista para o Largo Chafariz de Dentro, onde se arrastam obras intermináveis, está encerrado há alguns meses.
    Pelos vistos não é por falta de dinheiro, só é pena não haver orçamento para a pintura das passadeiras nem para a colocação de sinalização dos Parques de estacionamento nem de pilaretes para proteger os passeios quando há espectáculos no Museu.

    II.1.5) Designação dada ao contrato pela entidade adjudicante: Empreitada de reabilitação do edifício do Museu do Fado.

    II.1.6) Descrição/objecto do concurso
    A presente empreitada tem por objecto a execução dos trabalhos descritos nas peças
    concursais, consistindo, predominantemente, na remodelação, beneficiação e tratamento
    das coberturas e fachadas, reposição de acessibilidades, remodelação da
    cafetaria e reabilitação das instalações eléctricas e de segurança do edifício do
    Museu do Fado.

    II.1.7) Local onde se realizará a obra, a entrega dos fornecimentos ou a prestação de serviços
    Museu do Fado, Largo do Chafariz de Dentro, Lisboa.
    II.2) QUANTIDADE OU EXTENSÃO DO CONCURSO
    II.2.1) Quantidade ou extensão total
    A proposta é feita para a totalidade dos trabalhos que constituem a empreitada,
    conforme programa de trabalhos. O preço base do concurso € 550 000 com exclusão
    do IVA.
    II.3) DURAÇÃO DO CONTRATO OU PRAZO DE EXECUÇÃO
    Prazo em meses e/ou em dias a partir da data da consignação (para obras) Ou: Início 01/10/2007 e/ou termo 31/12/2007

    sexta-feira, março 30, 2007

    A NOITE DO FADO JOVEM

    No dia 30 de Março, no Museu do Fado e da Guitarra, decorreu uma das excelentes iniciativas previstas no âmbito da Semana da Juventude, realizada em parceria com o Grupo Sportivo Adiciense, de Alfama, com o apoio da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC).

    Fora do Museu viveu-se a habitual confusão porque apesar dos Parques de estacionamento estarem vazios a EGEAC só se preocupa com a organização dos espectáculos como se não tivesse nada com a CML e a CML não se preocupa com nada porque acha que é da competência da EGEAC.
    O resultado é o habitual até os carros da CML estacionaram em cima dos passeios, em frente às bocas de incêndio e das passadeiras.






    CRÓNICA MARAFADA: MAIS MISÉRIAS QUE GRANDEZAS

    Publicado por Jornal do Algarve online, 30-03-2007

    Por motivos familiares, desloquei-me um dia destes à capital do império. Um dia me bastou. Por Alfama, pela Avenida Almirante Reis, pelo Rossio, pela Rua Augusta, pelo Terreiro do Paço, por Santa Apolónia, pelo Parque das Nações . Lisboa tem mais olhos que barriga. Nas escadarias de Alfama, a caminho do miradouro de Santa Luzia, um casal jovem levitava no fumo de um charro. Deitados no adro da igreja S. Nicolau, três tipos com cara de imigrantes do Leste emborcavam garrafas de vinho, notoriamente já voando pelos reinos de Baco. No Martim Moniz, uma teenager pálida e cariada, quase caindo de cima de uma tira de pano que fazia de mini-saia e do alto de uns chinelos de 10 cm de altura, desafiava um velhote para poucas-vergonhas. No Rossio, um artista remexia um arame e sacava moedas de uma máquina de venda automática de selos, cara-podre enquanto a multidão passava rente e desviava os olhares. Numa pastelaria, um cinquentão movido a álcool entrou cambaleando e amparando uma tosga fenomenal enquanto vociferava asneiras e inconveniências que tresandavam a cerveja. Valeu que depressa percebeu que tinha entrado na capela errada. No Terreiro do Paço, um jovem tentou convencer-me a comprar- -lhe uma máquina fotográfica digital que trazia escondida sob o blusão, enquanto sobre lajes pombalinas um sem-abrigo cortava as unhas dos pés. Vale a pena irmos de tempos a tempos à capital deste império miserável, para percebermos melhor o modelo de sociedade metropolitana que vai sendo exportado cada vez mais para a nossa região. É um modelo de sociedade que não nos interessa. É um modelo que investe nas fachadas ( e só em algumas.), brilha na ostentação, mas tem os alicerces corroídos. Ali, quem é sério e sóbrio habitua-se a fingir que não vê. Cria-se uma rotina em que há a sociedade limpa e a sociedade suja. E esta última passa a só incomodar a primeira quando lhe toca, quando a agride ou quando a rouba. Lisboa é a capital provinciana deste portugal pequenino. Amesquinha as vivências das aldeias, mas é socialmente disfuncional. Tem muitos prédios encavalitados, muito alcatrão embarrigado, muitos semáforos, muita pressa, muito trânsito. mas não tem solidariedade. Não tem saúde. Cria ilhas de consumismo e de pretenso prazer, mas é refém da marginalidade, da devassidão, da toxicodependência e do crime. O modelo de Lisboa não nos serve. Obrigado.

    sábado, março 24, 2007

    28 DE MARÇO DIA NACIONAL DOS CENTROS HISTÓRICOS

    No âmbito das comemorações do Dia Nacional dos Centros Históricos, que em Portugal coincide com o nascimento de um autor emblemático da história portuguesa - Alexandre Herculano -, a Direcção Municipal de Conservação e Reabilitação Urbana, no dia 28 de Março de cada ano, proporciona ao público um programa composto por visitas guiadas, tanto ao edificado com acções de recuperação patrimonial, como ao património histórico, com o objectivo de divulgar acções de valorização deste património, localizado essencialmente nas áreas históricas centrais da cidade. Os percursos efectuados por algumas dessas áreas disponibilizam aos visitantes informações de carácter histórico e patrimonial, assim como sobre metodologias de conservação e restauro implementadas. Dar a conhecer a cidade antiga numa perspectiva dinâmica e evolutiva é o que se pretende. Procura-se também alargar o leque de iniciativas propostas, que podem passar por concertos em locais patrimonialmente emblemáticos, por seminários ou palestras, ou outras iniciativas que contribuam para a divulgação e conhecimento do património comum.
    Núcleo de Dinamização Telefone: 21 798 96 43 ou 21 798 80 65

    terça-feira, março 06, 2007

    APL ADJUDICA REABILITAÇÃO DO CAIS DE SANTA APOLÓNIA AO CONSÓRCIO DA SOMAGUE



    Por Jornal de Negócios Online, 05.03.2007

    A Administração do Porto de Lisboa (APL) adjudicou a reabilitação e reforço do cais entre Santa Apolónia e o Jardim do Tabaco ao consórcio da Somague e da - Sociedade de Empreitadas e Trabalhos Hidráulicos (SETH) por cerca de 14 milhões de euros.

    Os trabalhos, que correspondem à primeira fase da empreitada, deverão começar em Abril e o prazo de execução é de 12 meses, segundo o "Ambiente Online" que cita fonte da SETH.
    Esta empreitada diz respeito à execução de trabalhos de reabilitação do cais existente na zona do Jardim do Tabaco e à construção de uma nova estrutura que permita a utilização do cais por navios de cruzeiro. "Os trabalhos referentes à reabilitação da estrutura existente englobam numa primeira fase a execução de dragagem de construção, execução de estacas de brita e execução de prisma de enrocamento", segundo a SETH.

  • SETH e Somague executam obra para a Administração do Porto de Lisboa

  • Governo assume requalificação desde Cais do Sodré a Santa Apolónia
  • sexta-feira, dezembro 01, 2006

    'PÁRA-ARRANCA' PARA VER A MAIOR ÁRVORE DE NATAL DA EUROPA

    engarrafamento. Na Praça do Comércio, todos abrandam para contemplar a maior árvore de Natal da Europa, e as filas vão-se acumulando até ao Marquês de Pombal

    in Diário de Notícias por Vera Nobre e Gonçalo Santos

    A maior árvore de Natal da Europa foi instalada na Praça do Comércio, provocando um forte impacto na Baixa lisboeta. O trânsito congestionado revela que tem tido milhares de visitantes diários - o DN foi falar com famílias que visitam o local e avaliar os seus efeitos no comércio tradicional. E revelamos o que se esconde atrás da árvore o marketing do banco Millenium BCP, que já teve resposta do concorrente BES, através do pequeno "nevão" no Marquês. "Estivemos muito tempo nas filas mas valeu a pena. Como não temos árvore de Natal em casa, ficamos com esta na recordação"

    Na Praça do Comércio, todos abrandam para contemplar a maior árvore de Natal da Europa, e as filas vão-se acumulando até ao Marquês de Pombal
    Às bolas brancas que iluminam as árvores ao longo da Avenida da Liberdade juntam-se centenas de pequenos faróis vermelhos. Não são novas decorações de Natal - são os carros parados em filas intermináveis em direcção à Baixa lisboeta. Os automóveis avançam de forma intermitente, envolvidos num fenómeno de trânsito que só parece existir desde que, no passado dia 19 de Novembro, as luzes da maior árvore de Natal da Europa se acenderam na Praça do Comércio. Para o comissário Domingues, da Divisão de Trânsito de Lisboa, a explicação para esta anomalia é muito simples "A zona da Baixa é gerida pelo programa informático Gertrudes, que está preparado para, à tarde, deixar sair mais trânsito do que entrar- tal como acontece no sentido inverso à hora de ponta de manhã, quando entram mais carros do que saem da capital. Só que agora, da parte da tarde, vêm milhares de pessoas de Lisboa, arredores e mesmo de outras localidades para ver a árvore de Natal. Por causa disso, o trânsito aumentou entre 40 a 50 por cento."

    engarrafamento. Laços gigantes de luzes brancas dão as boas-vindas ao Rossio. E a entrada para a Rua do Ouro, com sinos brancos e vermelhos, não parece mais animadora. O engarrafamento continua. Nos carros, enquanto uns verificam enfurecidos as horas que vão passando, outros não resistem a espreitar para ver quando surgirá a pontinha da tão esperada árvore de Natal. "Já ando em Lisboa há mais de 40 anos e nunca vi nenhum Natal assim. O trânsito tem estado uma coisa descomunal", diz indignado Domingos Borges, taxista. Para ele, a árvore do Terreiro do Paço só tem dificultado o negócio. "O cliente do táxi é um cliente tipicamente apressado. E com estas filas fora do normal, queixam-se muito." Aos votos de boas festas com que se despede, Domingos acrescenta um conselho para o presidente da Câmara de Lisboa- "Devia proibir o trânsito aqui. Contaram-me que em muitas cidades da Europa só se pode andar de transportes públicos. E também não percebo como é que se queixam da crise, afinal para a gasolina parece que há sempre dinheiro."A chegada à Praça do Comércio só acontece passado mais algum tempo e, parados nos sinais, os olhares de crianças, adultos ou velhotes não resistem a ficar presos naquele espectáculo. "Está linda de morrer", diz emocionada Manuela Afonso de máquina fotográfica na mão. Veio de Alcochete de propósito para ver a maior árvore de Natal da Europa porque, "na televisão, não é a mesma coisa." As filhas, Catarina e Inês, de 14 e 11 anos, estão no carro por causa do frio mas os sorrisos não enganam. "Estivemos muito tempo nas filas mas valeu a pena. Como não temos árvore de Natal em casa, ficamos com esta na recordação", confessa Catarina. "Mas agora temos de ir andando, senão levamos uma multa", despede-se a mãe.polícia. Um dos cinco agentes da Brigada de Trânsito destacados para estar no Terreiro do Paço, das 17.00 até a árvore se apagar, é Adelino Silva. "Não estamos aqui para multar os carros, mas para controlar um bocadinho as pessoas que param em segunda fila e perturbam a circulação do trânsito." Diz que não tem sido tarefa fácil, mas gosta muito de ali estar. "É muito bonito ver como as pessoas gostam. As crianças, então, chegam a ficar tão excitadas que atravessam a estrada sem sequer olhar. Mas nunca aconteceu nada de grave."Nem deve ter metro e meio e esforça-se para ver a estrela no topo da árvore de Natal. "É tão grande que não consigo. Nunca vi nada tão grande na minha vida", diz fascinado Wilson Mendes, de seis anos. Veio com a mãe e duas tias e dali de tão perto a árvore ainda lhe parece mais bonita. "Quero mais fotografias para mostrar à professora", pede à mãe que, com o telemóvel, vai fotografando o filho sorridente. Chega mais um carro que pára num local proibido para admirar a árvore de Natal. É a família Vasconcelos e Sá - o marido, a mulher, a filha, e até a sogra. "É maior do que a do ano passado não é?", pergunta Miguel Vasconcelos e Sá. "Não me parece, mas o que interessa é que está muito gira", responde a sogra do banco de trás do carro. Satisfeita, a família segue o seu caminho. Aqueles poucos minutos ali parada, a contemplar a imensa estrutura, compensaram os três quartos de hora que gastaram da rotunda do Marquês de Pombal ao Terreiro do Paço. Dois quilómetros a passo de caracol, para chegar à árvore iluminada.

  • Proposta de revitalização da Baixa-Chiado

  • Fluxo pedonal e Lisboa